quinta-feira, 29 de março de 2018

QUINTA-FEIRA SANTA: DIA DE JÚPITER



A saída de Judas revela que seu gênio bom, seu verdadeiro Eu, o abandonou; Judas realmente encontra, lá fora, o Anjo da Morte. Espíritos arimânicos o transformam em seu instrumento. A saída do Cristo é imagem do livre derramamento da alma que, desde a origem, foi portadora, no cosmos, da idéia de sacrifício.


Quinta-feira Santa – Dia de Júpiter



Duas vezes por ano uma quinta-feira se destaca com uma luz singularmente festiva no decurso do ano: o dia que precede a sexta-feira santa e o dia da Ascensão. Embora pertencente à semana mais séria do ano, a quinta-feira santa se relaciona misteriosamente com a outra quinta-feira, seis semanas mais tarde, quando toda a natureza primaveril já se desenvolveu em luz e perfume emitidos pelas flores. Não seria a quinta-feira santa ocultamente uma segunda véspera de Natal? Sua luz misteriosa é a do crepúsculo que precede as trevas da sexta-feira santa, mas é também, mais ainda, a aurora da Páscoa.




Após ultrapassarmos o meio da semana santa, após os três primeiros dias repletos com a ruidosa e dramática luta com o ambiente, incompatível com o Cristo, desce o silêncio. Na noite da quinta-feira santa penetramos na esfera do silêncio sagrado. De repente, o barulho cede ao silêncio. De dia, os ruídos do povo em movimento nas ruas, milhares de peregrinos a comprar e a discutir atingiram seu auge.




Depois, pouco antes do ocaso do sol, esfera purpúrea, e enquanto nascia do outro lado, a enorme lua cheia prateada, as trombetas do templo deram o sinal para o início dos preparativos. Inicia-se a noite do Passah durante a qual os fiéis da Velha Liga se preparam para o sábado de Passah que se iniciará na noite seguinte. Cessa o barulho retumbante. Nas casas logo se reúnem os parentes ao redor das mesas a fim de comerem o cordeiro pascal. As ruas ficam subitamente vazias. Desce um silêncio oprimente. É a magia da noite de Passah, na qual circula, como outrora no Egito, o Anjo Exterminador.




Jesus com seus discípulos também se retira para a sala onde terão a ceia do Passah. Os destinos querem que o silêncio desta sala seja múltiplo, já que ela se encontra em uma casa que não é uma habitação privada, mas serve de convento a um círculo sagrado dos esseus. A ordem dos esseus tem ai sua sede em local sagrado e antiqüíssimo, no Monte Sion, onde há milênios, antes da história da Velha Liga ler o seu centro neste lugar, já existia um antiqüíssimo santuário da humanidade. Em local muito antigo e sagrado encontra-se o cenáculo que os irmãos esseus deixam à disposição de Jesus e seus discípulos para a véspera do Passah.




Diretamente em frente também em uma localização tradicional e antiqüíssima, encontra-se a casa de Kaifas, casa-matriz da ordem dos saduceus. Lá também se reúne um grupo para comemorar o Passah. São os inimigos cheios de ódio, quase incapazes de pensar na festa vindoura, pois estão sendo movidos por um plano de ódio e inimizade. Forçosamente, a luta está suspensa.




É preciso aguardar até depois da hora sagrada. E os num inimigos, eles próprios ordenam: “Procurem agarrá-lo, mas não antes da festa. Na sala onde estão reunidos Jesus e seus discípulos, cumpre-se o 23° salmo: “Preparas diante de mim uma mesa, à vista de meus inimigos”. Desceu o silêncio, é verdade, mas a fatalidade sombria da noite de Passah se incorpora nos espectros noturnos daqueles outros comensais, na casa vizinha.




O que há sobre a mesa ao redor da qual se instalaram Jesus e os discípulos? Este grupo também obedece à velha lei e cumpre a tradição. Foi preparado o cordeiro pascal. Jesus se prepara com os discípulos a comê-lo, recordando devotamente o sacrifício do cordeiro que, na época de Moisés, fora o sinal pelo qual o povo judeu foi libertado da escravidão.




Mas o cordeiro pascal na mesa deste Cenáculo adquire um sentido modificado. A mesa está sentado aquele do qual João Batista pôde dizer: “Eis o cordeiro de Deus, que assume (carrega) os pecados do mundo”. Em nenhum outro lugar àquela hora, nem antes, nem depois, o cordeiro pascal esteve tão próximo daquele que simboliza. Através de milênios a ceia do cordeiro pascal foi um costume profético. Agora, eis que a profecia se cumpre, logo o apóstolo Paulo poderá dizer: “Nós também temos um cordeiro pascal. É o Cristo que se sacrifica por nós”. (1º Cor. 5,7)! No Cenáculo encontram-se a profecia e seu cumprimento. A sala está cheia de pesado pressentimento. Pesam no ar a separação e a tragédia. O sacrifício do Cristo já lança antecipadamente sua sombra. O consciente dos discípulos passa por uma dura prova.




Através do cordeiro pascal sobre a mesa, esta cena inclui a reminiscência dos antigos sacrifícios sangrentos; atua a magia do sangue, que é o sentido de todos os sacrifícios sangrentos da época pré-cristã. O sentido dos antigos sacrifícios residia no seguinte fato: o fluxo do sangue fresco de animais sacrificais puros possuía a força de induzir as almas humanas – ainda não tão ligadas o corpo – em alienação extática, de modo que forças divinas do além podiam refletir-se nas condições humanas.




No Cenáculo do Monte Sion o velho sacrifício perde definitivamente o seu sentido. Agora, o mais alto ser divino veio, ele próprio, do além para a terra. O cordeiro perde seu significado próprio e passa a ser apenas a imagem, o reflexo do mistério do Cristo presente. O antigo sacrifício sangrento torna-se definitivamente supérfluo. A força que antigamente se tentava – cada vez com menor sucesso – atrair do além pelo sacrifício do sangue, está presente agora para se ligar inseparavelmente com o mundo terreno. O cordeiro pascal não pode mais ser um meio mágico, pois na própria existência terrena forma-se um núcleo de germinação e brotação de forças celestes. O cordeiro se transforma em puro símbolo do amor divino que se sacrifica.




Na mesa da Santa Ceia não vemos, entretanto, apenas o cordeiro pascal. Há também, incidentalmente, pão e vinho. E, após cumprirem a velha tradição da ceia do Passah, os discípulos se admiram ao verem o Cristo tomar em mãos os símbolos, presentes por acaso, do comer e beber e adicionar à ceia do Velho Testamento uma nova refeição. Algo de totalmente novo, inesperado, acontece quando ele oferece aos discípulos o pão e o vinho, dizendo: “Tomai, pois este é meu corpo e este é meu sangue”. Em realidade, estes símbolos não estão na mesa por acaso. Da penumbra de mistérios ocultos surge à luz aquilo que sempre já existira na humanidade. No exterior dos velhos templos havia sacrifícios sangrentos oferecidos em presença do povo; do mesmo modo, ao abrigo esotérico de certos santuários que cultivavam os mistérios solares, sempre houve pão e vinho como os verdadeiros símbolos do deus do sol. No mesmo local onde o grupo está agora reunido para a ceia, dois mil anos antes, nas grutas rochosas onde estavam agora sepultados os Reis e Davi, existira o santuário de Melquisedeque, o supremo iniciado solar. Melquisedeque levara pão e vinho para oferecê-los, no Vale do Kidron, a Abraão, que regressava vitorioso.




Mas pão e vinho jamais puderam representar, mesmo rios templos dos mistérios pré-históricos, a função que adquirem neste momento. Sempre foram apenas símbolos do deus do sol que os veneradores tinham que procurar em outras esferas. Agora, no entanto, são mais do que símbolos. No Cristo está presente o próprio alto espírito solar, e ele pode dizer, ao oferecer o pão: “Este é meu corpo” e, ao oferecer o cálice: “Este é meu sangue”. Sua alma, ao oferecer-se, penetra no pão e no vinho. Pão e vinho se iluminam na semi-escuridão. São envolvidos em um brilho dourado, em uma luminosa aura solar, ao se transformarem no corpo e no sangue do próprio espírito do sol. Todos os mistérios solares da pré-história foram apenas profecias. Neste momento estão sendo cumpridas. Na passagem dos sacrifícios sangrentos da pré-história para o sacrifício sem sangue do pão e do vinho ocorre, para toda a humanidade, a decisiva interiorização da idéia de sacrifício: todos os sacrifícios antigos eram materiais, agora esta fundado o sacrifício da alma. Inicia-se na prática do sacrifício um fluxo de verdadeira interiorização. São despedidos os sacrifícios lunares da pré-história e substituídos pelo sacrifício solar. O Cristianismo, verdadeira religião solar, encontra nesta noite sua aurora.




O Cristo não apenas liga a velha ceia à nova; antes e depois da ceia executa atos importantes, de modo que surge um todo de quatro partes. Pela primeira vez reluz a lei que, doravante, será sempre renovada e revelada nas quatro partes do sacramento cristão central. Antes de comer o cordeiro pascal, Jesus pratica o ato do amor simples, inesgotável e indescritível do lava-pés. Obedecendo e elevando um rito comum na ordem dos esseus, ele se abaixa e lava os pés de cada discípulo, inclusive de Judas. Surge uma imagem comovente daquilo que de fato está ocorrendo: o Cristo se dá aos seus, totalmente, com amor. A morte na cruz selará essa dedicação.




Tal como introduziu as duas ceias com o lava-pés, assim também as encerra. Acompanhando o costume praticado nesta hora em todas as casas, segundo o qual, terminada a refeição do Passah, os pais de família liam ou recitavam a Hagada, a tradicional história do povo sob forma de lendas, o Cristo também faz seguir-se à ceia um ensinamento. Ternos no evangelho de João a mais maravilhosa reprodução de suas palavras de despedida, que culminam com a oração.




São quatro as etapas atravessadas: lava-pés, cordeiro pascal, pão e vinho e discursos de despedida. Ao lavar Jesus os pés dos discípulos, estes parecem já experimentar a mais íntima comunhão das suas almas com a alma de Cristo. Mas, em realidade, o lava-pés nada mais é do que o último resumo simbólico de todos os ensinamentos que Cristo deu a seus discípulos. Por isso, ele lhes diz: “Dou-vos uma nova lei: amai-vos uns aos outros.” O lava-pés é, de certo modo, a ultima parábola aos discípulos parábola que já não foi falada, mas praticada. O amor é a meta final da doutrina que o Cristo lega aos discípulos.




Após a leitura do Evangelho, feita em total devoção de alma, comer o cordeiro pascal é a etapa do ofertório. Surge a imagem do sacrifício: Cristo – o cordeiro sacrifical que morrerá na cruz no dia seguinte pela humanidade.




Segue-se a terceira etapa: Cristo oferece aos discípulos pão e vinho. Pela primeira vez realiza-se então o mistério da transubstanciação, terceira parte do sacramento, após a leitura do Evangelho e o ofertório. O celeste transpenetra o terreno, o espiritual reluz na matéria. Como uma estrela fulgurante revela-se o sol da Transubstanciação que, mais tarde, atingirá seu pleno brilho.




Na quarta parte, nos discursos de despedida, parece que o Cristo dá aos discípulos apenas ensinamentos e instruções para seus caminhos. Em realidade, no entanto, ele se transmite a si mesmo da mais íntima maneira possível. Estas palavras, que captam o eco espiritual da Santa Ceia são, mais ainda do que pão e vinho, corpo e sangue do Cristo. Nelas, a alma do Cristo se oferece a mais intima comunhão e reunião com as almas dos discípulos. Mas os discípulos só ouvem estas palavras como em sonho. Só há um deles, João, próximo ao coração de Jesus, capaz de ouvir o que fala o coração de Cristo e, por isso mesmo, capaz de preservar para a humanidade, em seu evangelho, uma replica desse momento.




O grande sacramento, de quatro partes, dessa hora, está repleto do amor cósmico que se difunde, que jorra do coração do Cristo. A plenitude da palavra do Cristo forma o final, nos discursos de despedida, e este fato abre uma porta luminosa para o futuro da humanidade. O Cristo do qual parte o fluxo de amor cósmico fala, ao mesmo tempo, como alto espírito da Sabedoria. É como se Júpiter, deus da sabedoria, reaparecesse entre os homens sob uma forma nova.




O santo grupo de comensais é dissolvido de modo dramático. O costume do Passah e a rigorosa lei proibiam que se saísse à rua nesta noite. Quem o fizesse encontraria o Anjo Exterminador. As ruas ficavam vazias. Não obstante, em determinado momento, vemos alguém sair; nada o reteve após ter recebido sua parte da refeição da mão de Jesus. O evangelho de João adiciona: “era noite”. Em seu interior também reinava a noite; Satanás penetrou nele nesse instante. Judas vai à casa em frente, onde o círculo de Kaifás também cumpre o rito da ceia pascal, mas estão ansiosamente dispostos para as negociações que Judas pretende fazer com eles.




Judas falhou diante do mistério do sacramento. Já na véspera fora tomado pelo demônio da inquietação quando na casa em Bethânia espalhou-se o ambiente sacramental. No cenáculo deparou-se pela segunda vez com a substância do sacramento. Não tem em si a quietude que lhe permitiria aceitar a paz como bênção do sacramento. E, portanto, aquilo que poderia oferecer-lhe paz o precipita no mais alto grau da ausência da paz, na perda arimãnica do Eu, na alienação possessa.




Mais uma vez é rompida a proibição do Passah. Assustando os discípulos, Jesus se ergue e lhes faz sinal para segui-lo. Saem para a noite escura. A luz clara da lua se apagara quase totalmente. Houvera um eclipse. A lua no céu parecia uma esfera cor de sangue. As rajadas frias que acompanham a despedida do inverno começam a soprar quando Jesus chega com seus discípulos a Getsemane.




A dupla saída* é imagem de processos interiores. A saída de Judas revela que seu gênio bom, seu verdadeiro Eu, o abandonou; Judas realmente encontra, lá fora, o Anjo da Morte. Espíritos arimânicos o transformam em seu instrumento. A saída do Cristo é imagem do livre derramamento da alma que, desde a origem, foi portadora, no cosmos, da idéia de sacrifício (ofertório. Quando Judas sai, a escritura diz “era noite”. É noite também na alma de Judas. Quando sai o Cristo, podemos dizer “era dia”. Um fulgor dourado se mistura a noite tenebrosa. Um mistério solar envolve o Cristo quando ele desce com os discípulos pelo mesmo caminho pelo qual Melquisedeque dois mil anos antes levara pão e vinho. Um sol brilha em plena noite. Por isso pode acontecer mais tarde que o Cristo subjuga o Anjo Exterminador em Getsemane.




A luz solar que os homens viram brilhar no ser do Cristo no domingo de Ramos já penetrou em camadas muito mais profundas. Ninguém o percebe. Não obstante, o mundo recebe uma nova luz nesta noite santa, que mais é uma véspera da Páscoa do que véspera de sexta-feira da Paixão. No dia da Ascensão, outra quinta-feira, seis semanas mais tarde, o germe de luz cujo crescimento começa no cenáculo já terá adquirido ou onipresença terrena e força cósmica.


Emil Bock

sábado, 24 de março de 2018

História do Rosacrucianismo

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A Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis, AMORC, é uma organização internacional de caráter místico-filosófico, não sectária e sem fins lucrativos, que reúne fraternalmente homens, mulheres, jovens e crianças no mesmo ideal: o aperfeiçoamento intelectual, psíquico e espiritual. Tradicionalmente é considerada a mais antiga fraternidade do mundo, sendo o prolongamento da Fraternidade criada pelo Faraó Tutmés III em 1503 a. C. e que se destinava a estudar, experimentar e praticar os mais altos princípios da natureza, do homem e do universo, em contraste com as crenças supersticiosas que estavam difundidas entre o povo da época. A Escola de Faraó
Tutmés III se aperfeiçoou sob a gestão de seu neto, o Faraó Akhenaton (1353 a.C.) considerado o primeiro Grande Mestre tradicional da Ordem Rosacruz, por ter aperfeiçoado seu sistema de leis, princípios filosóficos e ritualísticos. É a partir da data geral do reinado deste Faraó que se conta o Ano Rosacruz. A Ordem Rosacruz está, portanto, no Ano 3369, sempre comemorado em Março.

É relevante destacar que Akhenaton é considerado pelos historiadores modernos como a “primeira personalidade da história”, por ter sido o primeiro ser humano a pregar a existência de um só Deus no Universo, em contraste ao politeísmo da época. É reconhecido, portanto, como o fundador do Monoteísmo. Este Faraó também revolucionou a cultura, a ciência e as artes do Egito durante seu reinado.

Desde Akhenaton a Ordem Rosacruz se desenvolveu, expandindo-se para a Ásia e e Europa. O nome “Rosacruz” só veio mais tarde, no século XVI. A Ordem sempre perpetuou sua herança, aperfeiçoando-a conforme as pesquisas realizadas, em todos os campos, pelos seus membros, dentre eles pessoas eminentes como Leonardo Da Vinci, Paracelso, Francis Bacon, Jacob Boehme, René Descartes, Baruch Spinoza, Gottfried von Leibniz, Isaac Newton, Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, Erik Satie etc.
Em 1915 a Organização foi reativada na América do Norte, a partir da França, adotando o nome de AMORC (Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis), que é uma abreviatura do nome antigo e em latim da organização: Antiquus Arcanus Ordo Rosae Rubeae et Aureae Crucis (Antiga e Arcana Ordem da Rosa Rubra e da Cruz Dourada).
O revitalizador da Ordem nos EUA foi o jornalista, publicitário, filósofo, cientista, artista plástico e humanitário Harvey Spencer Lewis. A partir de sua gestão, a Ordem se desenvolveu de forma unificada, atingindo sua dimensão atual. Atualmente, a AMORC se estende pelo mundo todo, com cerca de 200.000 rosacruzes ativos. Sendo uma Organização não-sectária, apolítica e sem fins lucrativos, humanitária e global, em seu quadro de estudantes encontram-se pessoas de praticamente todas as raças, culturas, religiões, linhas filosóficas, idades e de ambos os sexos, trabalhando de forma livre em prol de um mundo mais pacífico e melhor. Na Ordem encontram-se, inclusive, clérigos, como padres, rabinos, monges e pastores, e até mesmo agnósticos. A Ordem forma livres pensadores.
A Ordem Rosacruz também pode ser considerada a primeira Fraternidade a considerar a mulher em plena igualdade com os homens, pois desde seu surgimento o sexo feminino gozou de todos os privilégios, incluindo o de cargos, iguais aos do sexo masculino. Aliás, a primeira Grande Mestre da AMORC para o Brasil foi a Soror (Irmã) Maria A. Moura. Graças à sua dinâmica gestão, a Ordem desabrochou no Brasil.
A Ordem possui milhares de Organismo afiliados espalhados pelo orbe, geridos por 13 Grandes Lojas e sete Administrações regionais. Cada Grande Loja e Administração regional é controlada por um Grande Mestre, congregando estudantes de uma mesma língua e se responsabilizando pela difusão dos ensinamentos rosacruzes em determinada parte do globo. O presidente mundial da AMORC, conhecido pelo título tradicional de Imperator, é o francês Christian Bernard.
A Ordem também mantém uma universidade interna, a Universidade Rose-Croix Internacional, formada por rosacruzes com nível de mestrado, doutorado e pós-doutorado, que efetuam pesquisas em diversos ramos do saber humano, como Filosofia, Física, Geologia, Astronomia, Psicologia etc. aproximando o saber rosacruz das mais relevantes descobertas da ciência. Tais pesquisas mantêm a Ordem atualizada e mesmo na vanguarda do conhecimento humano. De especial preocupação para a Ordem Rosacruz é a juventude. Para tanto, instituiu já no início do século XX, nos EUA, a Ordem Rosacruz Juvenil, ORCJ. Destinada a crianças e jovens, promove no mais alto grau o despertar do potencial interior, através da instrução e da experiência vivenciada, desenvolvendo nos pequenos uma visão mais abrangente de si mesmos, do mundo e da vida.
A AMORC foi também pioneira na estruturação de um sistema de ensino à distância, operando com ele a partir dos primeiros decênios do século XX, o que se mantém até hoje. Os estudantes da Ordem recebem Monografias mensais com os assuntos tratados nos ensinamentos. Entre estes, constam: filosofia, psicologia, ontologia, concentração, meditação, visualização, relaxamento, cura, leis da matéria, da vida e do universo etc. É importante destacar que todos esses assuntos têm uma dimensão prática, ou seja, é oferecida uma forma do estudante comprovar a realidade do que a Ordem afirma, por meio de experiências práticas.
O símbolo da Ordem, uma cruz dourada com uma única rosa semidesabrochada no centro; não tem caráter religioso, mas filosófico, visto que a cruz é um símbolo ancestral da humanidade constante em toda as culturas, sob diversas formas. A Cruz Rosacruz tem um significado filosófico e psicológico e representa: a cruz, o corpo físico e o plano material, onde se processa a evolução da consciência do homem; esta evolução gradativa da mente é simbolizada pela rosa desabrochando no centro da cruz, no centro da experiência humana.

A AMORC difunde, enfim, a Sabedoria esotérica da humanidade. Esse Conhecimento Especial esteve sob estrita proteção no passado, devido à intolerância política e religiosa. Felizmente, devido à abertura das consciências e maior tolerância pela diferença, desde o início do século XX essa Sabedoria é dispensada livremente, em caráter discreto, não secreto, aos seus afiliados.
A AMORC chegou no Brasil em maio de 1956, tendo como primeiro Grande Mestre a já citada Maria A. Moura. Em novembro de 1990, sob a gestão do Grande Mestre Charles Vega Parucker, e por decisão da Suprema Grande Loja, presidida pelo já citado Christian Bernard, esta Grande Loja tornou-se Grande Loja para os Países de Língua Portuguesa, GLP. Atualmente a GLP é dirigida pelo Grande Mestre Hélio de Moraes e Marques.

A sede da Ordem Rosacruz de Língua Portuguesa está, desde 1960, em Curitiba, Paraná, Brasil, compreendendo Rosacruzes do Brasil, Portugal e Angola. A Ordem possuí 280 Organismos Afiliados em todos os estados do país, contando ainda com duas sedes em Portugal e uma em Angola. Esta Grande Loja conta com um numero ativo flutuante de 20.000 membros.
A Grande Loja para os Países de Língua Portuguesa da AMORC é reconhecida como de Utilidade Pública Municipal, Lei 3.045 de 21 de setembro de 1967; Estadual, Lei 5812 de 19 de julho de 1968; e Federal, por meio do Decreto de 28 de fevereiro de 1999, assinado pelo então Exmo. Sr. Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. A Ordem é ainda registrada no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, 28 de novembro de 1995.

Muitos dos Organismos Afiliados da Grande Loja são reconhecidos como de Utilidade Pública Municipal.
A AMORC vem contribuindo consideravelmente para a cultura e o enlevo da sociedade. No Brasil, isso se dá pelas estruturas mantidas pela Grande Loja de Língua Portuguesa, através de seu Centro Cultural, que comporta Museu, Biblioteca, Auditório, Salas de Conferência e Espaço de Arte, que recebem milhares de turistas e estudantes todos os anos. Colabora a Ordem para a cultura também por meio das atividades locais de seus Organismos Afiliados, realizadas durante o ano todo. Tanto a sede como as afiliadas dispensam continuamente campanhas culturais, sociais e filantrópicas em todo o território nacional, bem como em Portugal e Angola.
A Ordem Rosacruz tem incansavelmente trabalhado pelo desenvolvimento integral do ser humano, possibilitando uma vida de mais paz, amor e solidariedade a milhares. Por reflexo, tem transformado a sociedade por meio de seus membros, que, onde quer que estejam, e quem quer que sejam, convertem-se em focos irradiadores de bondade, benemerência, cultura e espiritualidade.
A Missão da AMORC está assim definida na língua portuguesa:
“A Ordem Rosacruz, AMORC é uma organização internacional de caráter místico-filosófico, que tem por missão despertar o potencial interior do ser humano, auxiliando-o em seu desenvolvimento, em espírito de fraternidade, respeitando a liberdade individual, dentro da Tradição e da Cultura Rosacruz.”


Fonte: www.amorc.org.br


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Papa Leão III



Leão III (Roma, ca. 750 — 12 de Junho de 816) foi Papa e é um santo da Igreja Católica. Romano, de origem modesta, exerceu quando jovem o ofício de "vestararius" (responsável pelas roupas e pelos objetos preciosos) da Basílica de Latrão, em Roma.
No mesmo dia da morte do papa Adriano I (26 de dezembro de 795), o clero, contrariando abertamente a nobreza romana, nomeou-o papa. Sua eleição provocou graves desordens em Roma, sobretudo entre os partidários do papa que morrera, que viam seus interesses ameaçados.
Em 25 de abril de 799, enquanto se dirigia a cavalo de Latrão para San Lorenzo in Lucina para presidir a uma procissão, Leão III foi atacado e ferido. Com dificuldade, conseguiu fugir e abrigar-se na Basílica de São Pedro, de onde partiu para Paderborn, na Saxônia, para pedir ajuda a Carlos Magno. Este, que recebera do mesmo papa, em sinal de respeito, as chaves da tumba de são Pedro e o estandarte da cidade de Roma, fez com que fosse acompanhado solenemente a Roma (dezembro de 799), encarregando ao mesmo tempo uma comissão de investigar o seu comportamento e as acusações de adultério e de perjúrio dirigidas a ele pelos nobres. Em novembro de 800, Carlos Magno foi a Roma e convocou um sínodo para discutir os fatos ocorridos em 25 de abril. Em 23 de dezembro de 800, com uma declaração solene lida em São Pedro, o papa jurou não ter cometido os crimes imputados a ele (purgatio per sacramentum). Dois dias depois, durante as funções de Natal, Leão III coroou Carlos Magno imperador, e este, na qualidade de patrício dos romanos e por força de sua dignidade imperial, condenou os acusadores do pontífice à morte, acusação que foi retirada por intervenção do próprio papa.
A coroação imperial de Carlos Magno por parte de Leão III não teve precedentes e assinalou a retomada do Império Romano do Ocidente, "renovatio imperii". Foi vantajosa para a Igreja, que ligou os francos a si e libertou-se definitivamente dos bizantinos, e também foi vantajosa para o imperador, que conquistou uma extraordinária dignidade religioso-sacral, além da política. Com a morte de Carlos Magno (814), Roma viu-se novamente conturbada pelas divergências entre algumas famílias de nobres e o papa, que retomou as conjuras contra eles, agindo por iniciativa própria, sem nem sequer avisar o imperador Luís I, o Piedoso.
No campo doutrinal, o pontificado de Leão III foi marcado por diversas disputas teológicas, dentre as quais se destacam a questão do adocionismo, que foi definitivamente condenado (799), e a questão do "Filioque". Em relação a esta última, Leão III distanciou-se das decisões de Carlos Magno, tomadas no sínodo de Aachen (809), que impuseram o acréscimo do Filioque na profissão de fé da missa. Foi levado a isso por considerações de caráter ecumênico, que tendiam a salvaguardar a unidade com a Igreja Ortodoxa, contrária a tal acréscimo.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Hilel - O Ancião



Hilel, o Ancião, (em hebraico: הלל; c. 60 a.C. - c. 9) é o nome pelo qual é conhecido um célebre líder cabalista, que viveu durante o reinado de Herodes, o Grande na época do Segundo Templo. Estudioso respeitado em seu tempo, Hilel é associado a diversos ensinamentos da Mishná e do Talmud, tendo fundado uma escola (Beit Hilel) para ensino de mestres.

INFORMAÇÕES GERAIS

Hillel foi um famoso líder cabalista, uma das figuras mais importantes na história de Israel. Ele está associado ao desenvolvimento da Mishnah e do Talmud. Renomado como um sábio e estudioso, ele foi o fundador da Escola de Hillel escola para Tannaïm (Sábios da Mishnah), e fundador de uma dinastia de sábios que se encontra à frente dos israelitas que vivem na terra de Israel até aproximadamente o quinto século da Era Comum.
Hillel viveu em Jerusalém durante o tempo do rei Herodes e do imperador romano Augusto. Na compilação Sifre Midrash (Deut. 357) os períodos da vida de Hillel são feitos paralelos aos da vida de Moisés. Tanto viveu 120 anos, na idade de quarenta Hillel foi para a Terra de Israel, ele passou quarenta anos em estudo, e o último terço de sua vida ele era o chefe espiritual do povo israelita. Sua atividade de quarenta anos que abrangeu o período de 30 Antes da Era comum a 10 Depois da Era comum.

BIOGRAFIA

Hillel nasceu em Babilónia, e, de acordo com a Iggeret de Rav Sherira Gaon (uma história abrangente da composição do Talmud do século 10. EC), Hillel descende da tribo de Benjamin por parte de pai e, a partir da família de David por parte da mãe. Nada definitivo, no entanto, é conhecido sobre a sua origem, nem em qualquer lugar ele é chamado pelo nome do seu pai, que talvez tenha sido Gamliel.
Quando Josephus ("Vita", § 38) fala do bisneto de Hillel, Rabban Shimon ben Gamliel I, como pertencente a uma família muito célebre (γένους σφόδρα λαμπροῦ), ele provavelmente se refere à glória que a família teve devido à atividade de Hillel e Rabban Gamliel Hazaken. Apenas o irmão de Hillel Shebna é mencionado, ele era um comerciante, enquanto que Hillel se dedicou a estudar a Torah, ao mesmo tempo em que trabalha como um lenhador.

ÉTICA


Ele é popularmente conhecido como o autor de duas frases: 

"Se eu não sou por mim mesmo, que será de mim? E quando eu sou para mim, que sou eu? E se não for agora, quando?"

e a expressão da ética da reciprocidade, ou "regra de ouro": 

"Não faças aos outros aquilo que não gostarias que te fizessem a ti. Essa é toda a Torá, o resto é a comentário; agora ide e aprendei.".

quinta-feira, 24 de março de 2016

O Significado Cósmico das Festas Cristãs



A Virgem Celeste com o deus Sol em seus braços,
JAKnaap.


O presente ensaio foi inspirado no trabalho "Alegorias Astronômicas da Bíblia", que integra a obra “The Rosicrucian Christianity Lectures”, que reúne um ciclo de Conferências Públicas ministradas por Max Heindel em 1908, nos E.U.A., tendo como leitura complementar a obra Star Gates de Corinne Heline.
Max Heindel, no trabalho aqui comentado, aborda a questão do MITO SOLAR e mostra "que o confronto entre a Luz e as Trevas no mundo físico está intimamente relacionado, nas Escrituras das diferentes religiões, com a luta dos poderes da Luz e da vida espirituais contra aqueles da escuridão e da ignorância, e que esta verdade foi universalmente difundida entre todos os povos em todas as épocas. ", concluindo:
"Em nossa época materialista estas verdades estão sendo temporariamente relegadas ao esquecimento, ou consideradas conto de fadas, sem nenhum apoio  verídico. Mas tempo virá, e não está  muito longe, em que essas  relíquias serão  restauradas e novamente respeitadas como corporificação de grandes verdades espirituais."
O presente ensaio visa a focalizar um aspecto do Estudo do Mito Solar: "O Significado Cósmico das Festas Cristãs". Não se pretende aqui esgotar o tema, mas apenas contribuir para resgatar o sentido espiritual destas festas, eclipsados na noite dos tempos.

Os Corpos Celestes e os Ritos Religiosos

Sob o ponto de vista materialista os planetas são massas ou aglomerados de matéria que giram em torno do Sol segundo órbitas elípticas em respeito às leis mecanicistas que regem o Universo. Sob o ponto de vista Ocultista os planetas são os Corpos de Grandes Espíritos movendo-se no Espaço, o campo macrocósmico, assim como nos deslocamos no mundo. Para o Ocultista os movimentos cósmicos não são fortuitos, os diversos fenômenos celestes possuem um profundo significado espiritual.
As Festas Cristãs estão relacionadas com o ciclo dos astros através do espaço. A Igreja celebra cerca de 14 festas fixas e cerca de 10 festas móveis (reguladas pela data da Páscoa, também móvel).

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As Festas Móveis são reguladas pela Páscoa, que é a festa eclesiástica reguladora de todas as demais festas eclesiásticas móveis do ano. A fixação da Páscoa para os judeus e cristãos se baseia na Lua Cheia posterior à entrada do Sol em Áries, ainda que com a diferença de que os judeus a celebram neste próprio dia e os cristãos no domingo seguinte. O domingo, do latim Domini Dies, o dia do Sol, é considerado o dia da ressurreição do Senhor.
No calendário gregoriano, a Páscoa  deve cair entre 22 de março e 25 de abril, e as demais festas móveis variam em relação à variação da data da comemoração da Páscoa.

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Atualmente pouquíssimas pessoas guardam algum conceito do significado espiritual das festas eclesiásticas comumente observadas. Ainda que as Igrejas Católica Romana e Anglicana da Inglaterra observem tais solenidades festivas, seu significado interno tem se perdido amplamente. Tais festas religiosas estão intimamente relacionadas com o ciclo do Cristo Cósmico através do ano tendo como pontos cardeais os Solstícios de Verão e Inverno e os Equinócios de Primavera e Outono. Nos Equinócios o dia  e a noite apresentam a mesma duração. No Solstício de Inverno, a noite é mais longa e no Solstício de Verão o dia é maior que a noite.
No Hemisfério norte é costume pensar o ano Solar (distinto do calendário anual gregoriano) começando no Equinócio da Primavera, quando o Sol transita de Peixes para Áries. As estações estão invertidas no Hemisfério Sul. No nosso Hemisfério Sul a Primavera está associada com o Equinócio em Virgo-Libra; porém o tempo do começo da Primavera varia de latitude a latitude, do equador aos pólos, em ambos os hemisférios.

O Equinócio




Como os Mistérios da chamada Época Ária foram estabelecidos amplamente no Hemisfério Norte ( que incluía a maior área da Terra e a maioria de sua população) e como os Mistérios Arcanos incluíam grandes espetáculos dramáticos representativos dos fenômenos da Natureza, é do Hemisfério Norte que provêm a maioria do material alegórico do drama dos Mistérios como os conhecemos atualmente e como eram conhecidos pelos Antigos.
Todavia, espiritualmente interpretadas as alegorias dos povos do Hemisfério Norte são universalmente aplicáveis. É a ideia de Primavera, - eternamente nova na Mente de Deus - , que importa para a alma. Na consciência espiritual não existe tempo ou espaço. no Mundo dos Arquétipos só existem o Aqui e o Agora.
A alma do ano se abre para o aspirante no Equinócio de Outono, época em que um novo impulso espiritual desce sobre a Terra, estimulando o despertar da consciência espiritual do homem. Em consonância com este impulso o aspirante trabalha espiritualmente na produção da Pedra Filosofal.
É o aspecto astronômico e não os aspectos geofísicos das Estações que importam nos Mistérios, que se articulam diretamente com as Forças Arquetípicas.
Observando o lugar onde está geograficamente situado, o primeiro trabalho do Neófito - a Preparação através da Purificação - é o trabalho do Equinócio de Outono. O Segundo Trabalho - Dedicação - pertence ao Solstício de Inverno. O Terceiro Trabalho - Ressurreição (transmutação, nova vida) - ao Equinócio da Primavera. E o Quarto Trabalho, - Consumação (transformação) - pertence ao Solstício de Verão.
O Cristo é um Ser Cósmico e Sua Vida está marcada por caracteres estelares. A Iniciação dos Mistérios Cristãos é também um processo cósmico que acelera a Evolução Humana, estando relacionada com o Ciclo Crístico ao longo do Ano Solar.
Trataremos agora de enunciar o significado esotérico observado pelos Místicos Cristãos ocultos nas Festas Eclesiásticas, significado este esquecido ou perdido pela Igreja Ortodoxa.

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No Solstício de Inverno para o Hemisfério Norte (Verão no Hemisfério Sul) o Sol se desloca, longitudinalmente, ao longo da eclíptica passando de Sagitário à Capricórnio. Em termos de posição relativa ao Equador Celeste (projeção do Equador Terrestre na Esfera Celeste) atinge o nadir, o ponto máximo de declinação Sul, que é também um ponto de inflexão em seu movimento aparente, que se reverte ascendendo em direção ao Equador e ao Hemisfério Norte.
Tal evento está ilustrado na mitologia de diversos povos e a Cristandade comemora o Natal, o dia do nascimento do Salvador, ungido para nos salvar do frio e da fome (que seriam eternos no Hemisfério Norte se o Sol permanecesse sempre no Nadir, abaixo do equador, no Hemisfério Sul).
Na época do Natal, após o Solstício de Inverno no Hemisfério Norte, o Raio Cósmico de Cristo atinge o Centro da Terra, o Mundo Físico. É considerada pelo Místico Cristão como a Noite mais santa do ano, especialmente propícia a realização de seu Inventário Espiritual, ou Retrospecção Anual.
De 26 de Dezembro a 6 de Janeiro transcorrem os chamados doze dias santos, que simbolizam os doze signos do zodíaco e seus atributos arquetípicos respectivamente.
Em 6 de Janeiro, Sol em Capricórnio, comemora-se a Festa da Epifania - a Chegada dos Três Reis Magos - . No Caminho do Discipulado tal festa significa a tríplice dedicação do Espírito, Alma e Corpo, e suas ofertas de Amor, Vida e Serviço, ao Cristo Menino.
Em sua marcha ascendente em direção ao Equador Celeste, o Sol transita na Eclíptica o Signo do Aguador (Aquário), havendo uma analogia entre as chuvas recebidas pela Terra e o Batismo do Salvador. Em 2  de janeiro comemora-se o Rito da Apresentação do Senhor. Em fevereiro, na Festa da Purificação, o discípulo Místico Cristão observa tal época como uma estação intensamente favorável a uma tríplice purificação dirigida a seus veículos.
Quando o Sol atravessa o Místico Signo de Piscis, em março, as reservas do ano passado foram consumidas e o alimento do homem escasseia, daí o longo jejum da Quaresma.
O Místico Cristão compreende o sentido alegórico da alimentação com peixes. Sendo voluntariamente vegetariano, não se trata de consumir tal alimento, mas de assimilar as virtudes da alma relacionadas com este signo, purificando seus veículos.
Ao atravessar o Equador no Equinócio da Primavera no Hemisfério Norte (Outono no Hemisfério Sul), o Sol se encontra em Áries, no Nodo Oriental. Dá-se a simbólica e cósmica Crucificação do Salvador. Ao atravessar o Equador Celeste atingindo os graus de declinação Norte, o Sol o faz ao longo da Eclíptica transitando longitudinalmente de Piscis a Áries. Ao penetrar o Signo de Áries, o Cordeiro de Deus é sacrificado pela Salvação do Mundo, marcando o início da Primavera no Hemisfério Norte, época de germinação das plantas (É Outono, época de colheita no Hemisfério Sul). Nos tempos pré-cristãos celebrava-se nesta época o retorno da Primavera e a vitória da Luz  sobre as trevas.
O Equinócio da Primavera é um dos pontos culminantes do ano para o discípulo. Suas notas-clave são Liberdade e Emancipação, que lhe facultam a expansão da Vida. Nesta época o Cristo Cósmico é liberado da Terra a qual serviu com bondade durante os meses invernais (no Hemisfério norte), ascendendo aos elevados planos espirituais. É uma época propícia para o discípulo avançado romper os atavismos mundanos que limitam sua entrada nos planos espirituais.
Entre as festas fixas realizadas nesta época, a Igreja celebra a Festa Eclesiástica da Anunciação do Senhor, em 25 de março, quando a natureza comemora a cósmica Festa da Anunciação, da Vida, por haver uma íntima relação entre ela e o homem, que se refletem mutuamente.
Os mais sagrados rituais observados pelos homens estão relacionados com as mudanças das estações. O Santo Espírito da Primavera tem sido exaltado pelos poetas quando o esplendor verdejante e florido da Natureza evidencia o retorno das forças de vida, respondendo triunfantemente ao impulso da Ressurreição Cósmica.
Em nosso Hemisfério Sul tal explosão de Vida exaltada na Primavera ocorre em Libra, coincidindo com o Retorno de Cristo em direção à Terra.
Tal culminação primaveril, notada no Hemisfério Norte quando o Sol entra em Áries culmina em Abril que tem sido designado o mês da Ressurreição.
Como sabemos, a Páscoa é a festa móvel reguladora de todas as demais festas móveis celebradas pela Igreja Cristã.
Os hebreus celebravam a Páscoa comemorando sua saída do Egito sob a direção de Moisés; para eles coincide com o 14º mês lunar (de Bif ou Nizán), ou seja, o dia da Lua Cheia do primeiro mês do ano religioso. Deve ter-se em conta que o Sol esteja no Signo de Áries, como indica as seguintes passagens do Antigo Testamento: Números 9:15; 2ª Crônicas 8:13; 2ª Crônicas 30:1-22; 2ª Reis 23:21-23; e Esdras 6:19-22. Uma das bendições na celebração era a ação de graças pela liberação da servidão no Egito e a proclamação da Lei (Mateus 26:27, 1ª Coríntios 10:16), concluindo a festa com Salmos de Agradecimento.
A Igreja Cristã, no Concílio de Nicéia, estabeleceu que celebraria a Páscoa ao domingo seguinte ao dia da celebração judaica, salvo quando a Páscoa judaica caísse no domingo, pois então a Páscoa Cristã seria celebrada no domingo seguinte .
A fixação da Páscoa, portanto, tanto para os judeus quanto para os Cristãos se baseia na Lua Cheia após a entrada do Sol em Áries, ainda que com a diferença de que os judeus a celebravam neste mesmo dia e os cristãos no domingo seguinte.
A Páscoa Cristã se celebra no domingo porque Jesus Cristo "ressuscitou" num Domingo, Dia do Sol, no calendário inglês, alemão, etc. Considera-se o Domingo o dia do Senhor. Domingo deriva do latim "Domini Dies".
No calendário gregoriano a Páscoa oscila entre os dias 22 de março e 25 de abril, e as demais festas móveis sofrem esta mesma variação porque devem ser celebradas determinados números de dias antes ou depois da Páscoa.
A Sexta-feira Santa é observada na Sexta-feira anterior ao Domingo de Páscoa. É observada a penitência pelos Cristãos Ortodoxos, que focalizam seus pensamentos sobre o sofrimento e a crucificação de Nosso Salvador. Os Místicos Cristãos, entretanto, observam com júbilo este santo dia, por simbolizar a liberação do Cristo Cósmico dos limites físicos da Terra, na qual esteve confinado durante meio ano em amoroso sacrifício pela Humanidade. Os Místicos Cristãos compreendem que Seu sacrifício e a ressurreição constituem um serviço redentor pela Humanidade, que será contínuo até que a Humanidade como um todo possa emergir espiritualmente livre das conseqüências da alegórica Queda, descrita no livro de Enoch, imposta pelos Lucíferos, que abriram precocemente a percepção humana aos planos externos.
O Sagrado Rito da Eucaristia na Sexta-feira Santa simboliza a Nova Aliança do Novo Testamento, onde Cristo como Espírito Interno da Terra salva o Mundo propiciando a fecundação da vida no planeta e impulsiona o nascimento do Cristo Interno no coração dos homens.
Trinta e nove dias após a Páscoa celebra-se a Ascensão do Senhor que geralmente ocorre de Taurus para Geminis, em maio ou junho. Próximo a esta época , quando o Sol transita de Taurus a Gemini, as Hierarquias Celestes celebram a glória do Redentor em sua ascensão aos Reinos Espirituais. Como a Natureza está em harmonia com as correntes ascendentes de Cristo, durante os quarenta dias entre a Ressurreição e a Ascensão, tal período constitui uma época intensamente auspiciosa para o discípulo, que pode despertar interiormente os poderes espirituais no Caminho do Verdadeiro Discipulado.
Quarenta e nove dias após a Páscoa comemora-se a Festa de Pentecostes, que sintetiza as experiências místicas dos primeiros discípulos que viveram em íntima comunhão com o Senhor Cristo durante o período de Seu ministério.
No domingo seguinte à Festa de Pentecostes comemora-se a Santíssima Trindade. Esotericamente celebra-se a tríplice atividade do Pai, Filho e Espírito Santo. Os Místicos Cristãos sabem que os Domingos (SUNDAY), dias solares, da Trindade simbolizam o supremo trabalho do Raio Cósmico de Cristo no Ciclo do Ano Solar. É durante os meses de junho, julho e agosto que os trabalhos de Cristo em uníssono com a tríplice divindade e com as três Hierarquias de Gemini (Seraphim), Cancer (Cherubim) e Leo (Senhores da Chamar) em resplendor, energizam e espiritualizam a Terra e tudo o que existe sobre ela.
Na quinta-feira (dia de Júpiter) seguinte ao domingo da Santíssima Trindade a Igreja comemora o Corpus Christi.
Quando o Sol entra em Gemini, em junho, o Senhor Cristo passa ao Terceiro Céu, o Mundo do Pensamento Abstrato, o mais elevado mundo alcançável pela mônada humana nos ciclos de vida do esquema evolutivo do atual período terrestre.O Primeiro Céu é o Mundo da Cor, o Segundo Céu é o Mundo do Tom (som) e o Terceiro Céu é o Mundo das Idéias Abstratas, um mundo de Pura Luz Branca onde as almas iluminadas aprendem a ouvir a Voz do Silêncio.
Quando o Sol transita de Gemini para Câncer, temos o Solstício de Verão no Hemisfério Norte ( Solstício de Inverno em nosso Hemisfério Sul). Temos como festa eclesiástica o Nascimento de S. João, celebrada no dia 24 de junho, próxima a este grande evento cósmico.
Quando o Sol entra em Câncer, o Senhor atinge a Sua própria morada celeste - O Mundo do Espírito de Vida - onde a Unidade e a Harmonia reinam supremas.
É significativo que o nascimento de Cristo seja celebrado em Capricórnio, signo oposto à Câncer, signo em que se celebra o nascimento de S.João Batista, o arauto da vinda do Messias.
No Solstício de Verão no Hemisfério Norte, quando o Sol atinge sua maior declinação acima do Equador, ao Norte, a Natureza celebra o Festival das Fadas.
No dia 6 de agosto, com o Sol em Leão, a Igreja celebra a Transfiguração do Senhor. Durante o Signo de Leão o Espírito Arcanjélico de Cristo atinge o Trono do Pai, o Mundo do Espírito Divino. Nas Escolas de Mistério medita-se sobre a Transfiguração do Senhor e o discípulo avançado cultiva o Amor como a principal força motivacional em sua vida.
Ainda com o Sol em Leão, no dia 15 de agosto, comemora-se a Festa da Assunção de Nossa Senhora.
Em 8 de setembro a Igreja comemora a Natividade de Nossa Senhora, época dedicada à Paz. A iluminada Maria trabalha para iluminar e inspirar todas as mães da Terra por meio da pureza e da paz. O Sol transita o Signo de Virgem.
Em setembro o Senhor Cristo, através da emanação de um Raio Cósmico, reinicia Sua marcha descendente em direção aos planos densos. As palavras-chaves do signo de Virgem são Serviço e Sacrifício. O discípulo medita sobre a passagem bíblica:
"Se algum homem desejar ser o primeiro, o mesmo deverá ser o último de todos, e o servo de todos" (Marcos 9:35).
Com o Sol entrando em Libra, no final de setembro, e as forças cardinais deste signo permeando a Terra, o Místico Cristão celebra a Festa do Equinócio de Outono (No Hemisfério Norte, em nosso Hemisfério Sul é Primavera).
O aspirante no Caminho da Iniciação deve descer do topo das montanhas da exaltação espiritual para servir nos vales mais profundos e tristes do Mundo Físico.
Em seu Caminho para Damasco São Paulo pôde contemplar e se conscientizar da importância e sublimidade do sacrifício anual do Espírito Solar, transformando-se de arquiperseguidor num dos mais ilustres mensageiros de Cristo, a Luz do Mundo.
O aspirante espiritual que trilha o Caminho Rosacruz reconhece o significado cósmico oculto nas festas eclesiásticas, e observa o ciclo do Cristo Cósmico  a cada ano, mediando às vibrações das Doze Hierarquias Zodiacais ao nosso campo evolutivo.  Procura   sintonizar-se  com o rítmo do  Ciclo do Cristo Cósmico, O Caminho, a Verdade e a Vida.



- Por um probacionista (Org.). Texto estabelecido a partir da obra de Max Heindel e Corinne Heline.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O SONHO (Alegoria sobre a queda de Lúcifer)


Noite! A fragrância de um verão quente, noite impregna toda a Natureza. O firmamento cheio de estrelas brilhando como diamantes, um líquido de beleza reluzente, através do qual a bela escuridão da noite está desaparecendo.
Macio, leve vida invade a atmosfera clara como vapor de ouro. Aumenta constantemente, penetrante e cobrindo cada coisa. Banhado em seu brilho,  aparecem cintilantes picos de diamantes, montanhas de topázio e ametista, pedras maciças de esmeralda, monólitos gigantescos de safira, etapas do chumbo infinito para regiões mais altas. A Luz cresce em força, revestindo todas as coisas com cor e calor. Esses não são os raios do sol nascente por detrás dos montes, mas um brilho incandescente proveniente de todos os lados, abraçando tudo e aumentando assim a tensão da música; na verdade, não há música no ar. Melodias suaves são tremores, macias harmonias estão vibrando e misteriosos ecos a respondê-las.
Situado no meio destas montanhas preciosas, rodeado por um bosque de árvores gigantescas, tão sublimes que parecem estar falando com as nuvens, ergue-se um palácio gigantesco como uma cidade e de beleza maravilhosa. As paredes são fluxos da luz saindo do chão a jorrar em todas as cores do arco-íris. Seus apartamentos, telhados, torres e cúpulas são nuvens de ouro de onde o brilho da radiação luminosa está vertendo o esplendor da manhã.
E ainda a Luz cresce em força. Através do telhado de ouro do Palácio sobe um cortejo inumerável de seres humanos, cada um aparentemente mais maravilhoso que o outro.
De altura  e tamanho quase similares são eles, mas como são diferentes cada um! Alguns são como lava ardente fluindo da cratera de um vulcão, outros são como MOONRAYS que fazem viver os seres; algumas cachoeiras rugindo como que arco-íris a jorrarem sobre suas cabeças, alguns como pedras preciosas vivas. Seus corpos aparecem em toda a sua maravilhosa glória: não escondem que abrangem a beleza eterna.
E os olhos, como quando o Espírito parece ele mesmo sobre o mundo que ele criou, cheio de suprema majestade e poder, cheio de amor infinito, é brilhante em seu rosto divino!
Dois desses seres subiram como o resto das profundezas do Palácio, e como irmãos gêmeos estrelas subiram carinhosamente abraçados no alto da torre mais alta. Radiantes e mais maravilhosos do que os outros são eles. Como uma estrela brilhante é o rosto de um deles, mais alto e mais forte do que o de seus semelhantes, é como uma opala fosforescente. Córregos de Luz de vida estão fluindo através de seu corpo e fazendo-o brilhar em tons iridescentes. Os olhos dele são raios; uma nuvem roxa em seus cabelos; e quando ele fala e se move, longe o trovão é escutado… Dourado e brilhante é o seu companheiro, o seu corpo tecido de raios do sol, seu cabelo uma chama brilhante, seus olhos refletindo a glória do céu em si; e quando ele fala e se move, macias harmonias enchem o ar.
Com gestos de adoração, eles levantam suas armas em cântico triunfal — saudação ao Espírito de Graça, para o Grande Doador. Seus irmãos seguem na canção, toda a Natureza se une a este hino de gratidão. Aves e animais, árvores e flores, pedras e nuvens, águas e o solo em si, cantam o eterno elogio do todos os seres para o supremo Ser, seu Pai Divino. Mais forte e mais assombroso cresce a elevada canção, inundações no infinito do universo, com louvor e amor, ele sobe a um trovão de triunfo e morre em silêncio.
Silêncio! Uma brisa límpida move o ar e cada um sente dentro de si as palavras, “Amor e Vida”. O Grande Espírito, O Pai, em comunhão com Seus filhos.
Felicidade infinita enche todo o ser, e permeia o Universo. O Dia no Céu começou.
Mas a banda triunfante passa fora da visão; os telhados estão desertos e os dois, os gêmeos Celestes, voltam para o Palácio. E lá eles estão dentro da grande torre, no meio dela. Altas paredes circulares os cercam, mas há uma abertura nas paredes. Profundo e misterioso é o material de que são construídos; também é precioso, pois seu nome é Silêncio. E sobre as paredes do poderoso Silêncio, elevando-se alto para o ar livre, são definidos pilares elevados. Precioso também é o material de que são feitos, brilhando em todas as cores do arco-íris, seu nome é Esperança. E através destes pilares da Esperança esticando seus eixos delgados para o alto ar, são nuvens de vela dourada. Silenciosos eles se movem através da torre do silêncio, mas as aves com o farfalhar de suas asas, não se atrevem a voar por causa do sagrado silêncio.
E sobre estes pilares da Esperança descansa uma gloriosa cúpula, resplandecente como um sol e Alegria é o material de que a cúpula é feita. E o chão em que eles estão é um transparente cristal mãe, uma lente gigantesca, a visão através dela mostra o Universo inteiro, parecendo esticado para fora de seus pés. Mundos sem número, todas as estrelas, sóis, sistemas, cadeias de planetas, todos os seres, todas as coisas, o maior e o menor, pode ser visto através desse cristal.
O Entendimento é o material do qual o piso é feito. Com os pés bem assentes estabelecidos no acordo com o Silencio em torno deles, com esperança elevando-se sobre eles e com a maior alegria, se elevam dois relógios, mantendo todo o mundo.
Com voz de um trovão, fala para seu companheiro.
– Oh! Tu és amado! Tu, radiante Alegria do Mundo! Uma vez mais, estamos prontos para cumprir a nossa carga, para realizar os nossos deveres no regime do teu eterno Amor do Mundo, a mente dele. Todo o conhecimento, todos os poderes são nossos. Por que então devemos todas as manhãs, cumprimentar o nosso Mestre? Um Ser que ninguém jamais viu? Tu és de Eternidade e eu estou desde a eternidade, e por isso todos são nossos irmãos. No entanto, quem já viu Aquele que diz ser nosso Pai, e quem é chamado de Deus? Verdade é que todas as manhãs, uma Voz fala dentro de nós, mas não há ninguém, pode se dizer que ela não vem da nossa própria consciência.
Por que devemos adorar a qualquer tempo Aquele que permanece um mistério para nós? É suficiente que devemos ser escravos de um desconhecido mestre. Vamos nos libertar dos grilhões pelos quais estamos agora ligados. “Todos os poderes, todos eles são as nossas forças, por isso vamos à regra, Mundo, nós dois, as maiores potências do presente Mundo”.
A resposta veio macia e veloz, no curso do próprio amor.
– Ah Irmão! Porque estas palavras de orgulho, e revolta? Tu sabes, para o teu coração diz-te apesar de tudo que existe um Deus, que temos um Pai invisível, que é também nossa Mãe amorosa e que envolve-nos, seus filhos, em seu Divino abraço. Ele continuamente pensa em nós.
Ele planeja incessantemente para nossa alegria. Para nós, ele derrama  manifestações de infinita beleza, as maravilhas transparecem, a partir das regiões não-manifestas do seu coração. E Ele não pede nada de nós, mas o nosso amor. É tão difícil amar Aquele que nos ama assim?
Demita esses pensamentos de rebelião, esquece estas palavras orgulhosas. Tristeza só pode vir a partir delas, meu irmão.
Como um trovão repentino, como o rebentamento das inundações falhando, veio a rugir, quebrar em um infinito clamor.
– O que é esse poder oculto que pode obrigar a mente? Mente, a luz cintilante de todos os mundos, é regente do Universo. No lugar de servo devo ser satisfeito a seguir. Mas, se tu, oh meu irmão gentil! Trace as suas regras comigo, a compartilhar meu poder. Só então poderei comandar o mundo.
E com estas palavras, rápido como um raio, ele se levanta do chão de Entendimento, através do Silêncio, através da Esperança, através de radiante Alegria, para o aberto. Maior e ainda mais alto, além das preciosas montanhas, ele sobe no ar cintilante, escorrendo atrás de um trem em chamas de fósforo, até que seus pés tocam o cume do mais alto pico de aspiração, o auge do brilho do diamante. Posicionado na torre brilhante, o seu grito ecoa para todo o Mundo.
– Espíritos de Luz! Filhos da Eternidade! O dia da liberdade, da libertação, chegou para nós! Livre vós nasceram, livre vós viverão!
Não mais adoração, não mais rezando mais para um Mestre, um Deus que ninguém jamais viu.
A partir de agora, sereis Mestres de si mesmos.
Vamos todos, venham todos a mim, e sereis livres!
E, a partir das partes escondidas de todos os Mundos, milhares de Espíritos, Filhos da Luz, se juntam. Eles cercam o pico de diamante, onde fica o Ser cujos olhos são raios, cujo rosto é como uma estrela em chamas. Com palavras de adoração eles gritam:
– Saudamos a ti, Lúcifer! Filho da Manhã.
– Saudamos a ti, Libertador! Nosso líder, nosso Mestre, nosso Deus!”
E aquele que se proclama o Mestre, chamou o governante do Mundo, debruçando-se sobre aqueles prostrados a seus pés.
– Eu sou o seu Mestre, eu sou teu Deus!
Siga-me, porque só eu posso dar-lhe a liberdade; novas belezas vós descobrireis através de mim, novos poderes e as forças que vós exerceis. Vocês devem se tornar mais brilhantes do que pensares que sempre fostes, como diamantes flamejantes, mais brilhantes do que os Sóis abrasadores.
Mas, no bosque sagrado, escondido no meio das árvores gigantes, com os olhos tristes e um coração pesado, representa um, cujo nome é Amor, palavras de oração caem de seus lábios.
– Pai, Oh Amado! Coração pulsante de todo o Universo! Perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem. Lhes chamam Deus, Lúcifer eles reconhecem como supremo.
No entanto, ele não é nada, mas é teu filho e todos os seus poderes e as belezas que ele tem provem de ti.
Verdade é que ele parece supremo, pois seus pés tocam o chão, a cabeça atinge o céu e sua glória parece preencher todo o espaço, ainda que são tão enganados quanto ele próprio. É tua glória que continua brilhando através dele, e teu poder é levado para o seu próprio. Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem. Perdoa a meu irmão, Lúcifer, pois ele é ainda mais caro ao meu coração: ele também não sabe o que  faz! “
De sua altura lancinante, Lúcifer ouvindo os fiéis orando, dizia e sorria ele em desprezo. Mas, de repente outra voz, pesada como o destino, reunindo em sua mente talvez a energia imensurável de todos os Mundos:
– Lúcifer! No céu todos os desejos são realizações. Queres ser livre, tu serás livre. Vai tu, e todos aqueles que te adoram, para o voo na seqüência da qual todos vós pertencem. Estas regiões são do Eterno.
A luz pode dar-te mais. Seus corpos são sombras no céu puro. Memórias programáveis, são Esferas de Luz para o vazio extremo exterior.
Vai!
Assim, a Voz do Silêncio abobadado.
E naquele momento, uma carga súbita a partir do grande peso recai sobre Lúcifer e seus seguidores. Eles já não são capazes de oferecer resistência contra o seu peso, e como uma explosão de um trovão de terror, eles caem do Reinos da Luz no vácuo sombrio.
À medida que descem, mais densas são as trevas sobre eles, até que sem nenhuma centelha de luz, sem esperança é o que lhes resta. Na escuridão total, ainda caindo, eles percebem uma região de fogo que os atrai rapidamente para ela com irresistível vigor. E eles são expelidos em um oceano de fogo, de fumaça, de metal fundido, de ebulição e pedra…
Aquele que foi o primeiro a cair, é também o primeiro a subir novamente. E ele vê seus irmãos, seus seguidores, uma vez que o Espíritos de Luz, escurecido, desonrado, apagado, atirado para aquela morada de fogo e sofrimento. E ele os chama:
– Levantai-vos, meus irmãos! Ponham-se de pé, vós que sois ainda os Filhos da Luz! Verdade é que, a partir das mais altas esferas da Alegria, temos sido expressos nesta desolação. No entanto, todo o Conhecimento ainda é meu, e assim todo o poder, e eu vou fazer para vocês neste inferno seu novo Céu, e este novo Céu será chamado Terra.
Enquanto ele fala dos tempos, passam aos ardentes campos de contrato, as chamas incandescentes com um calor mais fraco, os fumos e vapores gradualmente dispersos, e um brilhante planeta, embalado em fogo e beleza é carregado.
A Terra aparece linda — colinas verdes e encostas suaves e campos floridos, cantando riachos, rios de águas límpidas e mar azul, montanhas, abismos e cachoeiras.
E através das aves de uma floresta encantada cem cores estão voando, e nos campos os animais se deslocam. E Lúcifer está satisfeito com sua criação e diz:
– E agora, meus irmãos! Sereis habitantes deste novo Céu e sereis chamados de seres humanos.
E os seres maravilhosos, de estatura elevada, fortes e formosos, aparecem na Terra.
E propagam-se e multiplicam-se, pelo Estado Terra. E Lúcifer é seu rei, o seu Deus.
Estão, justo num mundo que parecia um verdadeiro arremedo dos Céus. Mas o cancro da revolta que os lançou do céu, ainda morava com eles. E o espírito de ciúmes, ódio e orgulho começa a se manifestar, crescer e a se espalhar, até o esplêndido e a Terra volta a ser um inferno. Mas agora eles são incapazes de suportar por mais tempo o sofrimento com que infestaram a Terra, e eles não encontraram nenhuma ajuda ou isenção de Lúcifer. No seu profundo desespero, eles se lembram de seu Pai, e voltam para Ele e rezam novamente para Deus. E Deus, seu Pai, ouve o clamor de suas crianças, e em Seu Coração envia para baixo o seu próprio amor. E o amor desce do Céu a Terra, o Amor torna-se um ser humano, e vive com o amor humano, e ensina o amor aos seres humanos.
Mas Lúcifer, encarnado também como um ser humano, vê a ameaça ao seu poder e uma paixão de ódio e inveja aumenta contra seu irmão e mata seu irmão. E o amor de Deus sacode para fora do peso da Terra, e a Terra fica sem amor novamente.
Então, a tristeza e o terror, mais uma vez prevalecem e o sofrimento se torna insuportável. Novamente os seres humanos clamam a Deus por ajuda.
E Deus, o Pai, a Mãe amorosa, ouve o grito de seus filhos e de seu Coração envia-lhes o seu próprio amor.
O Amor desce do Céu a Terra novamente e o amor se torna um ser humano.
Ama e vive com os seres humanos, e ensina-lhes a Lei do Amor.
Mas Lúcifer, a mente do mundo, de novo encarna como um ser humano levanta-se contra seu companheiro, o seu eterno irmão gêmeo e faz com que ele morra, pois vê nele a grande ameaça ao seu poder. E mais uma vez, o Amor de Deus retorna ao Pai, e novamente a terra é desabitada de amor.
Assim, através dos séculos, sempre que a miséria aumentar o sofrimento sobre a Terra a fim de tornar a vida insuportável, os filhos da Terra clamam por um libertador. E sempre amável, gentil e compassivo; ouve seu chamado e tenta salvar seus irmãos.
Mas Lúcifer sempre se levanta contra Ele, mata o seu corpo e destrói o seu trabalho, pois o Amor é a contínua ameaça ao seu poder.
E quando, pela última vez, o Amor de Deus veio para baixo, para a Terra, e viveu entre os humildes uma vida de um simples mortal, dando à Humanidade a maior lição que o amor nunca deu, Lúcifer, encarnado como um ser humano trama mais uma vez contra o seu irmão, lhe trai e o leva a sua morte na cruz. Mas Ele, do qual o mundo não era digno, à respiração de seu último suspiro, morrendo como um criminoso em cima da árvore maldita orou para aqueles que o crucificaram:
– Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem. Pai perdoa meu irmão Lúcifer, pois ele não sabe o que  faz.
Estas palavras queimam no apaixonado Lúcifer como um relâmpago em seu coração, e ele sai e da um fim ao seu ego humano.
E, levantando-se como um espírito, vendo o grande sacrifício de amor do seu irmão e os infinitos males de sua própria idade e o velho pecado. Ele viu a dor e o sofrimento que veio através dele a todos os seres, e ele sentiu  o seu frio coração de pedra derreter e amaciar, e ele chorou lágrimas de sangue, lágrimas de fogo. E aquelas lágrimas caíram sobre a Terra e o trem-Terra sangrou até a sua fundação.
Assim, pela primeira vez, depois de incontáveis idades de revolta, Lúcifer levantou os olhos para Deus, e as palavras de oração saíram de sua boca:
– Pai! Eu sei da imensidão dos meus pecado, e vim pedir perdão eu mesmo. Para crimes como o meu que não pode ser expiados. Mas, oh! meu Pai, perdoa-lhes, aqueles que me seguiram na minha queda. Perdoa-lhes, porque não sabiam o que faziam.
Não foram culpados, mas que me amavam mais que a Ti, e ouviram a magia das minhas palavras, o brilho da minha mente, para que Tuas Leis fossem esquecidas. Portanto, eu rogo-te, perdoa-los e leva-los de volta a Ti, deixa-los voltar as puras Esferas de Luz, onde Alegria, Harmonia e Serenidade reinam. Mas para mim, se é pela minha condenação eterna para que eu possa ganhar a sua eterna salvação, estou pronto a ser condenado pela Eternidade.
“Depois do silêncio em abóbada, uma voz, recolhida em seu poder a imensurável Energia de todos os mundos:
– Lúcifer, o teu sacrifício é aceito e através do teu sacrifício que o mundo seja salvo.
E ele, o Orgulho, que tinha pensado ser um Deus, de joelhos dobrados, e com a sua cabeça tocou o pó da terra.
Como medida de trovão soou suas palavras:
– Pai, eu Te agradeço!
E mais uma vez a voz:
– Lúcifer, tu pecou muito, mas tu também amavas muito. Infinito é teu pecado, mas infinito sacrifício também é teu ato conseguinte, tu és perdoado. Vá pelo mundo, viver entre as crianças do Mundo, e leva-lhes a Luz do Conhecimento purificado pelo Amor. Assim, os véus da auto-ilusão serão retirados uma por uma, as limitações serão removidas, conquista o sofrimento, tristeza e transmuta em alegria. E quando a última falha humana puder ser destruída, quando todos os teus irmãos  vierem para junto de Mim, então chegará teu dia de libertação. Tua plumagem de inspiração, chamuscada pelo fogo do inferno, terá crescido novamente suficientemente forte para levantar-te da Terra e a suportar-te de volta para o Céu. E ali, nos polidos portões do céu, os portais da Eterna Harmonia, o teu amor, teu irmão, tua eterna Mãe, estarão à espera de ti, para te trazer de volta para mim! “
E Lúcifer entrou no mundo. E Lúcifer ensinou o mundo. E para o mundo Lúcifer levou a Luz do Conhecimento puro, brilhando com a chama do amor.
Noite! A fragrância de um Verão quente, a noite permeia todas as coisas. O firmamento ardente com as estrelas e além das estrelas, a escuridão suavemente desaparecendo. O radiante Palácio, o bosque sagrado e acima deles, as montanhas de pedras preciosas. E no bosque sagrado cujas árvores estão falando com as nuvens, descansou com miríades de seres do sono da Luz Eterna. Debaixo da árvore mais elevadas, a mais elevada rainha de todos os bosques, encontra-se uma cujo semblante é como um Deus. Ele está em sono profundo, e inclinando-se sobre ele, chama-lhe suavemente com palavras de amor, representa seu companheiro, seu irmão gêmeo.
– Irmão! Amado, desperta! Levanta-te, meu Lúcifer! A noite está desaparecendo, e logo o dia do Céu começará. Agora devemos cantar louvores ao nosso Pai, e levantar as nossas vozes em adoração e gratidão a Deus.
Como distante trovão veio o questionamento das palavras dos lábios trêmulos, e fora dos olhos tristes um relâmpago:

– Oh! Onde estou?
E a resposta:

– Tu estás no céu, Lúcifer.
Mas novamente a pergunta:

– Onde foram estas idades? Esta queda, esse sofrimento através de inúmeros anos, e sempre lutando contra ti, meu amado, destruindo o teu trabalho e matando-te. Onde eu estive?
– Nem por um só instante de tempo tu deixou o céu, Lúcifer. Mas estavas com os teus Irmãos no bosque sagrado, sob as grandes árvores, tens dormido a noite, ao invés de estar comigo no palácio. Solitário fui eu, meu irmão, pois eu perdi a tua presença.
– Mas estas dores, estas noites de escuro sacrifício que eu vi e vivi? Esses sofrimentos, esses crimes, esta agonia? Onde que eles estavam, de onde vieram e para onde eles foram?
E a resposta ardente,  foi com palavras de amor
– Amado! Foi apenas um sonho.




Texto extraído do livro Science of Being de Eugene Fersen,  tradução de Jonas R. Sanches.