quinta-feira, 14 de abril de 2016

Hilel - O Ancião



Hilel, o Ancião, (em hebraico: הלל; c. 60 a.C. - c. 9) é o nome pelo qual é conhecido um célebre líder cabalista, que viveu durante o reinado de Herodes, o Grande na época do Segundo Templo. Estudioso respeitado em seu tempo, Hilel é associado a diversos ensinamentos da Mishná e do Talmud, tendo fundado uma escola (Beit Hilel) para ensino de mestres.

INFORMAÇÕES GERAIS

Hillel foi um famoso líder cabalista, uma das figuras mais importantes na história de Israel. Ele está associado ao desenvolvimento da Mishnah e do Talmud. Renomado como um sábio e estudioso, ele foi o fundador da Escola de Hillel escola para Tannaïm (Sábios da Mishnah), e fundador de uma dinastia de sábios que se encontra à frente dos israelitas que vivem na terra de Israel até aproximadamente o quinto século da Era Comum.
Hillel viveu em Jerusalém durante o tempo do rei Herodes e do imperador romano Augusto. Na compilação Sifre Midrash (Deut. 357) os períodos da vida de Hillel são feitos paralelos aos da vida de Moisés. Tanto viveu 120 anos, na idade de quarenta Hillel foi para a Terra de Israel, ele passou quarenta anos em estudo, e o último terço de sua vida ele era o chefe espiritual do povo israelita. Sua atividade de quarenta anos que abrangeu o período de 30 Antes da Era comum a 10 Depois da Era comum.

BIOGRAFIA

Hillel nasceu em Babilónia, e, de acordo com a Iggeret de Rav Sherira Gaon (uma história abrangente da composição do Talmud do século 10. EC), Hillel descende da tribo de Benjamin por parte de pai e, a partir da família de David por parte da mãe. Nada definitivo, no entanto, é conhecido sobre a sua origem, nem em qualquer lugar ele é chamado pelo nome do seu pai, que talvez tenha sido Gamliel.
Quando Josephus ("Vita", § 38) fala do bisneto de Hillel, Rabban Shimon ben Gamliel I, como pertencente a uma família muito célebre (γένους σφόδρα λαμπροῦ), ele provavelmente se refere à glória que a família teve devido à atividade de Hillel e Rabban Gamliel Hazaken. Apenas o irmão de Hillel Shebna é mencionado, ele era um comerciante, enquanto que Hillel se dedicou a estudar a Torah, ao mesmo tempo em que trabalha como um lenhador.

ÉTICA


Ele é popularmente conhecido como o autor de duas frases: 

"Se eu não sou por mim mesmo, que será de mim? E quando eu sou para mim, que sou eu? E se não for agora, quando?"

e a expressão da ética da reciprocidade, ou "regra de ouro": 

"Não faças aos outros aquilo que não gostarias que te fizessem a ti. Essa é toda a Torá, o resto é a comentário; agora ide e aprendei.".

quinta-feira, 24 de março de 2016

O Significado Cósmico das Festas Cristãs



A Virgem Celeste com o deus Sol em seus braços,
JAKnaap.


O presente ensaio foi inspirado no trabalho "Alegorias Astronômicas da Bíblia", que integra a obra “The Rosicrucian Christianity Lectures”, que reúne um ciclo de Conferências Públicas ministradas por Max Heindel em 1908, nos E.U.A., tendo como leitura complementar a obra Star Gates de Corinne Heline.
Max Heindel, no trabalho aqui comentado, aborda a questão do MITO SOLAR e mostra "que o confronto entre a Luz e as Trevas no mundo físico está intimamente relacionado, nas Escrituras das diferentes religiões, com a luta dos poderes da Luz e da vida espirituais contra aqueles da escuridão e da ignorância, e que esta verdade foi universalmente difundida entre todos os povos em todas as épocas. ", concluindo:
"Em nossa época materialista estas verdades estão sendo temporariamente relegadas ao esquecimento, ou consideradas conto de fadas, sem nenhum apoio  verídico. Mas tempo virá, e não está  muito longe, em que essas  relíquias serão  restauradas e novamente respeitadas como corporificação de grandes verdades espirituais."
O presente ensaio visa a focalizar um aspecto do Estudo do Mito Solar: "O Significado Cósmico das Festas Cristãs". Não se pretende aqui esgotar o tema, mas apenas contribuir para resgatar o sentido espiritual destas festas, eclipsados na noite dos tempos.

Os Corpos Celestes e os Ritos Religiosos

Sob o ponto de vista materialista os planetas são massas ou aglomerados de matéria que giram em torno do Sol segundo órbitas elípticas em respeito às leis mecanicistas que regem o Universo. Sob o ponto de vista Ocultista os planetas são os Corpos de Grandes Espíritos movendo-se no Espaço, o campo macrocósmico, assim como nos deslocamos no mundo. Para o Ocultista os movimentos cósmicos não são fortuitos, os diversos fenômenos celestes possuem um profundo significado espiritual.
As Festas Cristãs estão relacionadas com o ciclo dos astros através do espaço. A Igreja celebra cerca de 14 festas fixas e cerca de 10 festas móveis (reguladas pela data da Páscoa, também móvel).

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As Festas Móveis são reguladas pela Páscoa, que é a festa eclesiástica reguladora de todas as demais festas eclesiásticas móveis do ano. A fixação da Páscoa para os judeus e cristãos se baseia na Lua Cheia posterior à entrada do Sol em Áries, ainda que com a diferença de que os judeus a celebram neste próprio dia e os cristãos no domingo seguinte. O domingo, do latim Domini Dies, o dia do Sol, é considerado o dia da ressurreição do Senhor.
No calendário gregoriano, a Páscoa  deve cair entre 22 de março e 25 de abril, e as demais festas móveis variam em relação à variação da data da comemoração da Páscoa.

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Atualmente pouquíssimas pessoas guardam algum conceito do significado espiritual das festas eclesiásticas comumente observadas. Ainda que as Igrejas Católica Romana e Anglicana da Inglaterra observem tais solenidades festivas, seu significado interno tem se perdido amplamente. Tais festas religiosas estão intimamente relacionadas com o ciclo do Cristo Cósmico através do ano tendo como pontos cardeais os Solstícios de Verão e Inverno e os Equinócios de Primavera e Outono. Nos Equinócios o dia  e a noite apresentam a mesma duração. No Solstício de Inverno, a noite é mais longa e no Solstício de Verão o dia é maior que a noite.
No Hemisfério norte é costume pensar o ano Solar (distinto do calendário anual gregoriano) começando no Equinócio da Primavera, quando o Sol transita de Peixes para Áries. As estações estão invertidas no Hemisfério Sul. No nosso Hemisfério Sul a Primavera está associada com o Equinócio em Virgo-Libra; porém o tempo do começo da Primavera varia de latitude a latitude, do equador aos pólos, em ambos os hemisférios.

O Equinócio




Como os Mistérios da chamada Época Ária foram estabelecidos amplamente no Hemisfério Norte ( que incluía a maior área da Terra e a maioria de sua população) e como os Mistérios Arcanos incluíam grandes espetáculos dramáticos representativos dos fenômenos da Natureza, é do Hemisfério Norte que provêm a maioria do material alegórico do drama dos Mistérios como os conhecemos atualmente e como eram conhecidos pelos Antigos.
Todavia, espiritualmente interpretadas as alegorias dos povos do Hemisfério Norte são universalmente aplicáveis. É a ideia de Primavera, - eternamente nova na Mente de Deus - , que importa para a alma. Na consciência espiritual não existe tempo ou espaço. no Mundo dos Arquétipos só existem o Aqui e o Agora.
A alma do ano se abre para o aspirante no Equinócio de Outono, época em que um novo impulso espiritual desce sobre a Terra, estimulando o despertar da consciência espiritual do homem. Em consonância com este impulso o aspirante trabalha espiritualmente na produção da Pedra Filosofal.
É o aspecto astronômico e não os aspectos geofísicos das Estações que importam nos Mistérios, que se articulam diretamente com as Forças Arquetípicas.
Observando o lugar onde está geograficamente situado, o primeiro trabalho do Neófito - a Preparação através da Purificação - é o trabalho do Equinócio de Outono. O Segundo Trabalho - Dedicação - pertence ao Solstício de Inverno. O Terceiro Trabalho - Ressurreição (transmutação, nova vida) - ao Equinócio da Primavera. E o Quarto Trabalho, - Consumação (transformação) - pertence ao Solstício de Verão.
O Cristo é um Ser Cósmico e Sua Vida está marcada por caracteres estelares. A Iniciação dos Mistérios Cristãos é também um processo cósmico que acelera a Evolução Humana, estando relacionada com o Ciclo Crístico ao longo do Ano Solar.
Trataremos agora de enunciar o significado esotérico observado pelos Místicos Cristãos ocultos nas Festas Eclesiásticas, significado este esquecido ou perdido pela Igreja Ortodoxa.

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No Solstício de Inverno para o Hemisfério Norte (Verão no Hemisfério Sul) o Sol se desloca, longitudinalmente, ao longo da eclíptica passando de Sagitário à Capricórnio. Em termos de posição relativa ao Equador Celeste (projeção do Equador Terrestre na Esfera Celeste) atinge o nadir, o ponto máximo de declinação Sul, que é também um ponto de inflexão em seu movimento aparente, que se reverte ascendendo em direção ao Equador e ao Hemisfério Norte.
Tal evento está ilustrado na mitologia de diversos povos e a Cristandade comemora o Natal, o dia do nascimento do Salvador, ungido para nos salvar do frio e da fome (que seriam eternos no Hemisfério Norte se o Sol permanecesse sempre no Nadir, abaixo do equador, no Hemisfério Sul).
Na época do Natal, após o Solstício de Inverno no Hemisfério Norte, o Raio Cósmico de Cristo atinge o Centro da Terra, o Mundo Físico. É considerada pelo Místico Cristão como a Noite mais santa do ano, especialmente propícia a realização de seu Inventário Espiritual, ou Retrospecção Anual.
De 26 de Dezembro a 6 de Janeiro transcorrem os chamados doze dias santos, que simbolizam os doze signos do zodíaco e seus atributos arquetípicos respectivamente.
Em 6 de Janeiro, Sol em Capricórnio, comemora-se a Festa da Epifania - a Chegada dos Três Reis Magos - . No Caminho do Discipulado tal festa significa a tríplice dedicação do Espírito, Alma e Corpo, e suas ofertas de Amor, Vida e Serviço, ao Cristo Menino.
Em sua marcha ascendente em direção ao Equador Celeste, o Sol transita na Eclíptica o Signo do Aguador (Aquário), havendo uma analogia entre as chuvas recebidas pela Terra e o Batismo do Salvador. Em 2  de janeiro comemora-se o Rito da Apresentação do Senhor. Em fevereiro, na Festa da Purificação, o discípulo Místico Cristão observa tal época como uma estação intensamente favorável a uma tríplice purificação dirigida a seus veículos.
Quando o Sol atravessa o Místico Signo de Piscis, em março, as reservas do ano passado foram consumidas e o alimento do homem escasseia, daí o longo jejum da Quaresma.
O Místico Cristão compreende o sentido alegórico da alimentação com peixes. Sendo voluntariamente vegetariano, não se trata de consumir tal alimento, mas de assimilar as virtudes da alma relacionadas com este signo, purificando seus veículos.
Ao atravessar o Equador no Equinócio da Primavera no Hemisfério Norte (Outono no Hemisfério Sul), o Sol se encontra em Áries, no Nodo Oriental. Dá-se a simbólica e cósmica Crucificação do Salvador. Ao atravessar o Equador Celeste atingindo os graus de declinação Norte, o Sol o faz ao longo da Eclíptica transitando longitudinalmente de Piscis a Áries. Ao penetrar o Signo de Áries, o Cordeiro de Deus é sacrificado pela Salvação do Mundo, marcando o início da Primavera no Hemisfério Norte, época de germinação das plantas (É Outono, época de colheita no Hemisfério Sul). Nos tempos pré-cristãos celebrava-se nesta época o retorno da Primavera e a vitória da Luz  sobre as trevas.
O Equinócio da Primavera é um dos pontos culminantes do ano para o discípulo. Suas notas-clave são Liberdade e Emancipação, que lhe facultam a expansão da Vida. Nesta época o Cristo Cósmico é liberado da Terra a qual serviu com bondade durante os meses invernais (no Hemisfério norte), ascendendo aos elevados planos espirituais. É uma época propícia para o discípulo avançado romper os atavismos mundanos que limitam sua entrada nos planos espirituais.
Entre as festas fixas realizadas nesta época, a Igreja celebra a Festa Eclesiástica da Anunciação do Senhor, em 25 de março, quando a natureza comemora a cósmica Festa da Anunciação, da Vida, por haver uma íntima relação entre ela e o homem, que se refletem mutuamente.
Os mais sagrados rituais observados pelos homens estão relacionados com as mudanças das estações. O Santo Espírito da Primavera tem sido exaltado pelos poetas quando o esplendor verdejante e florido da Natureza evidencia o retorno das forças de vida, respondendo triunfantemente ao impulso da Ressurreição Cósmica.
Em nosso Hemisfério Sul tal explosão de Vida exaltada na Primavera ocorre em Libra, coincidindo com o Retorno de Cristo em direção à Terra.
Tal culminação primaveril, notada no Hemisfério Norte quando o Sol entra em Áries culmina em Abril que tem sido designado o mês da Ressurreição.
Como sabemos, a Páscoa é a festa móvel reguladora de todas as demais festas móveis celebradas pela Igreja Cristã.
Os hebreus celebravam a Páscoa comemorando sua saída do Egito sob a direção de Moisés; para eles coincide com o 14º mês lunar (de Bif ou Nizán), ou seja, o dia da Lua Cheia do primeiro mês do ano religioso. Deve ter-se em conta que o Sol esteja no Signo de Áries, como indica as seguintes passagens do Antigo Testamento: Números 9:15; 2ª Crônicas 8:13; 2ª Crônicas 30:1-22; 2ª Reis 23:21-23; e Esdras 6:19-22. Uma das bendições na celebração era a ação de graças pela liberação da servidão no Egito e a proclamação da Lei (Mateus 26:27, 1ª Coríntios 10:16), concluindo a festa com Salmos de Agradecimento.
A Igreja Cristã, no Concílio de Nicéia, estabeleceu que celebraria a Páscoa ao domingo seguinte ao dia da celebração judaica, salvo quando a Páscoa judaica caísse no domingo, pois então a Páscoa Cristã seria celebrada no domingo seguinte .
A fixação da Páscoa, portanto, tanto para os judeus quanto para os Cristãos se baseia na Lua Cheia após a entrada do Sol em Áries, ainda que com a diferença de que os judeus a celebravam neste mesmo dia e os cristãos no domingo seguinte.
A Páscoa Cristã se celebra no domingo porque Jesus Cristo "ressuscitou" num Domingo, Dia do Sol, no calendário inglês, alemão, etc. Considera-se o Domingo o dia do Senhor. Domingo deriva do latim "Domini Dies".
No calendário gregoriano a Páscoa oscila entre os dias 22 de março e 25 de abril, e as demais festas móveis sofrem esta mesma variação porque devem ser celebradas determinados números de dias antes ou depois da Páscoa.
A Sexta-feira Santa é observada na Sexta-feira anterior ao Domingo de Páscoa. É observada a penitência pelos Cristãos Ortodoxos, que focalizam seus pensamentos sobre o sofrimento e a crucificação de Nosso Salvador. Os Místicos Cristãos, entretanto, observam com júbilo este santo dia, por simbolizar a liberação do Cristo Cósmico dos limites físicos da Terra, na qual esteve confinado durante meio ano em amoroso sacrifício pela Humanidade. Os Místicos Cristãos compreendem que Seu sacrifício e a ressurreição constituem um serviço redentor pela Humanidade, que será contínuo até que a Humanidade como um todo possa emergir espiritualmente livre das conseqüências da alegórica Queda, descrita no livro de Enoch, imposta pelos Lucíferos, que abriram precocemente a percepção humana aos planos externos.
O Sagrado Rito da Eucaristia na Sexta-feira Santa simboliza a Nova Aliança do Novo Testamento, onde Cristo como Espírito Interno da Terra salva o Mundo propiciando a fecundação da vida no planeta e impulsiona o nascimento do Cristo Interno no coração dos homens.
Trinta e nove dias após a Páscoa celebra-se a Ascensão do Senhor que geralmente ocorre de Taurus para Geminis, em maio ou junho. Próximo a esta época , quando o Sol transita de Taurus a Gemini, as Hierarquias Celestes celebram a glória do Redentor em sua ascensão aos Reinos Espirituais. Como a Natureza está em harmonia com as correntes ascendentes de Cristo, durante os quarenta dias entre a Ressurreição e a Ascensão, tal período constitui uma época intensamente auspiciosa para o discípulo, que pode despertar interiormente os poderes espirituais no Caminho do Verdadeiro Discipulado.
Quarenta e nove dias após a Páscoa comemora-se a Festa de Pentecostes, que sintetiza as experiências místicas dos primeiros discípulos que viveram em íntima comunhão com o Senhor Cristo durante o período de Seu ministério.
No domingo seguinte à Festa de Pentecostes comemora-se a Santíssima Trindade. Esotericamente celebra-se a tríplice atividade do Pai, Filho e Espírito Santo. Os Místicos Cristãos sabem que os Domingos (SUNDAY), dias solares, da Trindade simbolizam o supremo trabalho do Raio Cósmico de Cristo no Ciclo do Ano Solar. É durante os meses de junho, julho e agosto que os trabalhos de Cristo em uníssono com a tríplice divindade e com as três Hierarquias de Gemini (Seraphim), Cancer (Cherubim) e Leo (Senhores da Chamar) em resplendor, energizam e espiritualizam a Terra e tudo o que existe sobre ela.
Na quinta-feira (dia de Júpiter) seguinte ao domingo da Santíssima Trindade a Igreja comemora o Corpus Christi.
Quando o Sol entra em Gemini, em junho, o Senhor Cristo passa ao Terceiro Céu, o Mundo do Pensamento Abstrato, o mais elevado mundo alcançável pela mônada humana nos ciclos de vida do esquema evolutivo do atual período terrestre.O Primeiro Céu é o Mundo da Cor, o Segundo Céu é o Mundo do Tom (som) e o Terceiro Céu é o Mundo das Idéias Abstratas, um mundo de Pura Luz Branca onde as almas iluminadas aprendem a ouvir a Voz do Silêncio.
Quando o Sol transita de Gemini para Câncer, temos o Solstício de Verão no Hemisfério Norte ( Solstício de Inverno em nosso Hemisfério Sul). Temos como festa eclesiástica o Nascimento de S. João, celebrada no dia 24 de junho, próxima a este grande evento cósmico.
Quando o Sol entra em Câncer, o Senhor atinge a Sua própria morada celeste - O Mundo do Espírito de Vida - onde a Unidade e a Harmonia reinam supremas.
É significativo que o nascimento de Cristo seja celebrado em Capricórnio, signo oposto à Câncer, signo em que se celebra o nascimento de S.João Batista, o arauto da vinda do Messias.
No Solstício de Verão no Hemisfério Norte, quando o Sol atinge sua maior declinação acima do Equador, ao Norte, a Natureza celebra o Festival das Fadas.
No dia 6 de agosto, com o Sol em Leão, a Igreja celebra a Transfiguração do Senhor. Durante o Signo de Leão o Espírito Arcanjélico de Cristo atinge o Trono do Pai, o Mundo do Espírito Divino. Nas Escolas de Mistério medita-se sobre a Transfiguração do Senhor e o discípulo avançado cultiva o Amor como a principal força motivacional em sua vida.
Ainda com o Sol em Leão, no dia 15 de agosto, comemora-se a Festa da Assunção de Nossa Senhora.
Em 8 de setembro a Igreja comemora a Natividade de Nossa Senhora, época dedicada à Paz. A iluminada Maria trabalha para iluminar e inspirar todas as mães da Terra por meio da pureza e da paz. O Sol transita o Signo de Virgem.
Em setembro o Senhor Cristo, através da emanação de um Raio Cósmico, reinicia Sua marcha descendente em direção aos planos densos. As palavras-chaves do signo de Virgem são Serviço e Sacrifício. O discípulo medita sobre a passagem bíblica:
"Se algum homem desejar ser o primeiro, o mesmo deverá ser o último de todos, e o servo de todos" (Marcos 9:35).
Com o Sol entrando em Libra, no final de setembro, e as forças cardinais deste signo permeando a Terra, o Místico Cristão celebra a Festa do Equinócio de Outono (No Hemisfério Norte, em nosso Hemisfério Sul é Primavera).
O aspirante no Caminho da Iniciação deve descer do topo das montanhas da exaltação espiritual para servir nos vales mais profundos e tristes do Mundo Físico.
Em seu Caminho para Damasco São Paulo pôde contemplar e se conscientizar da importância e sublimidade do sacrifício anual do Espírito Solar, transformando-se de arquiperseguidor num dos mais ilustres mensageiros de Cristo, a Luz do Mundo.
O aspirante espiritual que trilha o Caminho Rosacruz reconhece o significado cósmico oculto nas festas eclesiásticas, e observa o ciclo do Cristo Cósmico  a cada ano, mediando às vibrações das Doze Hierarquias Zodiacais ao nosso campo evolutivo.  Procura   sintonizar-se  com o rítmo do  Ciclo do Cristo Cósmico, O Caminho, a Verdade e a Vida.



- Por um probacionista (Org.). Texto estabelecido a partir da obra de Max Heindel e Corinne Heline.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O SONHO (Alegoria sobre a queda de Lúcifer)


Noite! A fragrância de um verão quente, noite impregna toda a Natureza. O firmamento cheio de estrelas brilhando como diamantes, um líquido de beleza reluzente, através do qual a bela escuridão da noite está desaparecendo.
Macio, leve vida invade a atmosfera clara como vapor de ouro. Aumenta constantemente, penetrante e cobrindo cada coisa. Banhado em seu brilho,  aparecem cintilantes picos de diamantes, montanhas de topázio e ametista, pedras maciças de esmeralda, monólitos gigantescos de safira, etapas do chumbo infinito para regiões mais altas. A Luz cresce em força, revestindo todas as coisas com cor e calor. Esses não são os raios do sol nascente por detrás dos montes, mas um brilho incandescente proveniente de todos os lados, abraçando tudo e aumentando assim a tensão da música; na verdade, não há música no ar. Melodias suaves são tremores, macias harmonias estão vibrando e misteriosos ecos a respondê-las.
Situado no meio destas montanhas preciosas, rodeado por um bosque de árvores gigantescas, tão sublimes que parecem estar falando com as nuvens, ergue-se um palácio gigantesco como uma cidade e de beleza maravilhosa. As paredes são fluxos da luz saindo do chão a jorrar em todas as cores do arco-íris. Seus apartamentos, telhados, torres e cúpulas são nuvens de ouro de onde o brilho da radiação luminosa está vertendo o esplendor da manhã.
E ainda a Luz cresce em força. Através do telhado de ouro do Palácio sobe um cortejo inumerável de seres humanos, cada um aparentemente mais maravilhoso que o outro.
De altura  e tamanho quase similares são eles, mas como são diferentes cada um! Alguns são como lava ardente fluindo da cratera de um vulcão, outros são como MOONRAYS que fazem viver os seres; algumas cachoeiras rugindo como que arco-íris a jorrarem sobre suas cabeças, alguns como pedras preciosas vivas. Seus corpos aparecem em toda a sua maravilhosa glória: não escondem que abrangem a beleza eterna.
E os olhos, como quando o Espírito parece ele mesmo sobre o mundo que ele criou, cheio de suprema majestade e poder, cheio de amor infinito, é brilhante em seu rosto divino!
Dois desses seres subiram como o resto das profundezas do Palácio, e como irmãos gêmeos estrelas subiram carinhosamente abraçados no alto da torre mais alta. Radiantes e mais maravilhosos do que os outros são eles. Como uma estrela brilhante é o rosto de um deles, mais alto e mais forte do que o de seus semelhantes, é como uma opala fosforescente. Córregos de Luz de vida estão fluindo através de seu corpo e fazendo-o brilhar em tons iridescentes. Os olhos dele são raios; uma nuvem roxa em seus cabelos; e quando ele fala e se move, longe o trovão é escutado… Dourado e brilhante é o seu companheiro, o seu corpo tecido de raios do sol, seu cabelo uma chama brilhante, seus olhos refletindo a glória do céu em si; e quando ele fala e se move, macias harmonias enchem o ar.
Com gestos de adoração, eles levantam suas armas em cântico triunfal — saudação ao Espírito de Graça, para o Grande Doador. Seus irmãos seguem na canção, toda a Natureza se une a este hino de gratidão. Aves e animais, árvores e flores, pedras e nuvens, águas e o solo em si, cantam o eterno elogio do todos os seres para o supremo Ser, seu Pai Divino. Mais forte e mais assombroso cresce a elevada canção, inundações no infinito do universo, com louvor e amor, ele sobe a um trovão de triunfo e morre em silêncio.
Silêncio! Uma brisa límpida move o ar e cada um sente dentro de si as palavras, “Amor e Vida”. O Grande Espírito, O Pai, em comunhão com Seus filhos.
Felicidade infinita enche todo o ser, e permeia o Universo. O Dia no Céu começou.
Mas a banda triunfante passa fora da visão; os telhados estão desertos e os dois, os gêmeos Celestes, voltam para o Palácio. E lá eles estão dentro da grande torre, no meio dela. Altas paredes circulares os cercam, mas há uma abertura nas paredes. Profundo e misterioso é o material de que são construídos; também é precioso, pois seu nome é Silêncio. E sobre as paredes do poderoso Silêncio, elevando-se alto para o ar livre, são definidos pilares elevados. Precioso também é o material de que são feitos, brilhando em todas as cores do arco-íris, seu nome é Esperança. E através destes pilares da Esperança esticando seus eixos delgados para o alto ar, são nuvens de vela dourada. Silenciosos eles se movem através da torre do silêncio, mas as aves com o farfalhar de suas asas, não se atrevem a voar por causa do sagrado silêncio.
E sobre estes pilares da Esperança descansa uma gloriosa cúpula, resplandecente como um sol e Alegria é o material de que a cúpula é feita. E o chão em que eles estão é um transparente cristal mãe, uma lente gigantesca, a visão através dela mostra o Universo inteiro, parecendo esticado para fora de seus pés. Mundos sem número, todas as estrelas, sóis, sistemas, cadeias de planetas, todos os seres, todas as coisas, o maior e o menor, pode ser visto através desse cristal.
O Entendimento é o material do qual o piso é feito. Com os pés bem assentes estabelecidos no acordo com o Silencio em torno deles, com esperança elevando-se sobre eles e com a maior alegria, se elevam dois relógios, mantendo todo o mundo.
Com voz de um trovão, fala para seu companheiro.
– Oh! Tu és amado! Tu, radiante Alegria do Mundo! Uma vez mais, estamos prontos para cumprir a nossa carga, para realizar os nossos deveres no regime do teu eterno Amor do Mundo, a mente dele. Todo o conhecimento, todos os poderes são nossos. Por que então devemos todas as manhãs, cumprimentar o nosso Mestre? Um Ser que ninguém jamais viu? Tu és de Eternidade e eu estou desde a eternidade, e por isso todos são nossos irmãos. No entanto, quem já viu Aquele que diz ser nosso Pai, e quem é chamado de Deus? Verdade é que todas as manhãs, uma Voz fala dentro de nós, mas não há ninguém, pode se dizer que ela não vem da nossa própria consciência.
Por que devemos adorar a qualquer tempo Aquele que permanece um mistério para nós? É suficiente que devemos ser escravos de um desconhecido mestre. Vamos nos libertar dos grilhões pelos quais estamos agora ligados. “Todos os poderes, todos eles são as nossas forças, por isso vamos à regra, Mundo, nós dois, as maiores potências do presente Mundo”.
A resposta veio macia e veloz, no curso do próprio amor.
– Ah Irmão! Porque estas palavras de orgulho, e revolta? Tu sabes, para o teu coração diz-te apesar de tudo que existe um Deus, que temos um Pai invisível, que é também nossa Mãe amorosa e que envolve-nos, seus filhos, em seu Divino abraço. Ele continuamente pensa em nós.
Ele planeja incessantemente para nossa alegria. Para nós, ele derrama  manifestações de infinita beleza, as maravilhas transparecem, a partir das regiões não-manifestas do seu coração. E Ele não pede nada de nós, mas o nosso amor. É tão difícil amar Aquele que nos ama assim?
Demita esses pensamentos de rebelião, esquece estas palavras orgulhosas. Tristeza só pode vir a partir delas, meu irmão.
Como um trovão repentino, como o rebentamento das inundações falhando, veio a rugir, quebrar em um infinito clamor.
– O que é esse poder oculto que pode obrigar a mente? Mente, a luz cintilante de todos os mundos, é regente do Universo. No lugar de servo devo ser satisfeito a seguir. Mas, se tu, oh meu irmão gentil! Trace as suas regras comigo, a compartilhar meu poder. Só então poderei comandar o mundo.
E com estas palavras, rápido como um raio, ele se levanta do chão de Entendimento, através do Silêncio, através da Esperança, através de radiante Alegria, para o aberto. Maior e ainda mais alto, além das preciosas montanhas, ele sobe no ar cintilante, escorrendo atrás de um trem em chamas de fósforo, até que seus pés tocam o cume do mais alto pico de aspiração, o auge do brilho do diamante. Posicionado na torre brilhante, o seu grito ecoa para todo o Mundo.
– Espíritos de Luz! Filhos da Eternidade! O dia da liberdade, da libertação, chegou para nós! Livre vós nasceram, livre vós viverão!
Não mais adoração, não mais rezando mais para um Mestre, um Deus que ninguém jamais viu.
A partir de agora, sereis Mestres de si mesmos.
Vamos todos, venham todos a mim, e sereis livres!
E, a partir das partes escondidas de todos os Mundos, milhares de Espíritos, Filhos da Luz, se juntam. Eles cercam o pico de diamante, onde fica o Ser cujos olhos são raios, cujo rosto é como uma estrela em chamas. Com palavras de adoração eles gritam:
– Saudamos a ti, Lúcifer! Filho da Manhã.
– Saudamos a ti, Libertador! Nosso líder, nosso Mestre, nosso Deus!”
E aquele que se proclama o Mestre, chamou o governante do Mundo, debruçando-se sobre aqueles prostrados a seus pés.
– Eu sou o seu Mestre, eu sou teu Deus!
Siga-me, porque só eu posso dar-lhe a liberdade; novas belezas vós descobrireis através de mim, novos poderes e as forças que vós exerceis. Vocês devem se tornar mais brilhantes do que pensares que sempre fostes, como diamantes flamejantes, mais brilhantes do que os Sóis abrasadores.
Mas, no bosque sagrado, escondido no meio das árvores gigantes, com os olhos tristes e um coração pesado, representa um, cujo nome é Amor, palavras de oração caem de seus lábios.
– Pai, Oh Amado! Coração pulsante de todo o Universo! Perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem. Lhes chamam Deus, Lúcifer eles reconhecem como supremo.
No entanto, ele não é nada, mas é teu filho e todos os seus poderes e as belezas que ele tem provem de ti.
Verdade é que ele parece supremo, pois seus pés tocam o chão, a cabeça atinge o céu e sua glória parece preencher todo o espaço, ainda que são tão enganados quanto ele próprio. É tua glória que continua brilhando através dele, e teu poder é levado para o seu próprio. Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem. Perdoa a meu irmão, Lúcifer, pois ele é ainda mais caro ao meu coração: ele também não sabe o que  faz! “
De sua altura lancinante, Lúcifer ouvindo os fiéis orando, dizia e sorria ele em desprezo. Mas, de repente outra voz, pesada como o destino, reunindo em sua mente talvez a energia imensurável de todos os Mundos:
– Lúcifer! No céu todos os desejos são realizações. Queres ser livre, tu serás livre. Vai tu, e todos aqueles que te adoram, para o voo na seqüência da qual todos vós pertencem. Estas regiões são do Eterno.
A luz pode dar-te mais. Seus corpos são sombras no céu puro. Memórias programáveis, são Esferas de Luz para o vazio extremo exterior.
Vai!
Assim, a Voz do Silêncio abobadado.
E naquele momento, uma carga súbita a partir do grande peso recai sobre Lúcifer e seus seguidores. Eles já não são capazes de oferecer resistência contra o seu peso, e como uma explosão de um trovão de terror, eles caem do Reinos da Luz no vácuo sombrio.
À medida que descem, mais densas são as trevas sobre eles, até que sem nenhuma centelha de luz, sem esperança é o que lhes resta. Na escuridão total, ainda caindo, eles percebem uma região de fogo que os atrai rapidamente para ela com irresistível vigor. E eles são expelidos em um oceano de fogo, de fumaça, de metal fundido, de ebulição e pedra…
Aquele que foi o primeiro a cair, é também o primeiro a subir novamente. E ele vê seus irmãos, seus seguidores, uma vez que o Espíritos de Luz, escurecido, desonrado, apagado, atirado para aquela morada de fogo e sofrimento. E ele os chama:
– Levantai-vos, meus irmãos! Ponham-se de pé, vós que sois ainda os Filhos da Luz! Verdade é que, a partir das mais altas esferas da Alegria, temos sido expressos nesta desolação. No entanto, todo o Conhecimento ainda é meu, e assim todo o poder, e eu vou fazer para vocês neste inferno seu novo Céu, e este novo Céu será chamado Terra.
Enquanto ele fala dos tempos, passam aos ardentes campos de contrato, as chamas incandescentes com um calor mais fraco, os fumos e vapores gradualmente dispersos, e um brilhante planeta, embalado em fogo e beleza é carregado.
A Terra aparece linda — colinas verdes e encostas suaves e campos floridos, cantando riachos, rios de águas límpidas e mar azul, montanhas, abismos e cachoeiras.
E através das aves de uma floresta encantada cem cores estão voando, e nos campos os animais se deslocam. E Lúcifer está satisfeito com sua criação e diz:
– E agora, meus irmãos! Sereis habitantes deste novo Céu e sereis chamados de seres humanos.
E os seres maravilhosos, de estatura elevada, fortes e formosos, aparecem na Terra.
E propagam-se e multiplicam-se, pelo Estado Terra. E Lúcifer é seu rei, o seu Deus.
Estão, justo num mundo que parecia um verdadeiro arremedo dos Céus. Mas o cancro da revolta que os lançou do céu, ainda morava com eles. E o espírito de ciúmes, ódio e orgulho começa a se manifestar, crescer e a se espalhar, até o esplêndido e a Terra volta a ser um inferno. Mas agora eles são incapazes de suportar por mais tempo o sofrimento com que infestaram a Terra, e eles não encontraram nenhuma ajuda ou isenção de Lúcifer. No seu profundo desespero, eles se lembram de seu Pai, e voltam para Ele e rezam novamente para Deus. E Deus, seu Pai, ouve o clamor de suas crianças, e em Seu Coração envia para baixo o seu próprio amor. E o amor desce do Céu a Terra, o Amor torna-se um ser humano, e vive com o amor humano, e ensina o amor aos seres humanos.
Mas Lúcifer, encarnado também como um ser humano, vê a ameaça ao seu poder e uma paixão de ódio e inveja aumenta contra seu irmão e mata seu irmão. E o amor de Deus sacode para fora do peso da Terra, e a Terra fica sem amor novamente.
Então, a tristeza e o terror, mais uma vez prevalecem e o sofrimento se torna insuportável. Novamente os seres humanos clamam a Deus por ajuda.
E Deus, o Pai, a Mãe amorosa, ouve o grito de seus filhos e de seu Coração envia-lhes o seu próprio amor.
O Amor desce do Céu a Terra novamente e o amor se torna um ser humano.
Ama e vive com os seres humanos, e ensina-lhes a Lei do Amor.
Mas Lúcifer, a mente do mundo, de novo encarna como um ser humano levanta-se contra seu companheiro, o seu eterno irmão gêmeo e faz com que ele morra, pois vê nele a grande ameaça ao seu poder. E mais uma vez, o Amor de Deus retorna ao Pai, e novamente a terra é desabitada de amor.
Assim, através dos séculos, sempre que a miséria aumentar o sofrimento sobre a Terra a fim de tornar a vida insuportável, os filhos da Terra clamam por um libertador. E sempre amável, gentil e compassivo; ouve seu chamado e tenta salvar seus irmãos.
Mas Lúcifer sempre se levanta contra Ele, mata o seu corpo e destrói o seu trabalho, pois o Amor é a contínua ameaça ao seu poder.
E quando, pela última vez, o Amor de Deus veio para baixo, para a Terra, e viveu entre os humildes uma vida de um simples mortal, dando à Humanidade a maior lição que o amor nunca deu, Lúcifer, encarnado como um ser humano trama mais uma vez contra o seu irmão, lhe trai e o leva a sua morte na cruz. Mas Ele, do qual o mundo não era digno, à respiração de seu último suspiro, morrendo como um criminoso em cima da árvore maldita orou para aqueles que o crucificaram:
– Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem. Pai perdoa meu irmão Lúcifer, pois ele não sabe o que  faz.
Estas palavras queimam no apaixonado Lúcifer como um relâmpago em seu coração, e ele sai e da um fim ao seu ego humano.
E, levantando-se como um espírito, vendo o grande sacrifício de amor do seu irmão e os infinitos males de sua própria idade e o velho pecado. Ele viu a dor e o sofrimento que veio através dele a todos os seres, e ele sentiu  o seu frio coração de pedra derreter e amaciar, e ele chorou lágrimas de sangue, lágrimas de fogo. E aquelas lágrimas caíram sobre a Terra e o trem-Terra sangrou até a sua fundação.
Assim, pela primeira vez, depois de incontáveis idades de revolta, Lúcifer levantou os olhos para Deus, e as palavras de oração saíram de sua boca:
– Pai! Eu sei da imensidão dos meus pecado, e vim pedir perdão eu mesmo. Para crimes como o meu que não pode ser expiados. Mas, oh! meu Pai, perdoa-lhes, aqueles que me seguiram na minha queda. Perdoa-lhes, porque não sabiam o que faziam.
Não foram culpados, mas que me amavam mais que a Ti, e ouviram a magia das minhas palavras, o brilho da minha mente, para que Tuas Leis fossem esquecidas. Portanto, eu rogo-te, perdoa-los e leva-los de volta a Ti, deixa-los voltar as puras Esferas de Luz, onde Alegria, Harmonia e Serenidade reinam. Mas para mim, se é pela minha condenação eterna para que eu possa ganhar a sua eterna salvação, estou pronto a ser condenado pela Eternidade.
“Depois do silêncio em abóbada, uma voz, recolhida em seu poder a imensurável Energia de todos os mundos:
– Lúcifer, o teu sacrifício é aceito e através do teu sacrifício que o mundo seja salvo.
E ele, o Orgulho, que tinha pensado ser um Deus, de joelhos dobrados, e com a sua cabeça tocou o pó da terra.
Como medida de trovão soou suas palavras:
– Pai, eu Te agradeço!
E mais uma vez a voz:
– Lúcifer, tu pecou muito, mas tu também amavas muito. Infinito é teu pecado, mas infinito sacrifício também é teu ato conseguinte, tu és perdoado. Vá pelo mundo, viver entre as crianças do Mundo, e leva-lhes a Luz do Conhecimento purificado pelo Amor. Assim, os véus da auto-ilusão serão retirados uma por uma, as limitações serão removidas, conquista o sofrimento, tristeza e transmuta em alegria. E quando a última falha humana puder ser destruída, quando todos os teus irmãos  vierem para junto de Mim, então chegará teu dia de libertação. Tua plumagem de inspiração, chamuscada pelo fogo do inferno, terá crescido novamente suficientemente forte para levantar-te da Terra e a suportar-te de volta para o Céu. E ali, nos polidos portões do céu, os portais da Eterna Harmonia, o teu amor, teu irmão, tua eterna Mãe, estarão à espera de ti, para te trazer de volta para mim! “
E Lúcifer entrou no mundo. E Lúcifer ensinou o mundo. E para o mundo Lúcifer levou a Luz do Conhecimento puro, brilhando com a chama do amor.
Noite! A fragrância de um Verão quente, a noite permeia todas as coisas. O firmamento ardente com as estrelas e além das estrelas, a escuridão suavemente desaparecendo. O radiante Palácio, o bosque sagrado e acima deles, as montanhas de pedras preciosas. E no bosque sagrado cujas árvores estão falando com as nuvens, descansou com miríades de seres do sono da Luz Eterna. Debaixo da árvore mais elevadas, a mais elevada rainha de todos os bosques, encontra-se uma cujo semblante é como um Deus. Ele está em sono profundo, e inclinando-se sobre ele, chama-lhe suavemente com palavras de amor, representa seu companheiro, seu irmão gêmeo.
– Irmão! Amado, desperta! Levanta-te, meu Lúcifer! A noite está desaparecendo, e logo o dia do Céu começará. Agora devemos cantar louvores ao nosso Pai, e levantar as nossas vozes em adoração e gratidão a Deus.
Como distante trovão veio o questionamento das palavras dos lábios trêmulos, e fora dos olhos tristes um relâmpago:

– Oh! Onde estou?
E a resposta:

– Tu estás no céu, Lúcifer.
Mas novamente a pergunta:

– Onde foram estas idades? Esta queda, esse sofrimento através de inúmeros anos, e sempre lutando contra ti, meu amado, destruindo o teu trabalho e matando-te. Onde eu estive?
– Nem por um só instante de tempo tu deixou o céu, Lúcifer. Mas estavas com os teus Irmãos no bosque sagrado, sob as grandes árvores, tens dormido a noite, ao invés de estar comigo no palácio. Solitário fui eu, meu irmão, pois eu perdi a tua presença.
– Mas estas dores, estas noites de escuro sacrifício que eu vi e vivi? Esses sofrimentos, esses crimes, esta agonia? Onde que eles estavam, de onde vieram e para onde eles foram?
E a resposta ardente,  foi com palavras de amor
– Amado! Foi apenas um sonho.




Texto extraído do livro Science of Being de Eugene Fersen,  tradução de Jonas R. Sanches.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Civilização Etrusca

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A civilização etrusca era uma raça de origem desconhecida do norte da península Itálica que esteve diretamente ligada com a história de Roma e que seria, mais tarde, integrada nas fundações do Império Romano. Muitas das suas divindades listadas abaixo foram também adaptadas para a mitologia romana.
Durante a fase orientalizante (quando já denominamos esta cultura como Civilização Etrusca), caracterizada pelo contato com os colonos gregos e pelas contínuas permutas comerciais com estes, os Etruscos acabam por absorver da civilização grega grande parte dos elementos que se tornaram parte de sua própria cultura. Sendo assim, assimilam também elementos da mitologia grega, ou pelo menos, um novo modo de conceber a mitologia.
Só então as divindades da civilização etrusca – até aquele momento simples entidades, espíritos divinos de forma vaga e imprecisa – assumem o aspecto humano, isto é, se antropomorfizam. Nesse momento surge também um panteão etrusco muito semelhante ao grego, no qual podemos encontrar notáveis correspondências entre as divindades de ambos os povos. No entanto, elas são postas ao lado de divindades indígenas, nacionais, como a do deus Voltumna, que não tem nenhum correspondente entre os deuses do Olimpo.
Quando os Etruscos foram submetidos ao domínio de Roma, esta absorveu deles também a mitologia. Muitas divindades que citaremos em seguida, de fato, foram integradas à mitologia romana.
Dado que não existem fontes literárias etruscas, mas apenas dois pequenos e incompletos textos, e apenas um modesto número de inscrições, a língua etrusca não é completamente compreendida. Os trabalhos de autores Latinos sobre os sobreviventes religiosos etruscos teriam preenchido essa lacuna se, porventura, tivessem sobrevivido.

Qualquer discussão atual sobre a mitologia etrusca deve ser considerada na base da publicação Prenestina cistae: cerca de duas dúzias de fascículos do Corpus Speculorum Etruscorum que surgiram recentemente. Mais especificamente, a mitologia etrusca e o culto de figuras surgem referidos no Lexicon Iconographicum Mythologiae Classicae. As inscrições etruscas receberam, no entanto, maior destaque numa recente apresentação de Helmut Rix, Etruskische Texte.






quarta-feira, 10 de junho de 2015

Santa Edwiges: a santa duquesa


Nascida no período Medieval, em 1174, Edwiges – morreu em 1.243, e foi canonizada em 1.267 –, foi uma mulher que marcou seu tempo. De família nobre, rica, assistiu, desde tenra idade, a miséria a tomar formas diferentes nas pessoas que conhecia, convivia e amava.
Ao se casar aos 12 anos de idade, com Henrique, duque europeu, a então princesa da Silésia, país de Lebuska, atual Polônia, Edwiges, educada no Catolicismo e dona de uma fé inabalável, deparou-se com uma situação completamente diferente da que estava acostumada a conviver – seu marido, irmão de clérigo, mal sabia rezar.
Cristã, no real sentido da palavra, a esposa de Henrique logo tomou a educação religiosa de seu marido, preparando o caminho da paz em sua casa para a chegada de seus seis filhos – Henrique, Conrado, Boleslau, Inês, Sofia e Gertrudes. E, para conseguir manter sua família dentro do que acreditava, diariamente, levava a família até a capela próxima do castelo onde moravam, para assistirem, juntos, diariamente, à missa.
Mas, suas devoções a Cristo e respeito à Virgem Maria não terminavam em seus horários de missa ou de oração. Entre as prolongadas ausências do marido, que saía a lutar nas guerras que dizimavam vidas e era freqüente naquele período da humanidade, Edwiges aproveitava para visitar famílias nas maiores condições de miséria e buscar o socorro para cada uma delas.
Nessas visitas, descobriu que os maiores problemas que as famílias enfrentavam estavam relacionados à falta de dinheiro. Lavradores, pequenos sitiantes precisavam pagar uma quantia aos proprietários da terra que trabalhavam, sobre a colheita que deveriam ter. Essa colheita sempre era menor do que o esperado devido ao inverno rigoroso e as intempéries do clima do lugar. Sem ter como pagar as dívidas, os lavradores eram presos e suas famílias ficavam abandonadas, sem ter a quem recorrer. Muitas vezes, as mulheres se prostituíam para poder sustentar seus filhos, ou vagavam pelas ruas, à mercê da quase inexistente caridade pública, sendo humilhadas e maltratadas pelos moradores que tinham condições de sobreviver.
Assistindo a dor e a miséria humana, Edwiges, dona de um coração privilegiado para a época, e uma das mulheres que mais sentiram – e demonstraram – como ninguém, a caridade e a compaixão, pagava as dívidas dos presidiários com o dinheiro de seu dote, a quantia que foi dada em época de seu casamento o seu marido que não quis usá-la e deixou a seu inteiro dispor de sua esposa, ajudando-os a reiniciarem suas vidas.
Preocupada com a situação das mulheres que perdiam seus maridos nas guerras e viam-se a mercê da sorte, expostas a estupros e todo tipo de maldade humana, passou a construir em pequenos vilarejos, conventos para abrigar viúvas e órfãos. Muitas tornaram-se freiras e passaram a servir a Deus.
Depois de perder dois de seus filhos precocemente e, por último, seu marido, Edwiges retirou-se para o convento de Trébnitz e ali viveu, em jejum e oração até sua morte, aos 69 anos de idade.
Sua fé foi motivo de muitos pedidos dos que viveram próximos a ela, depois de sua morte e, com vários milagres comprovados, a Igreja Católica a declarou santa em 1.267, 24 anos após a sua morte.

Até hoje, seu corpo é venerado no Convento de Trébnitz, na Polônia, e existem igrejas no mundo inteiro dedicadas à santa.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Ashiata Smiemash



Ashiata Smiemash, nascido por volta de 1200 a.C. foi um místico, reformador e santo de origem sumeriana. Ele promoveu reformas no estudo esotérico de tal forma que influenciaria sobremaneira as doutrinas metafísicas, ocultistas, e gnósticas, ao longo dos tempos.

Resumo histórico

Ashiata Smiemash nasceu nas cercanias da Babilônia, algo em torno de c.1210 aC. Segundo relata Gurdjieff, ele, Ashiata Shiemash, "teve sua concepção no corpo planetário de um menino" e nascera em uma família pobre de descendência sumeriana, em um pequeno lugarejo de nome Pispascana, não muito distante da Babilônia nota 1 que, era naquele tempo, embora ainda não magnífica, já uma cidade famosa. Emenda Gurdjieff que ele cresceu e se tornou um ser responsável, fosse pelo lugarejo em que vivia ou por si mesmo.
Segundo Gurdjieff, em seu livro "Relatos de Belzebu a seu neto (em inglês)", da interpretação de fragmentos cinzelados e chamados por ele de Legominismo, nota 2 nota 3 , observa-se o seguinte texto do próprio Ashiata:
"Do Alto me me foi mandado que viesse a tomar a forma humana de um Ser planetário tri-centrado, nota 4 neste planeta, com o propósito de ajudar a todos los demais [...] Quanto eu tinha dezessete anos, comecei a preparar-me, seguindo ordens de cima, para tornar meu corpo capaz, imparcial e responsável [...] Na época de minha "auto- preparação", pretendia executar uma tarefa a mim confiada, uma vez que atingi a idade responsável [...] ...durante o período de "auto- preparação", [...] durante minhas observações imparciais, vi muitos traços do seu ser [das pessoas, em] manifestações infiltrada[s] [em] meu ser, então, crescerem gradualmente a uma "questão essencial", como as possibilidades para salvar os seres de três cérebros do planeta, usando esses métodos sagrados... [...] ...eu gradualmente tornei-me convencido de que as consequências das propriedades do órgão Kundartiguador, tendo passado por herança através de um número de gerações e ao longo de um longo período de tempo, tinha finalmente chegado a bom termo... [...] ...e descobriu-se que estas consequentes propriedades cristalizados do órgão Kundartiguador formaram, por assim dizer, uma "segunda natureza"... [...] ...decidi que, antes de fazer a minha escolha entre esses caminhos sagrados, [deveria] elevar o meu corpo planetário ao estado sagrado de Ksherknara, ou seja, o estado de "percepção equilibrada em todos os cérebros” e, em seguida, escolher o método a seguir na minha missão."
Ashiata, a seguir passa três grandes períodos de quarenta dias cada, jejuando em uma caverna, diz ele: "Com este propósito, então subi a montanha Veziniama, onde permaneci por quarenta dias e quarenta noites de joelhos, no fundo de minha meditação.", depois "Por mais quarenta dias e quarenta noites, privei-me de qualquer alimento ou bebida, e dediquei-me a recordar e analisar todas as impressões presentes em mim, coletadas através de todas as percepções experimentadas durante a minha existência terrena no período da minha "auto- preparação" e, a seguir "Durante um terceiro período de quarenta dias e muitas noites, fiquei de joelhos e privados de comida e bebida..." Este terceiro período de jejum, conforme relata o V. M. Samael Aun Weor foi definitivo e ele "dedicou-o para terminar com a associação mecânica da mente." nota 5 E ele não "...comia, só bebia água e de meia em meia hora arrancava dois cabelos de seu peito."
No que se segue após os períodos de jejum, e o haver alcançado a iluminação (Satori), ele reflete sobre a condição humana e do modo como poderia resgatar os homens de sua ignorância. Ele percebe então que era muito tarde "para salvar os seres contemporâneos, com qualquer um dos três métodos sagrados" e que por isso deveria entregar o Quarto caminho. nota 6 Ele compreende que o estado humano atual tem suas raízes em um passado remoto e que "essa degeneração ocorreu, certamente, como um resultado do fato de que quando o corpo Kundartiguador foi destruído nos ancestrais dos terráqueos contemporâneos" deixando entretanto "o resultado que cristalizou-se na psique da terra", dando origem às "particulares conhecidas pelo nome de "vaidade", "autoestima", "orgulho", "vaidade", etc." e ainda, como consequência, surgiram no ser humano a "subjetividade". Compreende também que o amor, presente nos seus contemporâneos, é “... em primeiro lugar, um produto cristalizado sobre determinada consequência das propriedades do órgão Kundartiguador..."sendo "...um processo inteiramente subjetivo, tão subjetivo e tão diferente por diferentes indivíduos" e que assim "...se explica esse sentimento, no sentido sexual, outra no sentido de compaixão, um terceiro na subjugação do desejo, em quarto lugar em um apetite veemente para objetos externos, e assim por diante..." mas que nenhuma das pessoas "poderia descrever, mesmo que de longe, o verdadeiro sentimento de amor..." e que assim não poderiam compreender "o sagrado impulso de sentir o amor verdadeiro."
A seguir, depois de um tempo, ele volta para a montanha Veziniama, perto da cidade de Babilônia, onde, segundo ele diz: "continuei efetuando minhas observações destinadas a clarificar a possibilidade de ajudar esses seres infelizes, de uma forma ou de outra." Finalizando, ele diz "foi só então que eu percebi, sem dúvida, com todas as partes separadas da integridade psíquica..." deveriam "participar do funcionamento geral de consciência" e, só assim seria possível "salvar os seres contemporâneos de três cérebros das consequências das propriedades em seus corpos" deste órgão que foram deliberadamente "implementadas por seus remotos ancestrais." Ele então completa dizendo: “... eu decidi dedicar a minha integridade, posteriormente, para a criação de condições que permitissem..." tirar as pessoas de sua “... consciência ordinária comum".
Depois de sua longa estadia no monte Veziniama e de planificar suas atividades, Ashiata Shiemash, não retorna para a Babilônia mas dirige-se para a cidade de Djoolfapal, capital do país chamado Kurlandtech, situado no coração do continente asiático onde estabelece contato com uma chamada de "Tchaftantouri", estabelecida a certa distância da cidade e que seguia certos princípios esotéricos. De lá ele passou a instruir aos membros e, em pouco, começou a enviá-los a vários lugares para que pudessem orientar aos monges de muitos monastérios existentes nos arredores da cidade e, a seguir, passou a enviá-los para que instruíssem publicamente. Como resultado surgiu a "Fraternidade Heeshtvori". Com pouco seus ensinamentos, além de público, havia se alastrado para diversos países da Ásia onde se estabeleceram muitas ramificações independentes da Irmandade Heeshtvon, que seguia cinco princípios básicos:
Esforçar-se para ter na vida tudo o que for realmente necessário e satisfatório para o corpo planetário;
Ter uma constante e persistente necessidade instintiva de aperfeiçoar-se no sentido do Ser;
Esforçar-se conscientemente para conhecer cada vez mais e mais sobre as leis que criam e organizam o mundo;
Esforçar-se, desde o começo da própria existência, para pagar o mais rapidamente possível pelo próprio desenvolvimento e individualidade, para que logo se esteja livre para aliviar, o tanto quanto possível, a dor de nosso Pai Comum;
Esforçar-se para ajudar sempre os outros seres, tanto os semelhantes como os de outras formas, a se aperfeiçoarem, o mais rapidamente, até o grau do sagrado "Martfotai", isto é, até o grau da auto-individualidade.
Estes ensinamentos sobreviveram por longo tempo mas, desafortunadamente, logo após a partida do Santíssimo Ashiata Shiemash, sua obra foi destruída, apagada da face do planeta juntamente com os benefícios da mesma, de modo tal que, muitos de seus contemporâneos não a conheceram sequer os vestígios de tal ensinamento.

Fontes fiáveis

George I Gurdjieff, em suas incansáveis viagens por toda a Ásia Central, em busca de ensinamentos perdidos, encontrou indícios nos chamados "Legonimismos" e concluiu por escrever sobre a existência de um grande mestre, a quem chamou de Ashiata Shiemash, em seu romance esotérico "Do Todo e de Todas as Coisas". nota 7 Alguns acreditavam todavia que Ashiata Shiemash fosse apenas um personagem fictício, e, os mais próximos de Gurdjieff acreditavam que ele fosse o próprio Zaratustra, pela semelhança de data aproximada do nascimento e do local onde vivera. Já o V. M. Samael Aun Weor, corroborando com Gurdjieff, diz que Ashiata Shiemash é um "mestre de compaixão" e que ministrara técnicas aos povos da Ásia, especialmente os da Babilônia, sobre as causas do sofrimento humano que tinha sua raiz no ego. Já James Moore, ao escrever a biografia de Gurdjieff, refere-se a Ashiata Shiemash como uma "uma figura histórica injustamente esquecida”

Obra

Ashiata Shiemash fez uma grande obra na Ásia. Fundou monastérios e estabeleceu por toda parte governantes de consciência. Os ensinamentos de Ashiata Shiemash influenciaram a muitos povos do Oriente, e seus seguidores levaram-no ao extremo Oriente e, chagarm, talvez, até o Vietnã e o Japão. Ao longo dos tempos muitos se assomaram aos seus ensinamentos muitos outros amantes das ciências esotéricas, como por exemplo, além de Gurdjieff, Ouspensky, Nicoll, J.G. Bennett, etc.

Notas

1 -Somente sete séculos mais tarde, a Babilônia atingiria o seu apogeu.
2 - Entende-se por Legominismo ao meio do qual se servem os Grandes Mestres para transmitir pelas gerações seguintes, o conhecimento, as técnicas e o método de se chegar à perfeição. A principal característica de um Legomonismo é a introdução de algumas imprecisões nele estabelecidos de acordo com a Lei do Sete. Ainda segundo Gurdjieff, nenhum dos ensinamentos de Ashiata Shiemash,, de alguma forma, chegou a seus contemporâneos e até as seguintes três gerações após a morte deste. Tudo o sabido de suas atividades santas e discursos foram transmitidos de geração em geração por "iniciados", através de um código chamado Legominismo. Estes discursos foram posteriormente intitulados como "O terror da situação". Sobrevivente ainda é uma tábua ou placa, onde estão gravados seus "conselhos", "mandamentos" e suas "palavras".
3 - Uma dessas tabuletas, cuja raridade é excepcional, lavrada em mármore, datada da época em que Ashiata Shimiemash, ensinava aos seus seus contemporâneos, sobrevive ainda, como uma preciosa relíquia sagrada, em uma fraternidade de nome Obogmek, no meio do continente asiático. - Olbogmek significa "há diferentes religiões, há um só Deus."
4 - A afirmação "Do alto me foi mandado", é o mesmo que dizer Avatara.
5 - Estas associações são: a) Associação mecânica por idéias, palavras, frases, etc, e b Associação mecânica por imagens, formas, coisas, pessoas, etc. 1
6 - O quarto caminho é também chamado de "O Caminho do homem astuto" ou "O caminho iniciático". O primeiro caminho é o do faquir (condicionamento físico), o do monge (emocional, devocional, ascetismo) e o do iogue(intelectual). Os três primeiros caminhos foram definidos de acordo com o homem de três cérebros, como dito por Ashiata Shiemash, sendo os centros "instintivo-motor", "emocional" e "intelectual".
7 - Do Todo e de Todas as Coisas é o título, dado por Gurdjieff aos três volumes de seus escritos mais importantes, sendo eles: 1. "Relatos de Belzebu a Seu Neto"; 2. "Encontros com Homens Notáveis" e 3. A Vida Só É Real Quando “Eu Sou”.

Referências

Aun Weor, Samael - "A Revolução da Dialética" - 1983 (Obra póstuma)
Aun Weor, Samael Aun Weor, Samael - "A Revolução da Dialética" - 1983 (Obra póstuma)

Bibliografia

Gurdjieff, Jorge Ivanovich - "Relatos de Belzebu a seu neto", ano 2003 - Idioma Português - 1ª ed. Ed Horus. Pg 1176 - (ISBN: 8586204072) (ISBN-13: 9788586204074)

Aun Weor, Samael - "A Revolução da Dialética" - 1983 (Obra póstuma)

domingo, 21 de dezembro de 2014

Interpretação Mística do Natal



PREFÁCIO

O conteúdo deste livro foi enviado periodicamente pelo autor, em forma de lições, aos estudantes. Abrange seis das suas noventa e nove cartas. A principal característica dessas lições refere-se ao nascimento místico e à morte do grande Espírito Cristo, abordados sob o ponto de vista de um vidente. O autor recebeu estas jóias raras da verdade através de iluminação divina. O mais positivo materialista deverá convencer-se da divindade do homem após ler as revelações do autor sobre o significado oculto do Cristo e os princípios por Ele proclamados.
Dezessete das noventa e nove lições foram editadas em forma de livro sob o título "A Teia do Destino"; nove foram publicadas sob o título "Maçonaria e Catolicismo"; dezenove no livro "Os Mistérios das Grandes Óperas"; vinte e quatro sob o título "Coletâneas de Um Místico"; e as restantes publicaremos no segundo volume da coletânea.
Esperamos que a leitura atenta deste volume sobre a sagrada vida de Cristo incentive uma veneração maior pela religião Cristã, tornando-a mais aceitável à razão através da obra inspirada do seu autor, cujo principal objetivo, enquanto viveu, foi o de transmitir o ideal de Cristo, na humilde tarefa de servir mais perto dos corações dos homens.
Mrs. Max Heindel
28 de outubro de 1920.
O Significado Cósmico do Natal

Mais uma vez, no decorrer do ano, estamos às vésperas de Natal. A visão de cada um de nós sobre esta festividade difere uma da outra. Para o religioso devoto é um período reverenciado, sagrado e repleto de mistério, não menos sublime por ser incompreendido. Para o ateu é uma tola superstição. Para o puramente intelectual é um enigma, pois está além da razão.
Nas igrejas narra-se a história de como na noite mais santa do ano, Nosso Senhor e Salvador, imaculadamente concebido, nasceu de uma virgem. Nenhuma outra explicação é dada; o assunto é deixado a critério do ouvinte que o aceita ou rejeita, de acordo com o seu temperamento. Se a mente e a razão levam-no a excluir a fé, se ele vê apenas o que pode ser demonstrado aos sentidos, então, é forçado a rejeitar a narrativa como absurda e desarmônica com as várias e imutáveis leis da natureza.
Interpretações diferentes têm sido dadas para satisfazerem a mente, principalmente as de natureza astronômica. Diz-se que na noite de 24 para 25 de dezembro, o Sol começa sua jornada do sul para o norte. Ele é a "Luz do Mundo". O frio e a fome exterminariam inevitavelmente a raça humana se o Sol permanecesse sempre no sul. Por isso, é motivo de grande regozijo quando ele começa sua jornada em direção ao norte, pelo que é então aclamado "Salvador", pois vem "salvar o mundo", vem para dar o "pão da vida" quando amadurece o grão e a uva. Assim, "Ele dá sua vida na cruz (cificação) do equador (no equinócio da primavera) e começa sua ascensão no céu (norte). Na noite em que começa sua jornada em direção ao norte, o signo Virgo, a Virgem Celestial, a "Rainha do Céu", está no horizonte astrologicamente, "seu signo Ascendente". Portanto Ele "nasce de uma virgem", sem intermediários, sendo daí "concebido imaculadamente".
Esta interpretação pode satisfazer a mente quanto à origem da suposta superstição, mas o lamentável vazio que existe no coração de todo cético, esteja ou não ciente do fato, deve permanecer até que a iluminação espiritual seja alcançada, a qual fornecerá uma explicação aceitável tanto ao coração como à mente. Derramar tal luz sobre este mistério sublime será nosso empenho neste livro. A concepção imaculada será o assunto da lição seguinte. Por enquanto, queremos mostrar como as forças materiais e espirituais fluem e refluem alternadamente no decurso do ano, e por que no Natal é realmente um "dia santo".
Digamos que concordamos com a interpretação astronômica, assim como é verdadeiro o que se segue quando contemplamos o nascimento místico sob outro ângulo. O Sol nasce, ano após ano, na noite mais escura. Os Cristos Salvadores do mundo nascem também quando as trevas espirituais da humanidade são maiores. Há um terceiro aspecto de suprema importância, isto é, não há nenhuma futilidade nas palavras de Paulo quando ele fala do Cristo sendo "formado em vós". É um fato sublime que todos somos Cristos-em-formação, de modo que quando compreendemos que temos de cultivar o Cristo interno antes que possamos perceber o Cristo externo, mais apressaremos o dia da nossa iluminação espiritual.
Citamos novamente nosso aforismo preferido, de Angelus Silesius, cuja sublime percepção espiritual fê-lo proferir:
"Ainda que Cristo nascesse mil vezes em Belém,
Se não nascer dentro de ti, tua alma ficará perdida.
Em vão olharás a Cruz do Gólgota
A menos que dentro de ti, ela seja
novamente erguida. "

No solstício de verão, em junho, a Terra está mais distante do Sol, mas o raio solar atinge-a quase em ângulo reto em relação ao seu eixo no Hemisfério Norte, resultando daí o alto grau de atividade física. Nessa ocasião, as irradiações espirituais do Sol são oblíquas a essa parte da Terra e são tão fracas como os raios físicos quando são oblíquos.

Porém, no solstício de inverno, a Terra está mais perto do Sol. Os raios espirituais caem em ângulos retos na superfície da Terra no Hemisfério Norte, estimulando a espiritualidade, enquanto as atividades físicas diminuem em razão do ângulo oblíquo em que o raio solar atinge a superfície de nosso planeta. Por este princípio, na noite entre 24 e 25 de dezembro, as atividades físicas estão no seu mais baixo nível e as forças espirituais no seu mais elevado fluxo, por isso, ela é chamada a "noite mais santa do ano". Por sua vez, o pleno verão é a época de divertimento para duendes e entidades semelhantes interessadas no desenvolvimento material do nosso planeta, conforme demonstrado por Shakespeare no seu "Sonho de Uma Noite de Verão".
Se nadarmos quando a maré está mais forte, alcançaremos uma distância maior com menos esforço do que em qualquer outra ocasião. É de grande importância para o estudante esotérico saber e compreender as condições especialmente favoráveis que prevalecem na época do Natal. Sigamos a exortação de Paulo, Cap. 12 aos Hebreus, atirando à distância toda carga embaraçante, como fazem os indivíduos que correm numa competição. Batamos no ferro enquanto ele está quente. Isso significa que devemos nessa época do ano concentrar todas as nossas energias em esforços espirituais para colher o que não conseguiríamos obter em nenhuma outra ocasião.

Lembremo-nos também que o aperfeiçoamento próprio não deve ser a nossa única consideração. Somos discípulos de Cristo. Se aspiramos ser distinguidos, lembremo-nos do que Ele disse: "Aquele que quiser ser o maior entre vós, seja o SERVO de todos". Existe muita aflição e sofrimento à nossa volta; há muitos corações solitários e doloridos em nosso círculo de conhecidos. Busquemo-los de maneira discreta. Em nenhuma outra época do ano serão mais sensíveis aos nossos desvelos. Espalhemos a luz do Sol em seus caminhos. Desse modo ganharemos suas bênçãos e também as dos nossos Irmãos Maiores. Por sua vez, as vibrações resultantes promoverão um crescimento espiritual impossível de ser atingido por qualquer outro modo.


No ano passado, nosso Curso de Cristianismo Místico por correspondência começou com uma lição sobre o Natal, do ponto de vista cósmico. Explicamos então que os solstícios de verão e inverno, juntamente com os equinócios de primavera e outono, constituem os pontos decisivos na vida do Grande Espírito da Terra, assim como a concepção assinala o início da descida do Espírito Humano ao corpo físico, resultando em nascimento, o qual inaugura o período de crescimento até que a maturidade seja alcançada. Neste ponto começa uma época de sobriedade e amadurecimento, juntamente com o declínio das energias físicas que terminam em morte. Este acontecimento liberta o homem dos obstáculos da matéria e conduz a um período de metabolismo espiritual, por meio do qual nossa colheita de experiências terrenas é transmutada em poderes anímicos, talentos e tendências. Estes serão postos a render juros nas vidas futuras, para que possamos crescer mais rica e abundantemente com a posse de tais tesouros e sermos considerados dignos, como "administradores fiéis", para assumirmos postos cada vez mais elevados entre os servos da Casa do Pai.
Esta ilustração apoia-se sobre o firme alicerce da grande Lei de Analogia, tão sucintamente expressa pelo axioma hermético: "Assim como é em cima, assim é em baixo". Baseados nisto, que é uma chave-mestra para todos os problemas espirituais, dependemos também de um "abre-te-sésamo" para as nossas lições do Natal deste ano. Assim, esperemos poder corrigir, confirmar ou completar pontos de vista dos nossos estudantes, conforme requeira cada caso.
Os corpos, originalmente cristalizados na terrível temperatura da Lemúria, eram demasiado quentes para conter umidade suficiente que permitisse ao espírito acesso livre e irrestrito a todas as partes da anatomia, conforme ele agora o consegue através do sangue circulante. Mais tarde, no começo da Época Atlante, os corpos possuíam sangue, mas moviam-se com dificuldade, e teriam secado rapidamente, em razão da alta temperatura interna, não fora o fato de prevalecer naquela atmosfera aquosa uma farta umidade. A inalação desse solvente atenuava grandemente o calor e abrandava o corpo, até que uma quantidade suficiente de umidade pôde ser retida nele, permitindo a respiração na atmosfera relativamente seca que aconteceu mais tarde.
Os corpos dos primitivos Atlantes eram de uma substância granulosa e fibrosa, não diferentes dos nossos atuais tendões, lembrando também madeira. Porém, com o tempo, o hábito adquirido de comer carne, capacitou o homem a assimilar albumina suficiente para construir tecido elástico necessário à formação dos pulmões e artérias, permitindo assim a livre circulação do sangue, conforme se verifica agora em todo o sistema. Na época em que aconteceram essas mudanças internas e externas, o grande e glorioso arco de sete cores surgiu no céu carregado de nuvens para assinalar o advento do Reino do Homem, onde as condições viriam a ser tão variadas como os matizes que colorem a atmosfera ao refratar a luz solar de uma só cor. Portanto, o primeiro aparecimento do arco-íris nas nuvens marcou o início da era de Noé, com suas estações e períodos alternantes, dos quais o Natal é um deles.
Contudo, as condições prevalecentes neste período não são tão estáveis, como não o eram as dos períodos anteriores. O processo de condensação que transformou o nevoeiro ardente da Lemúria em atmosfera de umidade densa da Época Atlante, e mais tarde se liquifez em água que inundou as cavidades da terra e impeliu a humanidade para as montanhas, ainda continua. Ambas, a atmosfera e nossa condição fisiológica estão mudando, anunciando, aos que sabem ver e compreender, a aurora de um novo dia no horizonte, a época de unificação mencionada na Bíblia como O Reino de Deus.
A Bíblia não nos deixa dúvidas a respeito das mudanças. Cristo disse que, como nos dias de Noé, assim deverá ser nos dias vindouros. Ciência e invenção encontram agora condições que não existiam anteriormente. É fato científico que o oxigênio está sendo consumido em quantidades alarmantes, alimentando as fogueiras das indústrias. Incêndios nas florestas também sorvem em grande escala o nosso estoque desse elemento importante, além de aumentar o processo secante a que a atmosfera está naturalmente submetida. Eminentes cientistas afirmam que chegará o dia em que o globo não poderá sustentar a vida que depende da água e do ar para existir. Suas idéias não nos afligem tanto, pois a data que apontam ainda está muito distante. Mas, mesmo que seja assim, o destino da Época Ária é tão inevitável quanto o da Atlântida inundada.
Pudesse um Atlante ser transferido para nossa atmosfera, seria asfixiado como um peixe fora de seu elemento natural. Quadros vistos na Memória da Natureza provam que os aviadores pioneiros daquela época, desmaiavam realmente quando encontravam essas correntes de ar que desciam gradualmente sobre a terra que habitavam. Tais experiências suscitavam muitos comentários e especulações. Os aviadores de hoje já estão encontrando o novo elemento e experimentando a sensação de asfixia, conforme experimentaram os seus ancestrais Atlantes e, por razões análogas, encontraram o novo elemento descendo do alto. Este elemento tomará o lugar do oxigênio da nossa atmosfera. Existe também uma nova substância introduzindo-se na constituição humana e que substituirá a albumina. Ademais, assim como os aviadores da Época Atlante desmaiavam e eram impedidos pela corrente descendente de ar de penetrar antecipadamente na Ária, a terra prometida, assim também o novo elemento desafia os aviadores de hoje e a humanidade em geral, até que todos tenham aprendido a assimilar seus aspectos materiais. Tal como os Atlantes, cujos pulmões são estavam desenvolvidos e sucumbiram na inundação, assim também a nova era encontrará alguns sem o "Manto Nupcial", e portanto incapacitados para entrar nela, até que se qualifiquem num período posterior. Por isso, é da maior importância para todos saber a respeito do novo elemento e da nova substância. A Bíblia e a Ciência, unidas, fornecem ampla informação a respeito do assunto.
Na Grécia antiga, conforme mencionamos antes, religião e ciência eram ensinadas nos templos de mistério, juntamente com a arte superior e o artesanato, como uma doutrina única de vida e de ser. Contudo, essa condição foi temporariamente suspensa para facilitar determinadas fases do desenvolvimento. A união das linguagens religiosa e científica na Grécia antiga facilitava a compreensão dessas matérias. No entanto, hoje em dia, as dificuldades repousam no fato de que a religião traduziu e a ciência simplesmente transferiu seus termos do Grego original, o que tem causado muitas divergências e a perda do elo entre as descobertas da ciência e os ensinamentos da religião.
Para chegarmos a uma desejada compreensão das mudanças fisiológicas que prosseguem agora em nosso sistema, podemos lembrar que, segundo a ciência, os lóbulos frontais do cérebro estão entre as estruturas humanas de mais recente desenvolvimento e que, proporcionalmente, este órgão é muito maior no homem do que em qualquer outra criatura. Agora, a pergunta: "Existe no cérebro alguma substância peculiar, e se existe, qual pode ser seu significado? "
A primeira parte da pergunta pode ser respondida por qualquer obra científica relativa ao assunto, mas o livro O Conceito Rosacruz do Cosmos fornece mais subsídios, conforme transcrevemos abaixo:
"O cérebro... é formado das mesmas substâncias que compõem todas as outras partes do corpo, acrescidas de fósforo, que é peculiar somente ao cérebro. A conclusão lógica é que o fósforo é o elemento particular por meio do qual o Ego capacita-se a expressar pensamento... Descobriu-se que a proporção e variação dessa substância correspondem ao estado e fase de inteligência do indivíduo. Assim, os idiotas possuem pouquíssimo fósforo, enquanto o pensador arguto tem-no em abundância... É pois de grande importância que o aspirante, cujo veículo físico vai se utilizado no trabalho mental e espiritual, supra seu cérebro da substância necessária a esse propósito".
A indiscutível religiosidade dos Católicos é verificável na prática de comer peixe, alimento rico em fósforo, às Sextas-Feiras e na Quaresma. Ainda que o peixe pertença a uma ordem de vida inferior, O Conceito Rosacruz do Cosmos não aprova a sua matança, indicando ao estudante certas verduras através das quais pode conseguir fisicamente abundância dessa desejável substância. Existem outros e melhores meios para essa obtenção, embora não mencionados em O Conceito.
Não foi por acaso que os Mestres da Escola de Mistério Grega denominaram assim essa substância luminosa que conhecemos por fósforo. Para eles era patente que "Deus é Luz"- a palavra grega designativa de luz é phos. Portanto, muito apropriadamente, eles denominaram a substância do cérebro, que é a avenida de ingresso do impulso divino, phos-phorus, literalmente "portador da luz". Na medida em que formos capazes de assimilar essa substância, enchemo-nos de luz e começamos a brilhar a partir de dentro, circundando-nos, então, um halo como uma marca de santidade. O fósforo, contudo, é apenas um meio físico que possibilita a luz espiritual expressar-se através do cérebro físico, sendo a luz, em si mesma, um produto do crescimento anímico. Mas o crescimento anímico capacita o cérebro a assimilar quantidades crescentes de fósforo, pelo que o método para a aquisição dessa substância em maiores quantidades não deve ser pelo metabolismo químico e sim pelo processo alquímico do crescimento anímico, o que foi totalmente esclarecido por Cristo quando Ele disse a Nicodemus:
"Deus não enviou Seu Filho ao mundo para condenar o mundo... Aquele que n´Ele crê não é condenado, mas aquele que não crê já está condenado.
...E esta é a condenação, que a luz veio ao mundo e o homem amou mais as trevas do que a luz...
...Pois todo aquele que pratica o mal, aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem reprovadas as suas obras. Mas aquele que pratica a verdade aproxima-se da luz a fim de que as suas obras sejam manifestadas, porque são feitas em Deus". (João 3:17-21).
O Natal é a época do ano de maior luz espiritual. Durante esta era de ciclos alternantes há marés altas e baixas de luz espiritual, como acontece com as águas do oceano. A primitiva Igreja Cristã marcou a concepção no outono do ano (no Hemisfério Norte), de modo que até hoje o evento é celebrado pela Igreja Católica quando a grande onda de vida e luz espirituais começam a sua descida à Terra. O ponto máximo de maré é alcançado no Natal, sendo esta verdadeiramente a época santa do ano, a ocasião em que esta luz espiritual é mais facilmente contatada e especializada pelo aspirante através de atos de compaixão, gentileza e amor. Oportunidades para esses atos não faltam, nem mesmo para os mais pobres, porque conforme enfatizam freqüentemente os Ensinamentos Rosacruzes, o serviço conta mais que o auxílio financeiro, que pode até ser prejudicial a quem o recebe. Todavia, "a quem muito é dado, muito será exigido" e, se alguém foi abençoado com abundância de bens do mundo, uma cuidadosa distribuição dos mesmos deve necessariamente ser observada em qualquer oportunidade de servir. Recordemos ainda as palavras de Cristo: "Em verdade vos digo, sempre que fizerdes isto a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fazeis"(Mat. 25:40). Sigamo-Lo pois, como luzes ardentes e brilhantes, mostrando o caminho para a Nova Era.


Você já esteve ao lado do leito de um amigo ou parente que se encontrasse prestes a passar deste mundo para o além? Muitos de nós já tivemos essa experiência, pois qual o lar que não foi visitado pelo Pai Tempo? Nem é incomum a fase que se segue ao ocorrido, à qual devemos prestar atenção especial. A pessoa ao transpor os umbrais do invisível, muitas vezes fica em estado de torpor. Então acorda, e vê não apenas este mundo, mas também o mundo em que está prestes a entrar. É muito significativo que nesses momentos ela vê pessoas que foram suas amigas ou parentes nesta vida física - filhos, filhas, esposa ou qualquer pessoa que lhe tenha sido realmente muito próxima ou muito querida - postadas ao redor do seu leito e aguardando o momento da transição. A mãe pode estender os braços: "Oh! é o João e como ele cresceu! Que esplêndido rapaz está!". Deste modo ela pode reconhecer, um após outro, todos os filhos já falecidos. Estes estão reunidos em volta da sua cama à espera que ela vá unir-se a eles, invadidos pela mesma sensação que assalta as pessoas quando uma criança está para nascer neste mundo: o regozijo pela chegada de alguém que eles sentem, instintivamente, ser um amigo que regressa a eles.
O mesmo se dá com as pessoas que, tendo passado, antes ao além, reúnem-se para receber um amigo que está prestes a cruzar a fronteira e juntar-se a eles do outro lado do véu. Vemos assim que o nascimento em um mundo é morte, sob o ponto de vista do outro mundo, isto é, a criança que vem a nós morre para o mundo espiritual, e a pessoa que sai do alcance dos nossos olhos ao transpor o véu pela morte, nasce em novo mundo e junta-se a seus amigos.
"Como é em cima, assim é em baixo". A Lei da Analogia, que é a mesma para o microcosmo e para o macrocosmo, diz-nos que aquilo que acontece ao ser humano sob determinada condições, deve também aplicar-se ao sobre-humano em circunstâncias análogas. Estamos nos aproximando do solstício de inverno (no Hemisfério Norte), dos dias mais escuros do ano, época em que a luz brilha com menos intensidade quando o Hemisfério Norte se torna frio e melancólico. Porém, na noite mais longa e mais escura do ano, quando o Sol retoma o seu caminho ascendente, a luz de Cristo nasce de novo na Terra e o mundo inteiro rejubila. No entanto, conforme nossa analogia, quando Cristo nasce na Terra, Ele morre no céu. Assim como o espírito, livre ao nascer, fica fortemente enclausurado no véu da carne, que o restringe por toda a vida física, assim também o Espírito de Cristo é agrilhoado e tolhido toda vez que nasce na Terra. Este grande Sacrifício Anual - começa quando soam os nossos sinos de Natal, quando os alegres sons do nosso louvor e gratidão ascendem aos céus. No mais literal sentido da palavra, Cristo é aprisionado desde o Natal até a Páscoa.
O homem pode zombar da idéia de que existe nessa época do ano um influxo de vida e luz espirituais. Não obstante, isso é um fato, creiamos ou não. Nesta época do ano, no mundo inteiro, todos se sentem mais leves, diferentes, algo como se um fardo fosse tirado dos seus ombros. O espírito de paz na terra e boa vontade entre os homens prevalecem, e o espírito de que nós também devemos dar algo expressa-se nos presentes de Natal. Este espírito não pode ser negado, já que é evidente a qualquer observador e é um reflexo da grande onda de dádiva divina. Deus amou o mundo de tal maneira, que lhe deu Seu Filho único ou Unigênito. O Natal é a época das dádivas, mesmo que a consumação do sacrifício aconteça apenas na Páscoa. Aqui situa-se o ponto crucial, o ponto crítico, quando sentimos ter ocorrido algo que garante a prosperidade e a continuidade do mundo.
Quão diferente é o sentimento do Natal daquele que se manifesta na Páscoa! Neste último há uma expressão de desejo, uma energia que se expressa em amor sexual visando a perpetuação de si mesmo como nota-chave. Quão diferente é o amor que se expressa no espírito de dar ao invés de receber, que sentimos no Natal.
Agora, observe as igrejas. Nunca suas luzes brilham tanto quanto neste dia e nesta noite do ano. Em nenhuma outra ocasião os sinos ressoam tão festivos do que quando proclamam para o mundo a mensagem: "O Cristo nasceu!".
"Deus é Luz", diz o inspirado apóstolo e nenhuma outra descrição é capaz de transmitir tanto da natureza de Deus quanto essas três pequenas palavras. A luz invisível, que se encontra envolvida pela chama sobre o altar, é uma representação cabal de Deus, o Pai. Nos sinos, temos um símbolo muito apropriado de Cristo, a Palavra, pois suas línguas metálicas proclamam a mensagem evangélica de paz e boa vontade, enquanto o incenso, simbolizando maior fervor espiritual, representa o poder do Espírito Santo. Por conseguinte, a Trindade é simbolicamente parte da celebração que faz do Natal a época do ano de maior regozijo espiritual, sob o ponto de vista da raça humana que está atualmente na matéria.
Todavia, não se deve esquecer, conforme dissemos no terceiro parágrafo deste capítulo, que o nascimento de Cristo na Terra significa Sua morte para a glória dos céus, e que, quando nos rejubilamos pelo seu regresso anual a nós, Ele de fato toma novamente sobre Si o pesado fardo físico que cristalizamos ao nosso redor, e que é agora a nossa habitação - a Terra. Neste pesado corpo, Ele é incrustado e espera ansiosamente pelo dia da libertação. Podemos compreender, naturalmente, que existem dias e noites tanto para os maiores espíritos quanto para os seres humanos; que, do mesmo modo que vivemos em nossos corpos durante o dia, cumprindo o destino que nós mesmos criamos no mundo físico e somos liberados à noite para nos recuperarmos nos mundos superiores, assim também existe essa alternância para o Espírito de Cristo. Parte do ano Ele habita o interior do nosso globo, e depois se retira para os mundos superiores. Assim, o Natal é para Cristo o começo de um dia de vida física, o início de um período de limitação.
Qual deve ser, portanto, a aspiração do místico devotado e iluminado, que compreende a grandeza da dádiva de Deus à humanidade nesta época do ano; que compreende este grande sacrifício de Cristo por nossa causa; essa dádiva de Si mesmo sujeitando-se a uma virtual morte para que pudéssemos viver esse maravilhoso amor que se derrama sobre a Terra nessa época? Unicamente a de imitar, mesmo em pequeníssima escala, as maravilhosas obras de Deus. Ele deve aspirar fazer de si mesmo um servo da Cruz como jamais o fora antes; mais disposto a seguir o Cristo em todas as coisas, sacrificando-se a si mesmo pelos seus irmãos e irmãs; colaborando, dentro de sua esfera imediata de trabalho, para a elevação da humanidade, de modo a apressar o dia da libertação pela qual o Espírito de Cristo está esperando, gemendo e labutando. Falamos de uma libertação permanente, do dia e do advento de Cristo.
Para concretizarmos essa aspiração na medida mais ampla, avancemos pelo ano entrante plenos de auto-confiança e fé. Se até aqui temos descrido de nossa capacidade de trabalhar para Cristo, ponhamos de lado essa descrença lembrando o que Ele disse: "Maiores obras que estas vós o fareis!" Teria Ele, que era a Palavra da verdade, dito tais coisas se elas não fossem possíveis? Todas as coisas são possíveis àqueles que amam a Deus. Se de fato trabalharmos em nossa própria pequena esfera, não buscando coisas maiores até havermos feito aquelas que estão à mão, então descobriremos que um maravilhoso crescimento anímico pode ser alcançado, de forma que as pessoas que nos rodeiam possam ver em nós algo que não saberão definir, mas que, não obstante, ser-lhes-á evidente - verão a luz natalina, a luz do Cristo recém-nascido brilhando dentro da nossa esfera de ação. Isto pode ser conseguido; depende apenas de nós mesmos aceitá-Lo por Sua palavra, cumprindo o que Ele ordenou: "Sêde perfeitos como perfeito é o vosso Pai que está nos céus". A perfeição pode parecer uma longa caminhada. E quanto mais consideramos Cristo, mais nos apercebemos como estamos longe de viver à altura dos nossos ideais. Não obstante, é pela luta diária, hora após hora, que finalmente chegaremos lá. E a cada dia algum progresso pode ser feito, algo pode ser realizado. Podemos deixar a nossa luz brilhar de tal maneira, que os homens a vejam como faróis na escuridão do mundo. Que Deus nos ajude durante o próximo ano a alcançar maior semelhança com Cristo do que jamais conseguimos antes. Vivamos a vida de tal modo que, quando outro ano tiver passado, quando contemplarmos novamente as luzes do Natal e ouvirmos os sinos chamando para as cerimônias da Noite Santa, possamos sentir que não temos vivido em vão.
Cada vez que nos damos completamente ao serviço em benefício dos outros, acrescentamos brilho aos nossos corpos-alma feito de éter. É o éter de Cristo que permite este nosso globo flutuar, e recordemos que, se quisermos trabalhar por sua libertação, devemos todos desenvolver nossos corpos-alma até ao ponto em que eles é que façam flutuar a Terra. Deste modo tomamos o Seu fardo e livramo-Lo da dor da existência física.


Esotericamente e desde épocas imemoriais, o Sol tem sido reverenciado como o dador de vida, porque a multidão era incapaz de ver além do símbolo material de uma grande verdade espiritual. Mas, além daqueles que adoravam a órbita celeste que é vista com o olho físico, sempre houve e continua a haver uma pequena mas crescente minoria, um sacerdócio consagrado pela virtude mais do que por rituais, que viu e vê as eternas verdades espirituais por trás das formas temporais e efêmeras que revestem essas verdades, nas mudanças de cerimonial consoante à época e aos povos a que foram destinadas originalmente. Para estes, a lendária Estrela de Belém brilha todos os anos como o Místico Sol da Meia-Noite, o qual penetra em nosso planeta no solstício de inverno os três atributos divinos: Vida, Luz e Amor. Estes raios de esplendor e poder espirituais inundam o nosso globo com uma luz sobrenatural que envolve todos sobre a Terra, do mais insignificante ao mais importante, sem distinção. Mas nem todos podem participar desse maravilhoso dom na mesma medida. Alguns conseguem mais, outros menos. Alguns nem participam da grande oferta de amor que o Pai preparou para nós em Seu Filho Unigênito, porque ainda não desenvolveram o imã espiritual, o Cristo menino interno, que unicamente pode guiar-nos ao Caminho, à Verdade e à Vida.

“Se não tiver olhos para ver?
Se o Cristo é meu, como posso saber
a não ser através do Cristo em mim?
A voz silenciosa dentro do meu peito
é o penhor do pacto entre Cristo e eu, e enfim
Ela confere a fé, a força do Feito.”

Esta é, sem dúvida, uma experiência mística que soa verdadeira para muitos de nossos estudantes, tão verdadeira como a noite segue-se ao dia e o inverno segue-se ao verão. A menos que tenhamos Cristo dentro de nós, e que um maravilhoso pacto fraternal de sangue tenha sido consumado, não podemos ter parte no Salvador, embora os sinos de Natal nunca parem de soar. Mas, quando Cristo formar-se em nós, quando a imaculada concepção tornar-se uma realidade em nossos próprios corações, quando nos tenhamos postado aos pés do Cristo recém-nascido para oferecer-Lhe os nossos presentes, dedicando a natureza inferior ao serviço do Eu Superior, então, e só então, as festividades natalinas são compartilhadas por nós, ano após ano. E, quanto mais arduamente tenhamos labutado na vinha do Mestre, mais clara e distintamente poderemos ouvir a voz silenciosa em nossos corações, sussurrando o convite: "Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo... porque o Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve". Então, ouviremos uma nova nota nos sinos de Natal como nunca ouvimos antes. porque não há dia mais alegre do que o do nascimento de Cristo, quando Ele renasce na Terra, trazendo consigo presentes para os filhos dos homens - presentes que significam a continuação da vida física, porque sem essa vitalizante e enérgica influência do Espírito de Cristo, a Terra permaneceria fria e árida; não haveria uma nova canção da primavera, nem os pequeninos coristas da floresta para alegrar os nossos corações à chegada do verão. A pressão gélida dos pólos Boreais manteria a Terra agrilhoada e muda para sempre, impossibilitando-nos de prosseguir em nossa evolução material, tão necessária para aprendermos a usar a força do pensamento através de canais criativos apropriados.

O espírito de Natal é, pois, uma realidade viva para todo aquele que já desenvolveu o Cristo interno. O homem e a mulher comum sentem esse espírito somente nas proximidades das festas natalinas, mas o místico iluminado pode vê-lo e senti-lo meses antes e meses depois do seu ponto culminante na Noite Santa. Em setembro ocorre uma mudança na atmosfera terrestre; uma luz começa a brilhar nos céus. Essa luz parece permear todo o universo solar e, gradualmente, vai crescendo em intensidade, parecendo envolver o nosso globo. Então, ela penetra a superfície do planeta e, pouca a pouco, concentra-se no seu centro, onde os espíritos-grupo das plantas têm o seu lar. Na Noite Santa ela alcança o mínimo de seu tamanho e o máximo de seu fulgor. Então, passa a irradiar luz concentrada, dando nova vida à Terra para que esta prossiga com as atividades da Natureza no ano entrante.
Isso é o começo do grande drama cósmico ‘Do Berço à Cruz", que acontece anualmente durante os meses de inverno (no Hemisfério Norte).

Cosmicamente, o Sol nasce na mais longa e escura noite do ano, quando o signo zodiacal Virgo - a Virgem Celestial - situa-se no horizonte oriental a meia-noite para dar à luz o Filho Imaculado. Durante os meses que se seguem, o Sol transita pelo Violento signo de Capricornus onde, segundo a mitologia, todos os poderes das trevas concentram-se em frenético esforço para matar o Portador-da-Luz, fase do drama solar que é apresentado misticamente no episódio da perseguição movida pelo rei Herodes, e a fuga de Jesus para o Egito a fim de escapar à morte.

Quando em fevereiro o Sol entra no signo de Aquarius - o Portador-da-Água - temos a época das chuvas e tempestades e, do mesmo modo que o batismo consagra misticamente o Salvador à sua obra de serviço, assim também a abundância de umidade que desce sobre a Terra torna-a de tal maneira branda e rica, que pode produzir frutos para preservar a vida de todos os que nela habitam.

A seguir, o Sol transita pelo signo de Pisces - os Peixes. Nesta altura, os estoques de alimentos do ano anterior já foram quase totalmente consumidos, de forma que as provisões do homem ficam escassas. Temos, por conseguinte, o longo jejum da Quaresma, que representa misticamente para o aspirante o mesmo ideal mostrado cosmicamente pelo Sol. Neste momento do ano ocorre o carne-vale (carnaval), o adeus à carne, pois todo aquele que aspira a vida superior precisa algum dia despedir-se para a Páscoa que, então, aproxima-se.

Em abril, quando o Sol cruza o equador celestial e entra no signo de Áries - o Cordeiro - a cruz se ergue como um símbolo místico que o candidato à vida superior precisa entender e, em seguida, aprender a abandonar o veículo mortal e começar a escalada para o Gólgota, o lugar na caveira e daí cruzar o limiar do mundo invisível. Finalmente, imitando a subida do Sol para os céus do norte, ele precisa aprender que o seu lugar é com o Pai e, com todo fervor, deve elevar-se até aquele exaltado lugar. Assim como o Sol não permanece naquele alto grau de declinação, mas ciclicamente desce para o equinócio de outono e solstício de inverno a fim de completar muitas vezes o círculo para benefício da humanidade, do mesmo modo todo aquele que aspira tornar-se um Caráter Cósmico, um salvador da humanidade, precisa preparar-se para oferecer-se muitas vezes como um sacrifício em benefício de seus semelhantes.

Este é o grande destino colocado diante de nós. Cada um é um Cristo-em-formação, se o quiser ser, porque como disse Cristo aos Seus discípulos: "Aquele que crer em Mim fará também as obras que faço, e maiores ainda". Além disso e de acordo com a máxima: "A necessidade do homem é a oportunidade de Deus", nunca houve tão grande oportunidade de imitar o Cristo, de fazer as obras que Ele fez, como nos dias que correm, quando todo o continente europeu vive sob o paroxismo de uma guerra mundial e quando o maior de todos os cânticos de Natal - "Paz na Terra e boa vontade entre os homens"(Lucas 2:14) parece mais longe de concretizar-se do que nunca. Temos em nós o poder de apressar o dia da paz ao falar, pensar e viver em PAZ, pois a ação conjunta de milhares de pessoas transmite impressões ao Espírito de Raça quando a ele enviadas, especialmente quando a Lua está em Cancer, Scorpio ou Pisces, que são os três grandes signos psíquicos mais apropriados para trabalhos ocultos dessa natureza. Usemos os dois dias e meio que a Lua transita por cada um desses signos para propósito de meditar sobre a paz - Paz na Terra e boa vontade entre os homens. Mas, ao fazê-lo, estejamos certos de não tomar partido, a favor ou contra, por quaisquer das nações conflitantes. Lembremos a todo instante que cada um dos seus membros é nosso irmão. Cada um merece o nosso amor tanto quanto o outro. Tenhamos em mente que o que queremos ver é a Fraternidade Universal sobre a Terra, ou seja, a paz na Terra e boa vontade entre os homens, a despeito de terem os combatentes nascido de um lado ou de outro das linhas traçadas nos mapas, ou como eles se expressam neste, naquele ou em qualquer outro idioma. Oremos para que a paz possa reinar sobre a Terra. Uma paz duradoura e uma boa vontade entre todos os homens, não importando quaisquer diferenças de raça, cor ou religião. Na medida em que tenhamos êxito em formular com os nossos corações e não apenas com os nossos lábios essa prece impessoal a favor da paz, estaremos antecipando a chegada do Reinado de Cristo para recordar que é a Ele que estamos todos destinados na época oportuna - o reino dos céus, onde Cristo é "Rei dos reis e Senhor dos senhores".


Sempre que nos defrontamos com um dos mistérios da natureza que não compreendemos, simplesmente acrescentamos um novo termo ao nosso vocabulário, uma espécie de truque para ocultar a nossa ignorância a respeito do assunto. O exemplo temos em relação a palavra "ampére" que utilizamos para medir o volume da corrente elétrica e a voltagem que empregamos para medir a força da corrente, e o "ohm" que empregamos para assinalar o grau de resistência que um dado condutor oferece à passagem da corrente. Dessa maneira, depois de muito estudar a respeito de termos e figuras, as mentes mestras da ciência elétrica tentam persuadir-se e aos demais que compreenderam e penetraram no mistério dessa força ilusória que desempenha um papel tão importante no trabalho do mundo. Mas, depois de tudo dito, esses homens iminentes admitem que as mais brilhantes luzes da ciência elétrica não conhecem senão um pouquinho mais do que uma criança da escola primária quando começa a experiência com pilhas e baterias.
O mesmo se passa com as outras ciências. Os anatomistas não podem distinguir o embrião de um cão do de um ser humano durante um longo período, e enquanto o fisiologista discorre com autoridade sobre o metabolismo, não pode deixar de admitir que as experiências de laboratório, pelas quais se esforça para imitar nosso processo digestivo, devem ser e são muito diferentes das transmutações que se operam no laboratório químico do corpo, pela alimentação que ingerimos. Isto não é dito para desacreditar ou menosprezar as maravilhosas descobertas da ciência, mas para demonstrar que existem fatores por detrás de todas as manifestações da natureza - inteligências de diversos graus de consciência, construtivas e destrutivas, que desempenham parte importante na economia da natureza - e até que esses agentes sejam identificados e seu trabalho estudado, nós mão podemos ter um conceito adequado do modo como atuam essas forças da natureza, as quais chamamos calor, eletricidade, gravidade, ação química, etc.. Para os que cultivam a visão espiritual, é evidente que os chamados mortos empregam parte de seu tempo em aprender a construir corpos sob a direção de certas hierarquias espirituais. Eles são os processos metabólicos e anabólicos; eles são os fatores invisíveis na assimilação e é, portanto, literalmente exato que seriamos incapazes de viver sem a importante ajuda daqueles que chamamos mortos.
Para conceber a idéia de como esses agentes trabalham e da sua relação conosco, podemos citar um exemplo mencionado no Conceito Rosacruz do Cosmos. Suponhamos que um carpinteiro está construindo uma mesa, e um cachorro, que é um espírito em evolução pertencente a uma outra onda de vida, está observando-o. Ele vê o processo de cortar tábuas; gradualmente a mesa é formada desse material e finalmente fica pronta. Mas, ainda que o cão esteja atento ao trabalho do homem, ele não tem um conceito claro de como esse trabalho foi feito, nem do uso final da mesa. Suponhamos ainda mais, que o cachorro estivesse dotado somente de uma limitada visão e incapaz de perceber o carpinteiro e suas ferramentas; veria somente as tábuas de madeira sendo divididas em partes, depois juntarem-se e ficarem dispostas de outra maneira até a mesa tomar forma e ficar pronta. Ele teria visto o processo da formação e o objeto terminado, mas não teria idéia que a ativa ação do trabalhador foi necessária para transformar a madeira em mesa. Se o cachorro pudesse falar, explicaria a origem da mesa como Topsy1 ( personagem do romance "A Cabana do Pai Tomás" ) referiu-se a si mesma dizendo: "simplesmente cresceu".
Nossa relação com as forças da natureza é semelhante àquela do cachorro com o invisível carpinteiro, e nós somos tão capazes de explicar os mistérios da natureza, como o fez Topsy. Eruditamente, narramos às crianças como o calor do Sol evapora a água dos rios e oceanos, fazendo que este vapor ascenda às regiões mais frias do ar onde se condensa em nuvens, que tornam-se, finalmente, tão saturadas de umidade que elas gravitam em direção à Terra em forma de chuva para preencher os rios e oceanos, e novamente a água ser evaporada. É tudo muito simples, um belo processo automático de movimento contínuo. Mas, é só isso? Não há nesta teoria um número de omissões? Sabemos que sim, embora não possamos desviar-nos muito do nosso assunto para discuti-lo. Falta explicar totalmente uma coisa, a saber, a ação semi-inteligente das sílfides que levantam as delicadas partículas da água volatizada em vapor, e que são separadas da superfície do mar pelas ondinas, que as levam o mais alto possível antes que aconteça a condensação parcial e as nuvens até que as ondinas as forcem a libertá-las. Quando dizemos que há tempestades, na verdade, batalhas estão sendo travadas na superfície do mar e no ar, algumas vezes com a ajuda das salamandras, para acender a tocha do relâmpago dos separados hidrogênio e enviar seu aterrorizante zig-zag através da negra escuridão, seguida do poderoso troar do trovão na atmosfera transparente, enquanto as ondinas triunfalmente lançam as resgatadas gotas de água sobre a Terra para que elas possam novamente unir-se ao seu elemento materno.
Os pequenos gnomos são necessários para construir as plantas e as flores. Seu trabalho é pintá-las com matizes inumeráveis de cor, que deleitam os nossos olhos. Eles também cortam os cristais em todos os minerais e elaboram as gemas valiosas que cintilam nos diademas preciosos.
Sem eles não haveria ferro para nossas máquinas e nem ouro com que pagá-las. Eles estão em todas as partes e a proverbial abelha não é tão atarefada como eles. Enquanto para a abelha é dado todo o crédito pelo trabalho que ela faz, os pequenos espíritos da natureza, que desempenham uma parte imensamente importante no trabalho do mundo, são desconhecidos, salvo por alguns que são chamados de sonhadores ou loucos.
No solstício de verão, as atividades físicas da natureza estão no apogeu ou zênite, portanto, é no "Solstício do Verão" que se realiza o grande festival das fadas que trabalharam para construir o universo material. Nutriram o gado, cultivaram o grão e estão saudando com alegria e dando graças à onda de força, que é a sua ferramenta, para colorir as flores, na assombrosa variedade de delicados matizes requeridos por seus arquétipos, pintando-as em inúmeras tonalidades que são o prazer e o desespero do artista.
Na maior de todas as noites da alegre estação do verão, as fadas se reúnem vindas dos pântanos e das florestas, dos estreitos e pequenos vales para o Festival das Fadas. Elas realmente cozem e preparam seus alimentos etéricos e, mais tarde, dançam em êxtases de alegria - a alegria de terem realizado o seu trabalho e desempenhado importante papel na economia da natureza.
É um axioma científico que a natureza não tolera o que é inútil; os parasitas e os zangões são uma abominação; o órgão que se torna supérfluo atrofia-se, assim também acontece com o membro ou o olho que não é usado. A natureza tem um trabalho a fazer e necessita da colaboração de todos que se propuseram a justificar suas existências, pois todos são parte dele. Isto se aplica à planta, ao planeta, ao homem, ao animal e também às fadas. Elas têm seu trabalho a cumprir; elas são hostes ativas e suas atividades são a solução para muitos mistérios da natureza, como já foi explicado.
Nós estamos agora no outro pólo do ciclo anual, quando os dias são curtos e as noites mais longas. Fisicamente falando, a escuridão cai sobre o Hemisfério Norte, mas a onda espiritual de luz e vida, que será a base do crescimento e progresso do próximo ano, está agora na maior altura e força. Na Noite de Natal, no solstício de inverno, quando o celestial signo da Virgem Imaculada está no horizonte oriental à meia noite, o sol do novo ano nasce para salvar a humanidade do frio e da fome, que continuariam se a manifestação dessa luz fosse suprimida. Nessa ocasião, o Espírito Cristo nasce na Terra e começa a fermentar e fertilizar os milhões de sementes que as fadas prepararam e regaram para que possamos ter alimento físico. Mas "o homem não vive somente de pão". Importante como é o trabalho das fadas, torna-se insignificante comparado com a missão de Cristo, que nos traz a cada ano o alimento espiritual necessário para que avancemos no caminho do progresso, para que possamos alcançar a perfeição no amor com tudo o que ele implica.
É o advento desta maravilhosa luz de amor que nós simbolizamos pelas lamparinas acesas no altar e pelo soar dos sinos do Natal que, a cada ano, anunciam as alegres novas do nascimento do Salvador, pois para o sentido espiritual, luz e som são inseparáveis. A luz do Natal que brilha sobre a Terra é dourada, induzindo os sentimentos de altruísmo, amor e paz, os quais nem mesmo a grande guerra consegue obscurecer.
A guerra passou e como normalmente damos mais valor ao que perdemos, esperemos que toda a humanidade se una neste Natal para o canto dos cantos "Paz na Terra e Boa Vontade entre os homens".


Temos repetido com freqüência em nossa literatura, que o sacrifício de Cristo não foi um acontecimento que teve lugar no Gólgota, nem foi consumado de uma vez por todas em poucas horas, mas que os nascimentos e mortes místicas do Redentor são contínuas ocorrências cósmicas. Concluímos que esse sacrifício é necessário à nossa evolução física e espiritual durante a presente fase do nosso desenvolvimento. Como se aproxima a época do nascimento anual de Cristo, mais uma vez é-nos apresentado um tema para meditação, um tema que nunca envelhece e é sempre novo. Podemos tirar muito proveito refletindo sobre ele e dedicando-lhe uma oração, para que faça nascer em nossos corações uma nova luz que nos guie no caminho da regeneração.
O apóstolo deu-nos uma maravilhosa definição da Divindade quando disse: "Deus é Luz", pelo que a "Luz" tem sido usada para ilustrar a natureza do Divino nos Ensinamentos Rosacruzes, especialmente o mistério da Trindade na Unidade. As Sagradas Escrituras de todos os tempos ensinam claramente que Deus é uno e indivisível. Ao mesmo tempo verificamos que, do mesmo modo que a luz branca una refrata-se nas três cores primárias - vermelho, amarelo e azul - Deus também revela-Se em papel tríplice durante a manifestação pelo exercício de três funções divinas: criação, preservação e dissolução.
Quando Ele exercita o atributo criação, Deus revela-se como Jeová, o Espírito Santo, Ele é o Senhor da lei e da geração, projetando a fertilidade solar indiferentemente através dos satélites lunares de todo planeta em que seja necessário fornecer corpos para seus seres evoluintes.
Quando Ele exercita o atributo preservação, com o propósito de sustentar os corpos gerados por Jeová sob as leis da Natureza, Deus, revela-se como Redentor, Cristo, e irradia os princípios de amor e regeneração diretamente a todo planeta, onde as criaturas de Jeová requeiram essa ajuda para libertarem-se das malhas da morte e do egoísmo, e alcançarem o altruísmo e a vida infinita.
Quando do exercício do divino atributo dissolução, Deus aparece como o Pai. Chama-nos de volta ao lar celestial para assimilarmos os fruto das experiências e do crescimento anímico que acumulamos durante o dia de manifestação. Este Solvente Universal, o raio do Pai, emana então do Invisível Sol Espiritual.
Esses processos divinos de criação e nascimento, preservação e vida, dissolução, morte e retorno ao autor de nosso ser, nós os vemos em toda parte, em tudo o que nos cerca. Então, reconhecemos o fato de que são atividades do Deus Trino em manifestação. Porventura já nos demos conta de que no mundo espiritual não existem acontecimentos definidos, nem condições estáticas; que o começo e o fim de todas as aventuras, de todas as eras estão presentes no eterno "tempo" e "espaço"? Gradativamente, tudo se cristaliza e torna-se inerte, precisando dissolver-se para dar lugar a outras coisas e outros eventos.
Não há como escapar dessa lei cósmica, que se aplica a tudo no reino do "tempo" e do "espaço", inclusive ao raio Crístico. Como o lago que se derrama no oceano volta a encher-se quando a água que o abandonou evapora-se e a ele retorna em forma de chuva, para tornar novamente a correr incessantemente em direção ao oceano, assim o Espírito do Amor que nasce eternamente do Pai derrama-se incessantemente, dia após dia, hora após hora, no universo solar para libertar-nos do mundo material que nos prende em seus grilhões mortais. Portanto, onda após onda partem do Sol em direção a todos os planetas, o que proporciona um impulso rítmico às criaturas que neles evoluem.
No sentido mais verdadeiro e literal, é um Cristo recém-nascido que saudamos em cada festa natalina, e o Natal é o mais importante acontecimento anual para a humanidade, quer tenhamos consciência disso ou não. Não se trata meramente de comemorar o aniversário de nascimento do nosso amado Irmão Maior, Jesus, mas sim da chegada da rejuvenescente vida-amor do nosso Pai Celestial, por Ele enviada para libertar o mundo do glacial abraço da morte. Sem esta nova infusão de vida e energia divinas, logo pereceríamos fisicamente, frustando o nosso progresso no que tange às atuais linhas de desenvolvimento. Precisamos esforçar-nos por compreender muito bem este ponto, a fim de que possamos aprender a apreciar o Natal da maneira mais profunda possível.
A este respeito, como em muitos outros, podemos aprender uma lição observando nossos filhos ou recordando a nossa própria infância. Como eram fortes nossas expectativas à aproximação dos festejos natalinos! Como ansiosamente esperávamos pela hora de receber os presentes que pensávamos serem deixados pelo Papai Noel, o misterioso benfeitor universal que distribuía os brinquedos! Como nos sentiremos se nossos pais nos dessem apenas as bonecas estragadas e os tamborzinhos já gastos do ano passado? A sensação seria certamente de infelicidade total, além de uma profunda quebra de confiança em tudo, sentimentos que os pais achariam cada vez mais difícil restaurar. Isso nada seria, comparado à calamidade cósmica que se abateria sobre a humanidade, se o nosso Pai Celestial deixasse de enviar como Presente Cósmico de Natal, o Cristo recém-nascido.
O Cristo do ano anterior não nos pode livrar da fome física, como as chuvas daquele ano não podem agora encharcar o solo e desenvolver os milhões de sementes que dormitam na terra, à espera de que as atividades germinadoras da vida do Pai as façam crescer. Assim como o calor do último verão já não nos pode aquecer, o Cristo do ano passado não pode acender de novo em nossos corações as aspirações espirituais que nos impelem para cima em busca de algo mais. O Cristo do ano passado deu-nos seu amor e sua vida sem restrições ou medidas. Quando Ele renasceu na Terra no Natal anterior, Ele impregnou de vida as sementes adormecidas, que cresceram e muito gratamente encheram os nossos celeiros com o pão da vida física. O amor que o Pai Lhe deu, Ele o derramou profusamente sobre nós, e do mesmo modo que a água do rio volta para o céu pela evaporação, assim também Ele eleva-se outra vez ao seio do Pai, após esgotar toda a sua vida e morrer na Páscoa.
Mas, o amor divino jorra infinitamente. Como um pai apieda-se de seus filhos, assim também nosso Pai Celeste compadece-se de nós, pois Ele conhece a nossa fragilidade e dependências física e espiritual. Por conseguinte, esperamos mais uma vez, confiantemente, o nascimento místico do Cristo que virá com renovada vida e renovado amor. O Pai no-Lo envia acudindo à fome física e espiritual que sofreríamos se não tivéssemos d’Ele essa amorosa oferenda anual.
As almas jovens, via de regra, acham difícil separar em suas mentes as personalidades de Deus, de Cristo e do Espírito Santo, de modo que algumas podem amar apenas a Jesus, o homem. Esquecem Cristo, o Grande Espírito, que introduziu uma nova era na qual as nações estabelecidas sob o regime de Jeová serão destroçadas, a fim de que a sublime estrutura da Fraternidade Universal possa ser edificada sobre as suas ruínas. No devido tempo, o mundo inteiro saberá que "Deus" é espírito, para ser adorado em "espírito e em verdade". É bom que amemos Jesus e O imitemos; desconhecemos ideal mais nobre e alguém mais digno. Se pudesse ter sido encontrado alguém mais nobre, não teria sido Ele o escolhido para ser o veículo do Grande Unigênito, Cristo, em que reside a Divindade. Fazemos bem em seguir "Seus passos".

Ao mesmo tempo devemos exaltar Deus em nossas próprias consciências, aceitando a afirmação bíblica de que Ele é espírito e que não podemos tentar representar a Sua imagem, nem retratá-Lo, pois Ele a nada se assemelha, quer nos céus quer na Terra. Podemos ver os veículos de Jeová circulando como satélites em volta de diversos planetas. Também podemos ver o Sol, que é o veículo visível de Cristo. Mas o Sol Invisível, que é o veículo do Pai e fonte de tudo, este só pode ser visto pelos maiores clarividentes e apenas como a oitava superior da fotosfera do Sol, revelando-se como um anel de luminosidade azul-violeta por trás do Sol. Mas nós não precisamos vê-Lo. Podemos sentir Seu amor e essa sensação nunca é tão grande como na época do Natal, quando Ele nos está dando o maior de todos os presentes: o Cristo do novo ano.

Fonte: http://www.fraternidaderosacruz.org/