segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Thomas Merton

Thomas Merton (Prades,, 31 de janeiro de 1915  — Bangcoc, 10 de Dezembro de 1968) foi um escritor católico do século XX. Monge trapista da Abadia de Gethsemani, Kentucky, ele foi um poeta, ativista social e estudioso de religiões comparadas. Escreveu mais de setenta livros, a maioria sobre espiritualidade, e também foi objeto de várias biografias.

Relação com o Brasil

No Brasil Thomas Merton tinha vários amigos e publicou um grande número de livros. Muitas são as pessoas, leigas ou religiosas, que atribuem às leituras de seus livros como marcos importantes para suas vidas espirituais. Foram lançados mais de 40 livros em português, graças ao envolvimento de intelectuais – como Alceu Amoroso Lima – e de monjas e monges beneditinos – como Dom Basílio Penido, Dom Timóteo Amoroso Anastácio, Dom Estêvão Bettencourt e, principalmente, da irmã Maria Emmanuel de Souza e Silva.
A história sobre o início de uma relação de trabalho e de uma amizade é contada no livro Thomas Merton: o homem feliz, pela Ir. Maria Emmanuel. Ao longo de 13 anos trocaram mais de uma centena de cartas, cartões postais, "santinhos" e livros. Parte das cartas de Merton enviadas à Ir. Maria Emmanuel estão registradas no livro The Hidden Ground of Love: Letters on Religious Experience and Social Concerns (Letters, I).
Merton se correspondeu com outros brasileiros como Alceu Amoroso Lima, Dom Hélder Câmara, abades beneditinos, religiosas e religiosos e simples leitores, ao longo de sua vida. Ele também se interessava por vários autores brasileiros - em especial pelos poetas Manuel Bandeira e Jorge de Lima.
O continuado interesse por Merton, sua vida e suas ideias, levou à fundação, em 10 de dezembro de 1996, da Sociedade dos Amigos Fraternos de Thomas Merton - SAFTM.
Após ter cessado por longos anos a publicação de suas obras no Brasil, existindo apenas dois títulos em 1996, foram reeditados em 1999 os livros A Montanha dos Sete Patamares, Novas Sementes de Contemplação e Ascensão para a Verdade logo seguidos pela publicação de outros títulos nos anos subsequentes. Hoje já são dezesseis títulos disponíveis, tendo se estabelecido um novo interesse em dar continuidade à publicação de antigas e novas obras. Além desses existem quatro livros sobre Thomas Merton. Os quase trinta outros títulos esgotados podem ser encontrados em sebos de todo o país.

Correspondentes

Merton foi um correspondente prolífico, tendo escrito milhares de cartas a diferentes pessoas em todo o mundo, estabelecendo um diálogo sobre temas de mútuo interesse com os seus correspondentes como também respondendo fraternalmente a consultas e agradecendo elogios de seus leitores. Suas cartas são dirigidas e recebidas de intelectuais e de pessoas comuns. De dignitários da Igreja a singelas monjas em localidades pobres e remotas.
O Thomas Merton Center tem catalogado e arquivado milhares dessas cartas, mas não a totalidade delas. Várias são de brasileiros, correspondentes habituais ou ocasionais de Merton.

Livros

 (1944) - Thirty Poems
(1946) - A Man in the Divided Sea
(1948) - The Seven Storey Mountain
(1949) - Seeds of Contemplation; The Tears of the Blind Lions; The Waters of Siloe
(1951) - The Ascent of Truth
(1953) - The Sign of Jonas
(1955) - No Man Is An Island
(1956) - The Living Bread
(1957) - The Silent Life; The Strange Islands
(1958) - Thoughts in Solitude
(1959) - The Secular Journal of Thomas Merton; Selected Poems
(1960) - Disputed Questions; The Wisdom of the Desert
(1961) - The New Man
(1962) - New Seeds of Contemplation
(1964) - Seeds of Destruction
(1965) - Gandhi on Non-Violence; The Way of Chuang Tzu; Seasons of Celebration
(1966) - Raids on the Unspeakable; Conjectures of a Guilty Bystander
(1967) - Mystics and Zen Masters
(1968) - Monks Pond; Cables to the Ace; Faith and Violence; Zen and the Birds of Appetite
(1969) - My Argument with the Gestapo; Contemplative Prayer; The Geography of Lograire
(1971) - Contemplation in a World of Action
(1973) - The Asian Journal of Thomas Merton
(1976) - Ishi Means Man
(1977) - The Monastic Journey; the Collected Poems of Thomas Merton
(1979) - Love and Living
(1980) - The Non-Violent Alternative
(1981) - The Literary Essays of Thomas Merton; Day of a Stranger; Introductions East and West: The Foreign Prefaces of Thomas Merton
(1982) - Woods, Shore and Desert: A Notebook, May 1968
(1985) - The Hidden Ground of Love: Letters on Religious Experience and Social Concerns (Letters, I)
(1988) - A Vow of Conversation: Journals 1964-1965; Thomas Merton in Alaska: The Alaskan Conferences, Journals and Letters
(1989) - The Road to Joy: Letter to New and Old Friends (Letters, II)
(1990) - The School of Charity: Letters on Religious Renewal and Spiritual Direction (Letters, III)
(1993) - The Courage for Truth: Letters to Writers (Letters, IV)
(1994) - Witness to Freedom: Letters in Times of Crisis (Letters, V)
(1995) - Run to the Mountain: The Story of a Vocation (Journals, I: 1939-1941)
(1996) - Entering the Silence: Becoming a Monk and Writer (Journals, II: 1941-1952)
(1996) - A Search for Solitude: Pursuing the Monk's True Life (Journals, III: 1952-1960)
(1996) - Turning Toward the World: The Pivotal Years (Journals, IV: 1960-1963)
(1997) - Dancing in the Water of Life: Seeking Peace in the Hermitage (Journals, V: 1963-1965)
(1997) - Learning to Love: Exploring Solitude and Freedom (Journals, VI: 1966-1967)
(1998) - The Other Side of the Mountain: The End of the Journey (Journals, VII: 1967-1968)
(1999) - The Intimate Merton: His Life From His Journals
(2000) - Thomas Merton: Essential Writings
(2001) - Dialogues with Silence
(2003) - The Inner Experience; Seeking Paradise: The Spirit of the Shakers
(2004) - Peace in a Post-Christian Era
(2005) - In the Dark Before Dawn: New Selected Poems of Thomas Merton; Cassian and the Fathers
(2006) - The Cold War Letters
(2007) - Thomas Merton In My Own Words
(2008) - Choosing to Love the World

Bibliografia

Merton Vade Mecum: A Quick-Reference Bibliographic Handbook, Patricia A. Burton. (Thomas Merton Foundation Publications), 2001. 164 pag.
About Merton Secondary Sources 1945-2000: A Bibliographic Workbook. Compilado por Patricia A. Burton, Marquita Breit e Paul M. Pearson. (Thomas Merton Foundation Publications), 2002. 248 pags.
The Thomas Merton Encyclopedia. Editada por William H. Shannon, Christine Bochen and Patrick O'Connell. (Orbis Books), 2002. Brochura, 572 pag.
Mística e Compaixão: A teologia do seguimento de Jesus em Thomas Merton (Paulinas, 2008) Getulio Antonio Bertelli
Oração pela Vida: O compromisso contemplativo de Thomas Merton (Agir, 1979) Henri J. M. Nouwen. Tradução de Rene Bucks e Alzira Maria Ribeiro Araujo
Thomas Merton – o apóstolo da compaixão (T.A. Queiroz, 1984) J.C. Ismael
Thomas Merton - o homem que aprendeu a ser feliz (Vozes, 1997) Ir.Maria Emmanuel de Souza e Silva.
Thomas Merton - o homem feliz (Vozes) Ir.Maria Emmanuel de Souza e Silva.

Biografias

Diversas biografias de Merton foram publicadas. Entre elas:
The Seven Mountains of Thomas Merton, Michael Mott
The Silent Lamp, William Shannon
Merton, A Biography, Monica Furlong
Follow the Ecstasy, John Howard Griffin
Thomas Merton, My Brother, Basil Pennington OCSO

Thomas Merton: A Film Biography, Paul Wilkes and Audrey L. Glynn

Fonte: Wikipédia

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Jean Baptista van Helmont


Jean Baptista van Helmont (Bruxelas, 12 de janeiro de 1579 — Vilvoorde, Flandres, 30 de dezembro de 1644) foi um médico, químico e fisiologista belga.

Vida e obra

Grande defensor da Abiogênese (Geração Espontânea) e da hipótese de Aristóteles, que afirmava a existência de um "princípio ativo" (capacidade de originar seres vivos), van Helmont acreditava que conseguiria "fazer" um ser vivo por meio da matéria bruta.
Seu famoso livro de receitas ensinava como se obter seres vivos a partir do "princípio ativo". Uma receita dizia que se deve misturar uma roupa suja de mulher com germe de trigo e esperar vinte e um dias para obter ratos, sendo verdade que os ratos são atraídos pela mistura.

Principais publicações

1621 - De magnetica vulnerum curatione. Disputatio, contra opinionem d. Ioan. Roberti (...) in brevi sua anatome sub censurae specie exaratam, Paris
1642 - Febrium doctrina inaudita, Antverpiae
1644 - Opuscula medica inaudit
1648 - Ortus medicinae, id est Initia physicae inaudita

Van Helmont era o caçula de cinco filhos de Maria (van) e van Stassaert Christiaen Helmont, um promotor público e membro do Conselho de Bruxelas, que havia se casado no Sint-Goedele igreja em 1567. Ele foi educado em Leuven, e depois variando inquieto de uma ciência para outra e encontrar satisfação em nenhum, virou-se para a medicina. Ele interrompeu seus estudos, e por alguns anos ele viajou pela Suíça, Itália, França e Inglaterra. Retornando ao seu próprio país, van Helmont obteve um diploma em medicina em 1599. Ele praticou em Antuérpia, no momento da grande peste em 1605. Em 1609 ele finalmente obteve seu doutorado em medicina. No mesmo ano ele se casou com Margaret van Ranst, que era de uma rica família nobre. Van Helmont e Margaret viveram em Vilvoorde, perto de Bruxelas, e tiveram seis ou sete filhos. A herança de sua esposa lhe permitiu aposentar mais cedo a partir de sua prática médica e ocupar-se com experimentos químicos, até a sua morte na 30 dez 1644.

Bibliografia

Pagel, Walter. From Paracelsus to Van Helmont: studies in Renaissance medicine and science. London: Variorum Reprints, 1986.
Pagel, Walter. Joan Baptista van Helmont: reformer of science and medicine. Cambridge; New York: Cambridge University Press, 1982.

Steffen Ducheyne, Joan Baptiste Van Helmont and the Question of Experimental Modernism, Physis: Rivista Internazionale di Storia della Scienza, vol.43, 2005, pp. 305–332.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Santa Ana


Na Sagrada Escritura conta-se que a mãe de Samuel, Ana, na aflição da esterilidade que lhe tirava o privilégio da maternidade, dirigiu-se com fervorosa oração ao Senhor e fez promessa de consagrar ao serviço de Deus o futuro filho. Obtida a graça, após ter dado à luz o pequeno Samuel, levou-o a Silo, onde estava guardada a arca da aliança e o confiou ao sacerdote Eli, após tê-lo oferecido ao Senhor. Tomando isso como ponto de partida o Proto-evangelho de Tiago, apócrifo do século segundo, traça a história de Joaquim e Ana, pais da Bem-aventurada Virgem Maria. A piedosa esposa de Joaquim, após longa esterilidade obteve do Senhor o nascimento de Maria, que aos três anos levou ao Templo, deixando-a ao serviço divino, cumprindo o voto feito.
O fundamento histórico provável, embora na discordante literatura apócrifa, é de algum modo revestido de elementos secundários, copiados da história da mãe de Samuel. Faltando no Evangelho qualquer menção dos pais de Nossa Senhora, não há outra fonte senão os apócrifos, nos quais não é impossível encontrar, entre os predominantes elementos fantásticos, alguma informação autêntica, recolhida por antigas tradições orais. O culto para com os santos pais da Bem-aventurada Virgem é muito antigo, sobre os gregos sobretudo. No Oriente venerava-se santa Ana no século VI, e tal devoção estendeu-se lentamente por todo o Ocidente a partir do século X até atingir o seu máximo desenvolvimento no século XV. Em 1584 foi instituída a festividade de santa Ana, enquanto são Joaquim era deixado discretamente de lado, talvez pela própria discordância sobre o seu nome que se revela em outros escritos apócrifos, posteriores ao Proto-evangelho de Tiago.
Além do nome de Joaquim, ao pai da Virgem Santíssima é dado o nome de Cléofas, de Sadoc e de Eli. Os dois santos eram comemorados separadamente: santa Ana a 25 de Julho pelos gregos e no dia seguinte pelos latinos. Em 1584 também são Joaquim achou espaço no calendário litúrgico, primeiro a 20 de março, para passar ao domingo da oitava Assunção em 1738, em seguida a 16 de agosto em 1913 e depois reunir-se com a santa esposa no novo calendário litúrgico, no dia 26 de julho. “Pelos frutos conhecereis a árvore,” disse Jesus no Evangelho. Nós conhecemos a flor e o fruto suavíssimo vindo da velha planta: A Virgem Imaculada, isenta do pecado de origem desde o primeiro instante de sua concepção, por um privilégio único, para ser depois o tabernáculo vivo do Deus feito homem. Pela santidade do fruto, Maria, deduzimos a santidade dos pais, Ana e Joaquim.

Sincretismo da Santa Ana: Nãnã
Devoção da Santa Ana: Padroeira dos avós.

Data Comemorativa: 26 de Julho.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Robert Fludd



Robert Fludd nasceu em Milgate (Kent), Inglaterra, no ano de 1574, sendo seu pai um nobre daquele país. Foi médico, filósofo e escritor – um verdadeiro polígrafo. Viajou pela França, Alemanha, e Espanha, indo depois estabelecer-se em Londres, onde iniciou a sua carreira médica.

Nesta capital europeia praticou a medicina com êxito, e diz-se que combinava a cura espiritual com o tratamento puramente médico. Nos países mencionados, com a convivência de homens de ciência, aperfeiçoou os seus conhecimentos de Filosofia, Medicina, História Natural, Alquimia e Teosofia, que tinha adquirido em Oxford, tornando-se um dos homens mais eruditos do seu tempo.

Adversário dos "peripatéticos" (os que seguem a filosofia de Aristóteles), e em geral de toda a filosofia pagã, introduziu na Inglaterra a filosofia natural e a teosofia de Paracelso e de Cornélio Agripa. Tal como Paracelso, esforçou-se por formar um sistema de filosofia fundado na identidade da verdade espiritual e física.

Nos seus escritos notam-se as antigas doutrinas rosacrucianas que se consubstanciam nisto: o Universo e todas as coisas procedem de Deus – o princípio e o fim de todas as coisas, que a Ele retornarão.

O acto de criação é a reparação do princípio activo (luz), do principio passivo (obscuridade) no seio da unidade divina (Deus).

Para ele, como para qualquer rosacruciano, a unidade de toda a vida é um facto indiscutível. A sua explicação do acto da Criação recorda-nos o princípio do evangelho de S. João, no qual este fala do papel que a Luz (Espírito) e as trevas (matéria) desempenham na Criação do Universo. Fludd diz que o universo consiste em três mundos: o arquetípico (Deus), o macrocosmo (o mundo) e o microcosmo (o homem). Este é o mundo em miniatura. Todas as partes de ambos se correspondem simpaticamente, actuando uma sobre a outra.

Com tais opiniões, dá-nos a entender que também para ele era certa a verdade do axioma hermético: "Como em cima é em baixo, e como em baixo é em cima".

Diz ainda que é possível para o homem (e também para o mineral e para a planta) sofrer a transformação e obter imortalidade. Ora, isto não é mais que a expressão, por outras palavras, do princípio da evolução. O sistema de Fludd pode ser descrito como um panteísmo materialista apresentado em fórmulas místicas. Isto quer dizer unicamente que, para ele, o Universo material não é mais do que Espírito (Deus) cristalizado, sendo uma coisa vivente e o corpo de Deus, tal como o aprendemos na nossa Filosofia Rosacruz.

Alegoricamente interpretado, o sistema de Fludd contém o significado real do Cristianismo, conforme o revelado ao homem primitivo pelo próprio Deus, transmitido a Moisés e aos patriarcas por tradição, e revelado pela segunda vez por Cristo.

Entre as suas obras figuram: Utriusque Cosmi metaphisica atque technica historica (Oppenheim, 1617); Tracttatus theologiae philosophica (Oppenheim, 1617); Clavis philosophiae et alchymiae Fluddano (Francfrt, 1633), obras nas quais reuniu os dois princípios dominadores da natureza, a simpatia e a antipatia, com a força magnética universal; De Monochordum Mundi(Francfort, 1623), obra na qual compara o Universo com um monocórdio (instrumento musical duma só corda).

É notável a sua interpretação do fogo. Segundo Fludd o fogo contém: 1º – uma chama visível (corpo); 2º – um fogo astral invisível; 3º – um "espírito". Quando uma chama se extingue no plano material, não faz mais do que passar do mundo visível ao invisível. Com esta interpretação equipara-se aos Rosacruzes, que também foram chamados os "filósofos do fogo".

O primeiro emblema da Irmandade Rosacruz foi dado a conhecer em 1619, por Fludd, sob a forma de uma cruz com uma rosa ao meio, colocada sobre um pedestal com três degraus.

Entre os seus escritos contam-se mais os seguintes: Tractatus apologeticus (Leyden, 1617), que é a defesa detalhada dos Rosacruzes contra a maledicência e a calúnia dos ignorantes e mal intencionados; Apologia compendiaria fraternitatem de Rosea Cruce suspicionis et infamiae maculis aspersam abluens (Leyden, 1617).

Como bom rosacruz, Fludd mostra o equilíbrio entre o coração e a mente, que a nossa filosofia ensina ser absolutamente necessário para o desenvolvimento perfeito do homem e assim vemos que, apesar de ser um místico, eram também um homem de muitos e variados recursos, e nunca desdenhou as experiências científicas.

Fludd morreu em Londres, no dia 8 de Setembro de 1637.


Bibliografia

A. E. Waite, History of the Rosicrucians, 1887; J.B. Graven, Robert Fludd the English Rosicrucian, 1902; J. Hunt, Religious Thought in England,1871; Thomas De Quincey, The Rosicrucian and Freemasonry, 1871.

domingo, 7 de julho de 2013

Agostinho de Hípona


Aurélio Agostinho (em latim: Aurelius Augustinus), dito de Hipona, conhecido como Santo Agostinho (Tagaste, 13 de novembro de 354 - Hipona, 28 de agosto de 430), foi um bispo, escritor, teólogo, filósofo e é um Padre latino e Doutor da Igreja Católica.
Agostinho é uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do cristianismo no Ocidente. Em seus primeiros anos, Agostinho foi fortemente influenciado pelo maniqueísmo e pelo neoplatonismo de Plotino, mas depois de tornar-se cristão (387), ele desenvolveu a sua própria abordagem sobre filosofia e teologia e uma variedade de métodos e perspectivas diferentes. Ele aprofundou o conceito de pecado original dos padres anteriores e, quando o Império Romano do Ocidente começou a desintegrar-se, desenvolveu o conceito de Igreja como a cidade espiritual de Deus (num livro de mesmo nome), distinta da cidade material do homem. Seu pensamento influenciou profundamente a visão do homem medieval. A Igreja se identificou com o conceito de "Cidade de Deus" de Agostinho, e também a comunidade que era devota de Deus.
Na Igreja Católica, e na Igreja Anglicana, é considerado santo, e importante Doutor da Igreja, e o patrono da ordem religiosa agostiniana. Muitos protestantes, especialmente os calvinistas mas também os luteranos (basta recordar que Martinho Lutero era inicialmente um sacerdote católico agostiniano), consideram-no como um dos pais teólogos da Reforma Protestante ensinando a salvação e a graça divina.
Na Igreja Ortodoxa Oriental ele é louvado, e seu dia festivo é celebrado em 15 de junho, apesar de uma minoria ser da opinião que ele é um herege, principalmente por causa de suas mensagens sobre o que se tornou conhecido como a cláusula filioque. Entre os ortodoxos é chamado de "Agostinho Abençoado", ou "Santo Agostinho, o Abençoado".

Biografia

Agostinho nasceu na cidade de Tagaste (atual Souk-Ahras, Argélia), a cerca de 90 km do Mediterrâneo, na Numídia (atual Souk Ahras), à época uma província romana do norte da África. Apesar do gentílico Aurelius, que poderia indicar a aquisição da cidadania romana sob o reinado de Marco Aurélio, Cômodo ou Caracala, Agostinho era de ascendência berbere. Seu pai, Patricius, era um berbere romanizado, cidadão romano, pagão; a mãe, Mônica, era berbere cristã. A esperança da família, sem muitos recursos, era educar seus filhos para que se tornassem professores, advogados ou membros da administração imperial. Agostinho foi educado no norte da África e resistiu aos ensinamentos de sua mãe para se tornar cristão.
Com onze anos de idade, foi enviado para a escola em Madaura, uma pequena cidade da Numídia. Lá ele tornou-se familiarizado com a literatura latina e com práticas e crenças do paganismo. Em 369 e 370, permaneceu em casa.
Durante esse período Agostinho leu o diálogo Hortensius de Cícero (hoje perdido), que deixaria uma impressão duradoura sobre ele e despertando-lhe o interesse pela filosofia. Passou a ser um seguidor do maniqueísmo.
Com dezessete anos, graças à generosidade de um concidadão, chamado Romaniano, o pai de Agostinho pôde enviá-lo para Cartago para continuar sua educação na retórica.Vivendo como um pagão intelectual, ele tomou uma concubina. Numa tenra idade, desenvolveu uma relação estável com uma jovem, em Cartago, com a qual viveu em concubinato por quinze anos e com quem viria a ter um filho, Adeodato. Segundo a lei romana, sendo a mulher de classe inferior, eles não poderiam se casar. O casal viria a se separar em 386, quando ela o deixou em Milão e partiu para a Numídia. 
Durante os anos 373 e 374, Agostinho ensinou gramática em Tagaste. No ano seguinte, mudou-se para Cartago a fim de ocupar o cargo de professor da cadeira municipal de retórica, e permanecerá lá durante os próximos nove anos.
Desiludido pelo comportamento indisciplinado dos alunos em Cartago, em 383, mudou-se para estabelecer uma escola em Roma, onde ele acreditava que os melhores e mais brilhantes retóricos ensinaram. No entanto, Agostinho ficou desapontado com as escolas romanas, que ele encontrou apática. Quando chegou o momento para os seus alunos para pagar os seus honorários eles simplesmente fugiram.
Amigos maniqueístas apresentaram-lhe o prefeito da cidade de Roma, Symmachus, que tinha sido solicitado a fornecer um professor de retórica imperial para o tribunal provincial em Milão. Agostinho ganhou o emprego e ocupou o cargo no final de 384.

Cristão

Enquanto ele estava em Milão, Agostinho mudou de vida. Ainda em Cartago, começou a abandonar o maniqueísmo, em parte, devido a um decepcionante encontro com um chefe expoente da teologia maniqueísta, Fausto.
Em Roma, ele relata ter completamente se afastado do maniqueísmo, e abraçou o movimento cético da Academia Neoplatónica. Sua mãe insistia para que ele se tornasse cristão e também seus próprios estudos sobre o neoplatonismo também foram levando-o neste sentido, e seu amigo Simplicianus instou-o dessa forma também. Mas foi a oratória do bispo de Milão, Ambrósio, que teve mais influência sobre a conversão de Agostinho.
A mãe de Agostinho havia-o seguido para Milão e insistiu para que abandonasse a relação com a mulher com quem vivia ilegalmente e procurasse outra para casar, conforme as leis do mundo e a doutrina cristã. A amada foi mandada de volta para a África e Agostinho deveria esperar dois anos para contrair casamento legal; mas logo ligou-se a uma concubina.
No verão de 386, após ter lido um relato da vida de António do Deserto, de Atanásio de Alexandria, que muito inspirou-lhe, Agostinho sofreu uma profunda crise pessoal. Decidiu se converter ao cristianismo católico, abandonar a sua carreira na retórica, encerrar sua posição no ensino em Milão, desistir de qualquer ideia de casamento, e dedicar-se inteiramente a servir a Deus e às práticas do sacerdócio.
A chave para esta transformação foi à voz de uma criança invisível, que ouviu enquanto estava em seu jardim em Milão, que cantava repetidamente, "Tolle, lege"; "tolle, lege" ("toma e lê"; "toma e ler"). Ele tomou o texto da epístola de Paulo aos romanos, e abriu ao acaso em 13:13-14, onde lê-se: "Não caminheis em glutonerias e embriaguez, nem em desonestidades e dissoluções, nem em contendas e rixas, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis a satisfação da carne com seus apetites".
Ele narra em detalhes sua jornada espiritual em sua famosa Confissões (Confessions), que se tornou um clássico tanto da teologia cristã quanto da literatura mundial. Ambrósio batizou Agostinho, juntamente com seu filho, Adeodato, na vigília da Páscoa, em 387, em Milão, e logo depois, em 388 ele retornou à África. Em seu caminho de volta à África sua mãe morreu, e logo após também seu filho, deixando-o sozinho, sem família.

Bispo

Após o regresso ao Norte da África, vendeu seu patrimônio e deu o dinheiro aos pobres. A única coisa com que ele ficou foi a casa da família, que se converteu em uma fundação monástica para si e um grupo de amigos.
Em 391, ele foi ordenado sacerdote em Hipona (atual Annaba, na Argélia). Em 396, foi eleito bispo coadjutor de Hipona (auxiliar, com o direito de sucessão depois da morte do bispo corrente) e pouco depois bispo principal. Ele permaneceu nessa posição em Hipona até sua morte em 430.
Ele deixou o seu mosteiro, mas continuou a levar uma vida monástica na residência episcopal. Ele deixou uma regra (latim, regulamentos) para seu mosteiro que o levou ser designado o "santo padroeiro do clero regular", isto é, sacerdotes que vivem por uma regra monástica.
Sua vida foi registrada pela primeira vez por seu amigo São Possídio, bispo de Calama, no seu Sancti Augustini vita. Descreveu-o como homem de poderoso intelecto e um enérgico orador, que em muitas oportunidades defendeu a fé católica contra todos seus inimigos.
Possídio também descreveu traços pessoais de Agostinho com detalhe, desenhando um retrato de um homem que comia com parcimónia, trabalhou incansavelmente, desprezando fofocas, rejeitando as tentações da carne, e que exerceu a prudência na gestão financeira conforme sua posição e autoridade de bispo.
Sua vida não é tranquila: missa diária, prega até duas vezes ao dia, dá catequese, administra bens temporais, resolve questões de justiça (cerca, muro, dívidas, brigas de família…), atende aos pobres e órfãos, etc.
Pouco antes da morte de Agostinho, a província da África Proconsular foi invadida pelos vândalos, uma tribo guerreira que estava aderindo ao arianismo. Pouco depois de Hipona ser cercada pelos bárbaros Agostinho adoeceu; Possídio relata que ele gastou seus últimos dias em oração e penitência, pedindo para que os salmos penitenciais de Davi fossem pendurados em sua parede para que ele pudesse ler. Pouco tempo após sua morte, os vândalos levantaram o cerco de Hipona, mas não muito tempo depois eles voltaram e queimaram a cidade. Eles destruíram tudo, mas a catedral de Agostinho e a biblioteca ficaram inalteradas.
Agostinho foi canonizado por reconhecimento popular e reconhecido como um Doutor da Igreja. Na Igreja Católica, o seu dia é 28 de agosto, o dia no qual ele supostamente morreu. Ele é considerado o santo padroeiro dos impressores, teólogos e de um grande número de cidades e dioceses. Para os protestantes ou evangélicos, Agostinho é referencial na história eclesiástica, pois foi um valoroso líder da Igreja primitiva e deixou suas marcas como verdadeiro discípulo de Cristo.

Obras

Agostinho foi um autor prolífico em muitos géneros — tratados filosóficos, teológicos, comentários de escritos da Bíblia, além de sermões e cartas.
Dele restaram algumas centenas de cartas (Epistulae) e de sermões (Sermones) considerados autênticos. Além disso, deixou 113 obras escritas.
Agostinho é chamado de o Doutor da Graça, por sua compreensão sobre o tema.

Textos autobiográficos:

As suas Confissões (Confesiones), escritas entre os anos 397-398, são geralmente consideradas como a primeira autobiografia. Agostinho descreve sua vida desde sua concepção até à sua então relação com Deus, e termina com um longo discurso sobre o livro do Génesis, no qual ele demonstra como interpretar a Bíblia. A consciência psicológica e auto-revelação da obra ainda impressionam leitores.
Mesmo sendo uma autobiografia, as Confissões não deixam de ter a marca filosófica de Agostinho. No Livro X, Agostinho escreve sobre a memória e suas atribuições. Já no Livro XI, Agostinho fala sobre a Criação, sobre o Tempo e da noção psicológica que se tem deste.
No fim da sua vida, Agostinho revisitou os seus trabalhos anteriores por ordem cronológica e sugeriu que teria falado de forma diferente numa obra intitulada Retratações, que nos daria uma imagem considerável do desenvolvimento de um escritor e os seus pensamentos finais.

Filosóficos:

Diálogos: Solilóquios (Soliloquiorum libri duo), Sobre o Mestre (De Magistro, trata da educação neste diálogo), Sobre o livre arbítrio (De Libero Arbitrio, trata sobre o mal e sobre as escolhas)
Contra os acadêmicos (Contra academicos, em que combate o cepticismo).
O Livro das disciplinas (Disciplinarum libri é uma vasta enciclopédia com o fim de mostrar como se pode e se deve ascender a Deus a partir das coisas materiais. Não está acabada).
Apologéticos: Da verdadeira religião (De vera religione), etc.
A Cidade de Deus (iniciada c. de 413, terminada em 426, uma de suas obras capitais, nela nos oferece uma síntese de seu pensamento filosófico, teológico e político). O De civitate Dei libri XXII.

Dogmáticos:

Entre 399-422, escreveu A Trindade, uma das principais obras que apoia a crença na Santíssima Trindade de Deus. O De Trinitate libri XV.
Sobre a imortalidade da alma (De inmortalitate animae)
Sobre a potencialidade da alma (De quantitate animae)
Enquirídio (Enchiridion, ad Laurentium ou De fide, spe et caritate liber I, é um manual de teologia segundo o esquema das três virtudes teológicas. Contém uma explicação do Credo, da oração do Padre Nosso e dos preceitos morais da Igreja Católica).
Da fé e do credo livro I (De fide et símbolo liber I), etc.

Morais e pastorais:

Contra mendacium, Da catequese dos não instruídos livro I (De catechizandis rudibus liber I), Da continência livro I (De continentia liber I), Da paciência livro I (De patientia liber I), etc.

Monásticos:

Regula ad servos — a mais antiga das regras monásticas do Ocidente.

Exegéticos:

A Bíblia teve um papel decisivo para Agostinho. Pode-se destacar:
Da doutrina cristã livro IV (De doctrina christiana libri IV (é uma síntese dogmática que servirá de modelo para as Sententiae os pensadores da Idade Média), De Genesi ad litteram libri XII, Da harmonia dos evangelhistas livro IV (De consensu Evangelistarum libri IV (foram escritos em resposta aos que acusavam os evangelistas de contradizer-se e de haver atribuído falsamente a Cristo a divinidade), etc.

Tratados:

Tratados sobre o evangelho de João (In Iohannis evangelium tractatus), As enarrações, ou exposições, dos Salmos (Enarrationes in Psalmos), etc.
Polémicos:
Muitas de suas obras tem caráter polêmico por causa dos conflitos que ele enfrentou. Isso levou São Posídio a classificá-las conforme os adversários combatidos: pagãos, astrológos, judeus, maniqueus, priscilianistas, donatistas, pelagianos, arianos e apolinaristas.
De natura boni liber I, Psalmus contra partem Donati, De peccatorum meritis et remissione et de baptismo parvolorum ad Marcellium libri III (de 412, primeira teología bíblica da redencão, do pecado original e da necessidade do batismo), De gratia et libero arbitrio liber I (de 426, em que demonstra a necessidade da graça, da existência do livre arbitrío), De haeresibus, etc.

Pensamento

O problema do mal

Em seu livro Sobre o livre arbítrio (em latim: De libero arbitrio) Agostinho responde de ao problema filosofico do mal de forma filosófica, demonstrando também filosoficamente que Deus não é o criador do mal. Pois, para ele, tornava-se inconcebível o fato de que um ser benevolente, pudesse ter criado o mal.
A concepção que Agostinho tem do mal, tem como base teoria platônica e a desenvolve. Assim o mal não é um ser, mas sim a ausência de um outro ser, o bem. O mal é aquilo que "sobraria" quando não existe mais a presença do bem. Deus seria a completa personificação deste bem, portanto o mal não seria oriundo da criação divina, mas seu antagonista por excelência, na condição de fruto do seu afastamento. No diálogo com seu amigo Evódio, Agostinho explica-lhe que a origem do mal está no livre-arbítrio concedido por Deus. Deus em sua perfeição, quis criar um ser que pudesse ser autônomo e assim escolher o bem de forma voluntária, um ser consciente. O homem, então, é o único ser que possuiria as faculdades da vontade, da liberdade e do conhecimento. Por esta forma ele é capaz de entender os sentidos existentes em si mesmo e na natureza. Ele é um ser capacitado a escolher entre algo bom (proveniente de Deus em uma criação perfeita) e algo mau (a prevalência da vontades humanas imperfeitas e que afetam negativamente a criação da perfeição idealizada por Deus).
Entretanto, por ter em si mesmo a carga do pecado original de Adão e Eva, estaria constantemente tendenciado a escolher praticar uma ação que satisfizesse suas paixões (a ausência de Deus em sua vida). Deus, portanto, não é o autor do mal, mas é autor do livre-arbítrio, que concede aos homens a liberdade de exercer o mal, ou melhor, de não praticar o bem. Esse argumento também implica que o ser humano tem direito de escolha sobre sua própria vida, não é apenas um ser programado. E se, segundo Agostinho, o bem é apreciado por Deus e a prática perfeita, todas as ações por ele inspiradas se tornam virtuosas e louváveis. Sendo que em um universo de seres não conscientes e que não têm livre-arbítrio, as práticas do bem e do mal seriam programadas e não poderiam ser classificadas como boas ou ruins.

Tempo e Criação

No Livro XI das Confissões (em latim: Confessiones) Agostinho põe-se a cargo de versar acerca da criação do mundo por meio do Verbo, que podemos entender como "palavra criadora". Com efeito, o filósofo compreende que o mundo só poderia ter duas origens 1) do nada (em latim: ex-nihilo) e 2) a partir de parte da sua substância. No entanto, a última suposição é falsa pois teria de se admitir um Deus mutável, algo não condizente com o pensamento do Doutor Africano.
A fim de responder a asserção: "Do que faria Deus antes de criar o mundo?" o filósofo tece sua crítica aos maniqueus e expõe seu pensamento a respeito do tempo e da criação. A evidente resposta de Agostinho à tal pergunta é a de que Deus não estaria a fazer nada, pois não havia tempo antes deste ter sido criado por Deus, ficando expresso que o tempo nada mais é do que uma criatura assim como o mundo e todas as coisas. Para o pensador, o tempo e o universo foram criado em conjunto, e Deus estaria fora deste contexto pois ele é eterno e a eternidade não entra no tempo.
Para o filósofo medieval, o tempo não tem existência per se e só pode ser apreendido por nossa alma por meio de uma atividade chamada de "distensão da alma" (em latim: distentio animi). A distensão da alma, grosso modo, nada mais é do que a compreensão dos três tempos; pretérito, presente e futuro na alma, de modo que seja possível lembrar do passado, viver o presente e prever o futuro. Agostinho afirma que a alma é quem pode medir o tempo e essa "medição" atesta a existência do tempo apenas em caráter psicológico.

Influência como pensador e teólogo

Na história do pensamento ocidental, sendo muito influenciado pelo platonismo e neoplatonismo, particularmente por Plotino, Agostinho foi importante para o "baptismo" do pensamento grego e a sua entrada na tradição cristã e, posteriormente, na tradição intelectual europeia. Também importantes foram os seus adiantados e influentes escritos sobre a vontade humana, um tópico central na ética, que se tornaram um foco para filósofos posteriores, como Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche, mas ainda encontrando eco na obra de Albert Camus e Hannah Arendt (ambos os filósofos escreveram teses sobre Agostinho).
É largamente devido à influência de Agostinho que o cristianismo ocidental concorda com a doutrina do pecado original. Os teólogos católicos geralmente concordam com a crença de Agostinho de que Deus existe fora do tempo e no "presente eterno"; o tempo só existe dentro do universo criado.
O pensamento de Agostinho foi também basilar na orientação da visão do homem medieval sobre a relação entre a fé cristã e o estudo da natureza. Ele reconhecia a importância do conhecimento, mas entendia que a fé em Cristo vinha restaurar a condição decaída da razão humana, sendo portanto mais importante. Agostinho afirmava que a interpretação da Bíblia deveria ser feita de acordo com os conhecimentos disponíveis, em cada época, sobre o mundo natural. Escritos como sua interpretação do livro bíblico do Gênesis, como o que chamaríamos hoje de um "texto alegórico", iriam influenciar fortemente a Igreja medieval, que teria uma visão mais interpretativa e menos literal dos textos sagrados.
Tomás de Aquino tomou muito de Agostinho para criar sua própria síntese do pensamento filosófico grego e do cristão. Dois teólogos posteriores que admitiram influência especial de Agostinho foramJoão Calvino e Cornelius Otto Jansenius.

Notas e referências

↑ Wells, J.. Longman Pronunciation Dictionary. 2 ed. Nova York: Longman, 2000. ISBN 0582364671
↑ The American Heritage College Dictionary. Boston: Houghton Mifflin Company, 1997. 91 p. ISBN 0395669170
↑ Cross, Frank L.; Livingstone, Elizabeth. The Oxford Dictionary of the Christian Church. Oxford Oxfordshire: Oxford University Press, 2005. Capítulo: Platonism, ISBN 0192802909
↑ Augustine the Theologian. Londres: [s.n.], 1970. 347-349 p. ISBN 0223-97728-4 (edição de março de 2002, ISBN 1-57910-918-7).
↑ Durant, Will. Caesar and Christ: a History of Roman Civilization and of Christianity from Their Beginnings to A.D. 325. Nova York: MJF Books, 1992. ISBN 1567310141
↑ Wilken, Robert L.. The Spirit of Early Christian Thought. New Haven: Yale University Press, 2003. 291 p. ISBN 0300105983
↑ Archimandrite [now Archbishop] Chrysostomos. . "Book Review: The Place of Blessed Augustine in the Orthodox Church". Orthodox Tradition II: 40-43. Página visitada em 28 de junho de 2007.
↑ "'Abençoado', aqui, não significa que ele é menos que um santo, porém é um título concedido a ele como sinal de respeito.""Blessed Augustine of Hippo: His Place in the Orthodox Church: A Corrective Compilation". Orthodox TraditionXIV: 33-35. Página visitada em 28-6-2007.
↑ Mônica é diminutivo de Monna, nome de uma divindade do Norte da África, cujo culto é referido em uma inscrição de Thignica (Ain Tounga, no vale do rio Medjerda). V. Nacéra Benseddik "À la recherche de Thagaste, patrie de Sant Augustin". In FUX, Pierre-Yves (org), Augustinus Afer: Saint Augustin, africanité et universalité. Éditions universitaires Fribourg Suisse, 2003, p.418
↑ a b c d e f g h i j k AGOSTINHO DE HIPONA. Confissões. Trad. J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina; “Vida e obra” por José Américo Motta Pessanha. São Paulo: Nova Cultural, 1999. 416 p. (Coleção Os Pensadores). Original em latim.ISBN 85-13-00848-6.
↑ No Livro VI das Confissões, Agostinho escreve que a razão da separação teria sido a perspectiva de um casamento arranjado. "Sendo arrancada do meu lado, como impedimento para o matrimônio, aquela com quem partilhava o leito, o meu coração, onde ela estava presa, rasgou-se, feriu-se, escorria sangue. Retirara-se ela para a África, fazendo votos de jamais conviver com outro homem e deixando-me o filho natural que dela tivera." Confissões VI, parte III, 15. "Cativo do prazer". Santo Agostinho. 2ª ed. São Paulo: Abril Cultural, 1980. Assim, diante da insistência da mãe para que ele se casasse, Agostinho teria afinal repudiado sua mulher, fazendo-a voltar para a África, mantendo o filho Adeodato com ele. O nome da mãe de Adeodato não é mencionado em nenhum texto.
↑ a b Besen, José Artulino. Agostinho e os Pais do Ocidente. Página visitada em 21 de maio de 2009.
↑ Lucena, Elisa. O problema do mal em Agostinho. Página visitada em 9 de maio de 2009.
↑ Moraes Neto, Felipe José de; Simões, Adelson Cheibel. O livre-arbítrio e a relação com o Criador, no Livro III, da obra O Livre-Arbítrio de Santo Agostinho. Página visitada em 9 de maio de 2009.
↑ Confissões XI; X, XII
Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em espanhol, cujo título é «Agustín de Hipona», especificamente desta versão.

Bibliografia

AGOSTINHO. A Cidade de Deus Volume II. Trad. de J. Dias Pereira. Lisboa: Fundação Calouste Goulbekian, 2000.
______. A Trindade. Trad. de Frei Agustinho Belmonte, O.A.R. São Paulo: Paulus, 1994.
______. Confissões. Trad. J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina; “Vida e obra” por José Américo Motta Pessanha. São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Coleção Os pensadores).
______. La inmortalidad del alma. Lope Cilleruelo. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 1988. (Obras completas de San Agustin XXXIX).
______. Sobre a potencialidade da alma (De quantitate animae). Trad. de Aloysio Jansen de Faria. Petrópolis: Vozes, 2005.
DILMAN, Ilham. Free will: an historical and philosophical introduction. Florence, KY, USA: Routledge, 1999.
GILSON, Etienne. Introdução ao estudo de Santo Agostinho. Trad. de Cristiane Negreiros Abbud Ayoub. São Paulo: Paulus, 2006.
OS PENSADORES, “São Tomás de Aquino” São Paulo: Abril Cultural 1980.
OS PENSADORES, “Santo Agostinho” São Paulo: Abril Cultural 1980.
PESANHA, José de Américo Motta. “Santo Agostinho (354-430) Vida e Obra” p. VI – XXIV in “Os Pensadores, Santo Agostinho” São Paulo: Abril Cultural 1980.
ROSA, Maria da Glória de. “A História da Educação através dos textos”. São Paulo: CULTRIX, 2002


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Pretos Velhos




Apesar de toda a história de dor, injustiça e sofrimento enfrentado pelos negros no Brasil, após passarem pela sofrida expiação, desencarnaram e alcançaram a evolução.
Foram acolhidos por Zambi e Oxalá na Aruanda e hoje em dia baixam em nossos terreiros, trazendo a paz, a sabedoria e, principalmente, ensinando-nos a importância do amor ao próximo, da humildade e da caridade.
Devemos aos pretos velhos todos os conhecimentos dos Orixás, pois o culto à Eles nasceu no continente africano.
As sessões de pretos velhos são marcadas pela calmaria que invade o terreiro. Uma sensação de paz e amor toma conta do ambiente, fazendo com que os filhos de fé sintam essa energia de luz e de sabedoria que se manifesta.
Os atabaques são tocados de maneira mais leve, mais suave. Assim como com qualquer outra entidade, todo o respeito é prestado para com nossos vovôs e vovós. Geralmente, tais entidades chegam arcadas, demonstrando o peso da idade e o sofrimento que tiveram. Os pretos velhos quando manifestados, gostam de sentar em seu “toco” (um banquinho), fumar seu “pito” (cachimbo ou palheiro) e auxiliar aqueles que precisam. Com sábios ensinamentos, sabem tocar na ferida moral de cada filho de fé, ensinando a maneira correta de se viver, qual seja: Com amor ao próximo, com amor em Deus e com a prática constante da caridade.
Os pretos velhos não gostam de luxo. Preferem que seus médiuns estejam com a boa e velha roupa branca, miçanga e muita disposição para ajudar quem precisa. Atuam também no campo da cura, aliviando, com receitas simples e humildes, as dores dos enfermos que batem em nossas portas.
Nossos vovôs e vovós também são “mandigueiros”. Desmancham qualquer magia feita, tiram de cima do obsidiado todas as cargas negativas e “maus olhados”, além de abrirem os caminhos e dar muita proteção no dia-a-dia.
Geralmente, utilizam em seus benzimentos e trabalhos a arruda, o guiné, o rosário, o crucifixo, água com mel, vinho, cachaça, velas, fumo, etc.
São entidades ligadas a Linha das Santas Almas e a vibração de Omulú, apesar de existirem pretos e pretas velhas de outros Orixás, como por exemplo,  a linha de Quenguelê de onde vêm pretos velhos de Xangô. Sua linha também é conhecida como “Yorimá”.
Os pretos velhos representam a resignação, a humildade, a superação, o amor incondicional, a caridade desinteressada. Atendem a todos, independentemente da cor, classe social e religião e repudiam qualquer forma de promoção e cobrança.
Nossos vovôs e vovós também podem ser o guia chefe de um terreiro e comandar as sessões de desenvolvimento, apesar de tal encargo ser mais comum aos caboclos.
Os pretos velhos também são organizados em falages, nas quais, inúmeros espíritos se agrupam sob o mesmo nome.  As mais conhecidas são: Pai Joaquim; Pai Francisco; Pai Maneco; Pai João; Pai José; Pai Mané; Pai Antônio; Pai Roberto; Pai Cipriano; Pai Tomaz; Pai Jobim; Pai Roberto; Pai Guiné; Pai Jacó; Pai Benedito; Rei Congo, Pai Anacleto, Vó Cambinda; Vó Cecília; Vó Maria Conga; Vó Catarina; Vó Ana; Vó Quitéria; Vó Benedita; Vó Cambinda; Vó Rita; Vó Rosa; Tia Catarina, Tia Luiza, Mãe Justina, etc.
Esses nomes são adicionados, geralmente, ao nome do local de onde viveram ou de onde vieram. Por exemplo: Pai João de Angola; Pai José de Aruanda; Mãe Maria de Minas; Pai João do Congo, Pai Cipriano das Almas e assim por diante.
Suas cores são o preto e branco e também o amarelo.
Sua saudação é “Adorei as almas!”.

terça-feira, 23 de abril de 2013

São Jorge




De acordo com a lenda de São Jorge, Jorge teria nascido na antiga Capadócia, que é uma região do centro da Anatólia que, atualmente, faz parte da Turquia. Quando criança, se mudou para a Palestina com sua mãe após seu pai morrer em batalha. Sua mãe, ela própria originária da Palestina, Lida, possuía muitos bens e o educou com esmero. Ao atingir a adolescência, Jorge entrou para a carreira das armas, por ser a que mais satisfazia à sua natural índole combativa. Logo foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidade — qualidades que levaram o imperador a lhe conferir o título de conde da Capadócia. Aos 23 anos passou a residir na corte imperial em Nicomédia, exercendo a função de Tribuno Militar.
Nesse tempo sua mãe faleceu e ele, tomando grande parte nas riquezas que lhe ficaram, foi-se para a corte do Imperador. Jorge, ao ver que urdia tanta crueldade contra os cristãos, parecendo-lhe ser aquele tempo conveniente para alcançar a verdadeira salvação, distribuiu com diligência toda a riqueza que tinha aos pobres.
O imperador Diocleciano tinha planos de matar todos os cristãos e no dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os romanos deviam se converter ao cristianismo.
Todos ficaram atônitos ao ouvirem estas palavras de um membro da suprema corte romana, defendendo com grande ousadia a fé em Jesus Cristo. Indagado por um cônsul sobre a origem dessa ousadia, Jorge prontamente respondeu-lhe que era por causa da Verdade. O tal cônsul, não satisfeito, quis saber: “O que é a Verdade?”. Jorge respondeu-lhe: “A Verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e Nele confiando me pus no meio de vós para dar testemunho da Verdade.”
Como Jorge mantinha-se fiel ao cristianismo, o imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar os ídolos. Todavia, Jorge reafirmava sua fé, tendo seu martírio aos poucos ganhado notoriedade e muitos romanos tomado as dores daquele jovem soldado, inclusive a mulher do imperador, que se converteu ao cristianismo. Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito, mandou degolá-lo no dia 23 de abril de 303, em Nicomédia (Ásia Menor).
Os restos mortais de São Jorge foram transportados para Lida (Antiga Dióspolis), cidade em que crescera com sua mãe. Lá ele foi sepultado, e mais tarde o imperador cristão Constantino mandou erguer suntuoso oratório aberto aos fiéis, para que a devoção ao santo fosse espalhada por todo o Oriente.
Pelo século V, já havia cinco igrejas em Constantinopla dedicadas somente a São Jorge. Apenas no Egito, nos primeiros séculos após sua morte, construíram-se mais quatro igrejas e quarenta conventos dedicados ao mártir. Na Armênia, em Bizâncio, no Estreito de Bósforo na Grécia, São Jorge era inscrito entre os maiores santos da Igreja Católica.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

.'. ESPIRITUALIDADE – UMA EXPANSÃO CÓSMICA .'.




Espiritualidade, no vocabulário, consiste num estado elevado de mente e comportamento, atribuído ao impulso que vem de um Ser Divino, Superior. Então, a pessoa espiritual é aquela que se supõe ser motivada por aquilo que considera ser um poder superior, sobrenatural, transcendente. Acredita-se que esse guia interior do pensamento e ação transcenda todo o intelecto e propósito humano. A pessoa espiritualizada, conscientemente, procura subordinar seus interesses mundanos e objetivos às suas inclinações subjetivas de conduta correta e de consciência. Esta inclinação é atribuída ao elemento espiritual do Ser Humano, ao elo entre o Ser mortal e o que considera Superior, Transcendente.

É evidente que existem dois aspectos de espiritualidade, no que diz respeito à sua influência sobre o individuo.

Primeiro há o conceito de que estamos imbuídos de uma essência ou substância, possuindo uma qualidade divina. Esta, como espírito ou alma, possui uma ordem mais elevada de julgamento ou direção. Sua qualidade é perfeição; e supõe-se que, da obediência à mesma, só pode resultar um estado de santidade, uma extrema e elevada felicidade.

A expressão dessa substância espiritual é sentida como sendo os ditames de um Ser interior, um estado moral. Através da autoconsciência, ele avisa quando os atos ou pensamentos de alguém estão em conflito com o mesmo. Naturalmente, a palavra consciência define eficazmente a função daquilo que se considera o Ser espiritual. Conseqüentemente, alguém cuja vida estivesse em consonância com o Ser elevado estaria vivendo de maneira espiritual, sob um dos aspectos do vocábulo.

Todavia, a espiritualidade não é inteiramente subjetiva. As orientações ou impulsos da consciência devem ser expressos em termos objetivos, em linguagem compreensível ao indivíduo. Além disso, devem estar relacionados com o mundo das coisas e dos acontecimentos, seja no agir ou não-agir. Em outras palavras, a regra espiritual deve ser traduzida, objetivamente, em conduta e pensamento que a represente.

Em conseqüência, o segundo aspecto da espiritualidade consiste de um código moral. Tal código prescreve crenças especiais, traduzidas numa determinada conduta, que deve ser observada. Origina-se o código de uma tradição sagrada, como é o decálogo, ou a Lei mosaica, ou dos trabalhos sacros tais como a Bíblia ou o Alcorão e outros livros sagrados das diversas religiões existentes. Impulsos no sentido da retidão necessitam de expressão em tal código. Do contrário, não tem valor. Mas, se cada indivíduo estabelecesse a sua própria estrutura moral, isto é, externasse aquilo que considera vida espiritual, é claro que não haveria, para a sociedade, nenhuma uniformidade de conduta moral. Conforme dizia Hegel, o filósofo alemão, ser moralista é viver em consonância com as tradições éticas do seu país.

Entretanto, alguém que observasse algum código moral ou espiritual de maneira objetiva, tais como determinadas regras e regulamentos, poderia não ser verdadeiramente espiritualizado. Poderia não haver correlação alguma entre a obediência às regras objetivas e as inclinações subjetivas. Por exemplo, uma pessoa poderia participar de um sistema espiritual, de um método religioso, por razões que não decorrem da consciência ou Ser moral. Consciência pública e consciência particular talvez não coincidam. Por força da lei e receio da sanção legal, alguém poderia estar de acordo com a consciência pública, contudo, pessoalmente, poderia ser espiritualmente débil. O impulso interior do individuo, no sentido de uma idéia moral transcendente, pode ser carente de alguma coisa. Não havendo restrições para a vontade, não havendo receio de punição, o comportamento do individuo poderia se tornar muito diverso dos padrões éticos de ordem geral.

As religiões são sistemas de crenças e comportamentos pelos quais o indivíduo aspira viver uma experiência que, segundo a sua concepção, o coloca em sintonia com sua noção de força sobrenatural ou Ser Divino. Ele poderá desejar essa harmonização a fim de preservar certos valores de vida, como longevidade e sucesso, ou para se assegurar a respeito de sua imortalidade. Todavia alguém poderá não ter uma conduta religiosa ou prestar homenagem a qualquer igreja,seita ou credo da sociedade de que faz parte. Poderá não reconhecer as tradições da religião. Não obstante, motivada pelo impulso espiritual de querer se unir a um poder transcendente, ser capaz de analisar os valores morais da sua coletividade. Pode, então, vir a compreender que certa conduta é necessária para preservação da sensação de bem-estar que ela deseja, não apenas em relação ao ser físico, mas, também, para proporcionar a paz e harmonia interior pelas quais se esforça. Conseqüentemente, a sua conduta, em suas relações humanas, irá realmente se pautar por aquilo que consideramos os valores morais justificados. Manifestará, pois, todas as virtudes do religioso formal, muito embora sem aquela afiliação ou método de adoração deste último.

Tais pessoas são, em princípio, são tão espiritualizadas quanto aqueles bem caracterizados frequentadores de igrejas ou partidários de credos tradicionais. Psicologicamente, significa que, por maneira objetiva, em forma intelectual (doutrina) ou em expressão (ritos e cerimônia), não encontram, nas religiões estabelecidas aquilo que estaria em harmonia com os seus respectivos espíritos religiosos. 

A ciência tem propiciado fatos novos e diferentes em substituição a muito daquilo que antigamente se aceitava exclusivamente à base de fé. Novas interpretações nos campos da psicologia, medicina, física quântica e outras tantas especialidades têm trazido a luz do ser humano esclarecido, explicações sobre fenômenos antes sem uma explicação lógica e, portanto, atribuídos ao sobrenatural, mágico ou religioso. Novos canais de expressão da consciência devem surgir. A mistura entre ciência, filosofia e religião, acabará por fundir-se em organizações de visão holística abrangente e formadora de um ser humano com suas potencialidades interiores mais ativas e despertas. Estas organizações adiantadas estão despertando o interesse dos indivíduos esclarecidos que, então, passarão a integrar suas causas.

A Ordem Rosacruz, AMORC é uma organização internacional de caráter místico-filosófico, que tem por missão despertar o potencial interior do ser humano, auxiliando-o em seu desenvolvimento, em espírito de fraternidade, respeitando a liberdade individual, dentro da Tradição e da Cultura Rosacruz. 


Fonte: Ordem Rosacruz - AMORC
Maiores informações: www.amorc.org.br

terça-feira, 2 de abril de 2013

O Poder das Letras do Alfabeto Hebraico




As palavras do alfabeto hebraico são lidas da direita para a esquerda, e as letras também são números. Assim, o Alef, a primeira letra, corresponde também ao número 1. Isso, por si só, implica numa linguagem universal de significado matemático, que serve a todos.
Os cabalistas da Idade Média e do começo da Renascença entenderam a a energia das letras e acreditaram que deviam divulgá-las para toda a humanidade, pois não eram propriedade de um povo apenas. De fato, não devemos encarar essas letras como os outros alfabetos, pois existe uma diferença enorme. Elas falam diretamente à nossa alma... a forma evoca forças poderosas, que existem no interior de todos nós. O DNA da Criação.

Os olhos são as janelas da alma...
Em cada ser humano, quatro letras comuns (A, C, G, T) representam as bases químicas que compõem nosso código genético, e formam os “degraus” das moléculas espiraladas em forma de escada que conhecemos como DNA. As seqüências dessas letras combinam-se para criar o conjunto de instruções que constrói o ser humano, em todos os seus aspectos. Isso é o que ensina a genética, uma ciência relativamente recente.

Os cabalistas nos ensinam que cada uma das 22 letras hebraicas representa uma força de energia particular, semelhante ao DNA. De acordo com a Cabalá, assim como cada ser humano é constituído do alfabeto genético de quatro letras, encontrado em nosso DNA, o Universo também é construído por um alfabeto de 22 letras, encontrados nas letras hebraicas. Não apenas os seres humanos, mas toda a matéria física é formada por esse DNA espiritual. 

“As letras do Alef-Beit (alfabeto hebraico) são os tijolos e a argassa de nosso Universo, e dos indivíduos, com suas habilidades pessoais.”
Da mesma forma que um prisma divide a luz solar em sete cores básicas, cada uma bem diferente da luz branca que a originou, e ao mesmo tempo fazendo parte dela, as letras aramaicas são como 22 “cores” diferentes, através das quais podemos perceber a divindade em nosso mundo material. Formam os tijolos da criação, através dos quais tudo foi formado.

Assim, o Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) escrito por Moisés, não é uma coleção de histórias, nem um documento da história humana, mas um projeto genético que esquematiza as forças espirituais da vida. Usando a Cabalá como chave, podemos penetrar no nível genético do Pentateuco (Torá).
Quando o Eterno as combinou em palavras, frases e ordens, elas produziram a Criação, traduzindo a vontade do Criador em realidade.” “Cada rearranjo da ordem das mesmas letras resulta numa mistura diferente das forças cósmicas espirituais representadas por elas, assim como cada rearranjo dos átomos conhecidos, tais como hidrogênio e oxigênio, pode produzir água potável ou água oxigenada. Existe um número infinito de combinações possíveis, tanto nos átomos quanto nas letras.”

“A combinação das letras, conforme formuladas pelos mestres espirituais que compuseram as orações, possui o poder de elevar forças espirituais além de nossa imaginação.”
Isso tudo foi uma introdução para apresentar a idéia de “escanear” as letras hebraicas, uma das ferramentas mais importantes da Cabalá. A palavra escanear aqui é usada com seu significado habitual, da informática: deixamos que nossos olhos “varram” as letras, da direita para a esquerda, linha após linha, como um scanner ou “leitor óptico”, desses usado em supermercados.

E assim como um scanner, não precisamos entender o que lemos para obter os benefícios. É uma energia suprarracional.
Os olhos são as janelas da alma...
Através deles, a energia das letras passa ao nosso interior, diretamente para a alma, sem que seja necessário o entendimento das palavras. A velocidade não importa, nesse caso, pode ser bem rápido, com ou sem o dedo indicador para guiar.

Quando passamos os olhos pelo texto da Torá, ou de alguma bênção, ou dos 72 Nomes, obtemos o efeito espiritual sem necessidade de raciocínio ou entendimento, (não é necessário saber hebraico).