terça-feira, 17 de julho de 2012

Oração para Anúbis


Ó Deus-Pai de poder e amor
Potência existente nos impotentes
Em meu peito cruza o passado, o presente e o futuro.
Ó Energia que atua sobre a Consciência
Eu te conjuro, vem a mim…
Elohim… Elohim… Elohim…
Ó Força que marcou meu princípio e atua em meu presente
Ordeno às potências magnéticas que se transformem,
E que a Consciência domine minha existência.
Elohim… Elohim… Elohim…
Vos conjuro, estabeleça-se em minha consciência,
Livra-me da submissão do tempo,
Dando-me o poder de clarear o momento da minha vida.
Anúbis… Anúbis… Anúbis…
Supremo Hierarca do Karma, eu te suplico:
Afasta de minha existência o magnetismo que me aprisiona no tempo.
Anúbis… Anúbis… Anúbis…
Rogo à tua infinita compreensão
Que me permita amar e perdoar a todos
os que, por inconsciência me fizeram sofrer.
Anúbis… Anúbis… Anúbis…
Tu que em tuas mãos se encontra o destino dos pecadores,
Utiliza meu Dharma como pagamento deste sofrimento,
E que este se transforme em alegria e consciência.
Anúbis…Anúbis… Anúbis…
Que minha consciência seja fruto do respeito e do amor que em meu coração agora aflora.
Anúbis… Anúbis… Anúbis…
Que meu julgamento seja breve,
Vos peço perdão por estar distante de meu Pai e de meu coração.
Anúbis… Anúbis… Anúbis…
Que a Foice da Lua não degole minha alma.
Anúbis… Anúbis… Anúbis…
Tu reténs em tuas mãos a possibilidade do perdão,
Perdoa-me pelo encanto da repetição do passado.
Anúbis… Anúbis… Anúbis…
Meus pedidos são vergonhosos perante as oportunidades que me deste em tantas vidas,
Portanto, te imploro antes que a Foice desça.
Permite-me estar consciente, ainda que seja em sofrimento.
Anúbis… Anúbis… Anúbis…
Vida que pulsa na morte, critério inconsciente de Ser,
Flua em proximidade, perdoa-me no meu ato de perdoar.
Anúbis… Anúbis… Anúbis…
Morte em vida, afasta de mim o Karma da paixão,
Livra-me da dependência de sofrer por indivíduos e por inconsciência.
Anúbis… Anúbis… Anúbis…
Cintila em proximidade o brilho de tua Lei,
Permite-me, por intermédio do Pai que está em segredo,
Expandir a Fé e derramá-la em corações inconscientes.
Anúbis… Anúbis… Anúbis…
Raio de poder,
Tu que executas pela vontade do Pai o julgamento dos homens,
Ensina-me a perdoar, a amar e a desprender de mim o apego magnético
Que atravessa os séculos.
Anúbis… Anúbis… Anúbis…
Minha vida agora e sempre está em tuas mãos…
QUE EU NÃO SAIA SEM CONCLUIR O PLANO DO PAI!
Amém… Amém… Amém…

(Esta oração foi entregue a um grupo de missionários gnósticos em 1984, no México, pela VM Litelantes.)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Poimandres


Poimandres, na cultura hermética, era uma espécie de deidade, responsável pela mente e pela luz da alma da humanidade. Visto sob a forma de um dragão sagrado para os alquimistas, ele abria as portas do mundo invisível para os homens. Também é chamado de O Dragão da Sabedoria. Ele é visto também em A Tábua de Esmeralda, livro alquímico supostamente escrito no primeiro século da era cristã pelo faraó egípcio e deus grego, inspirado no deus egípcio Thot, Hermes Trismegistus (Ερμης ο Τρισμεγιστος - Hermes Três Vezes o Grande). Nessa passagem do livro, há um diálogo entre Hermes Trismegistus e Poimandres:

Hermes Trismegistus, Trêz Vezes o Grande, caminhava por um estranho rochedo e decidiu meditar. Fechou seus olhos e, respondedo às leis divinas, viu-se dentro do mundo invisível. Uma vez lá deparou-se com o grande dragão da sabedoria, uma figura imponente cujas asas cobriam o Sol como nuvens imensas emitindo raios luminosos: " Hermes Trismegistus, o Três Vezes o Grande, por que tentas adentrar o mundo invisível?" Espantado com aquela figura, Hermes Trismegistus abaixou a cabeça como símbolo de humildade e respeito, e disse: " Nobre criatura. Embora vós sabeis meu nome, eu não sei o vosso. Como eu poderia comprimentá-la? Sua presença me enche de honra" " Chamo-me Poimandres. Sou a mente e a luz do universo. Sou eu quem transmite inteligência e criatividade para a mais ignorante das criaturas." " Sublime! Conduzais-me pelos mundos invisíveis." " O que desejas encontrar lá, Hermes? Quais são suas intenções?" "Tenho em mente ajudar a humanidade. Eu amo todas as pessoas da Terra!" Após um exame na mente de Hermes Trismegistus, Poimandres percebeu o afeto de Hermes pela humanidade e a compaixão que sentia pelo seus sofrimento. " O que diz é verdade- concordou Poimandres- Tu terás minha ajuda em sua santa tarefa." Então, fez-se luz do dragão e, dessa luz, surgiu uma ponte pela qual Hermes Trismegistus caminhou. Ao fim da travessia, ele se deparou com um abismo de escuridão que se rompeu aos seus pés. Do céu despencou uma tempestade de águas turvas e Hermes pôde ouvir o som de gritos de sofrimento e agonia. Esses gritos foram interrompidos por uma voz divina que falava com Hermes Trismegistus: " Sou eu o deus da luz e da mente. O pilar luminoso sob meus pés é feito de confiança e compreensão. Entenda o que lhe digo, Hermes, e transmita aos outros seres.- Hermes concordou e a voz disse- Não deixe os maus sentidos controlarem seu corpo ou o desejo de violência se apossarem de sua mente. Quem cede a esses pecados é castigado com insatisfação e turbulência. Tu, Hermes, o Três Vezes o Grande, deves semear sabedoria e espalhar as águas do conhecimento. Agora, devo e vou me calar; mas meu silêncio está infestado de vida e esperança. Trasmita aos humanos minhas mensagens. Eu, Poimandres, o dragão da sabedoria, transmito paz e luz para as criaturas da Terra."

Extraído de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Poimandres

sexta-feira, 29 de junho de 2012

São Pedro





São Pedro (do grego: Πέτρος, Pétros, "pedra", "rocha"; Betsaida, século I a.C., — Roma, cerca de 67 d.C.) foi um dos doze apóstolos deJesus Cristo, segundo o Novo Testamento e, mais especificamente, os quatro Evangelhos. Os católicos consideram Pedro como o primeiro Bispo de Roma, sendo por isso o primeiro Papa da Igreja Católica.

Nome e importância
Segundo a Bíblia, seu nome original não era Pedro, mas Simão. Nos livros dos Atos dos Apóstolos e na Segunda Epístola de Pedro, aparece ainda uma variante do seu nome original, Simeão. Cristo mudou seu nome para כיפא, Kepha (Cefas em português, como em Gálatas 2:11), que em aramaico significa "pedra", "rocha", nome este que foi traduzido para o grego como Πέτρος, Petros, através da palavra πέτρα, petra, que também significa "pedra" ou "rocha", e posteriormente passou para o latim como Petrus, também através da palavra petra, de mesmo significado.
A mudança de seu nome por Jesus Cristo, bem como seu significado, ganham importância de acordo com a Igreja Católica em Mt 16, 18, quando Jesus diz: "E eu te declaro: tu és Kepha e sobre esta kepha edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão nunca contra ela." Jesus comparava Simão à rocha. Pedro foi o fundador, junto com São Paulo, da Igreja de Roma, sendo-lhe concedido o título de Príncipe dos Apóstolos. Esse título é um tanto tardio, visto que tal designação só começaria a ser usada cerca de um século mais tarde, suplementando o de Patriarca (agora destinado a outro uso). Pedro foi o primeiro Bispo de Roma. Essa circunstância é importante, pois daí provém a primazia do Papa e da diocese de Roma sobre toda a Igreja Católica; posteriormente esse evento originaria os títulos "Apostólica" e "Romana".


O apóstolo Pedro, o primeiro Bispo de Roma

A comunidade de Roma foi fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo e é considerada a única comunidade cristã do mundo fundada por mais de um apóstolo e a única do Ocidente instituída por um deles. Por esta razão desde a antiguidade a comunidade de Roma (chamada atualmente de Santa Sé pelos católicos) teve o primado sobre todas as outras comunidades locais (dioceses); nessa visão o ministério de Pedro continua sendo exercido até hoje peloBispo de Roma (segundo o catolicismo romano), assim como o ministério dos outros apóstolos é cumprido pelos outros Bispos unidos a ele, que é a cabeça do colégio apostólico, do colégio episcopal. A sucessão papal (de Pedro) começou com São Lino (67) e, atualmente é exercida pelo papa Bento XVI.
Segundo essa visão, o próprio apóstolo Pedro atestou que exerceu o seu ministério em Roma ao concluir a sua primeira epístola: "A [Igreja] que está em Babilônia, eleita como vós, vos saúda, como também Marcos, meu filho.". Trata-se da Igreja de Roma. Assim também o interpretaram todos os autores desde a Antiguidade, como abaixo, como sendo a Roma Imperial (decadente). O termo não pode referir-se à Babilônia sobre o Eufrates, que jazia em ruínas ou à Nova Babilônia (Selêucia) sobre o rio Tigre, ou à Babilônia Egípcia cerca de Mênfis, tampouco a Jerusalém; deve, portanto referir-se a Roma, a única cidade que é chamada Babilônia pela antiga literatura Cristã.

Testemunhos históricos de Pedro em Roma
Os historiadores atualmente acreditam que a tradição católica esteja correta; igualmente, muitas tradições antigas corroboram a versão de que Pedro esteve em Roma e que ali teria sido martirizado.


Clemente, terceiro bispo de Roma e discípulo de Pedro, por volta de (96) d.C., em sua Epístola aos Coríntios, faz clara alusão ao martírio deste e dePaulo em Roma:
"Todavia, deixando os exemplos antigos, examinemos os atletas que viveram mais próximos de nós. Tomemos os nobres exemplos de nossa geração. Foi por causa do ciúme e da inveja que as colunas mais altas e justas foram perseguidas e lutaram até a morte. Consideremos os bons apóstolos. Pedro, pela inveja injusta, suportou não uma ou duas, mas muitas tribulações e, depois de ter prestado testemunho, foi para o lugar glorioso que lhe era devido. Por causa da inveja e da discórdia, Paulo mostrou o preço reservado à perseverança. Sete vezes carregando cadeias, exilado, apedrejado, tornando-se arauto no Oriente e no Ocidente, ele deu testemunho diante das autoridades, deixou o mundo e se foi para o lugar santo, tornando-se o maior modelo de perseverança".

Inácio de Antioquia, bispo, mártir e também discípulo de Pedro, em cerca de (107) d.C., em sua Epístola aos Romanos, a qual fora dirigida à comunidade cristã lá situada, refere-se nos seguintes termos ao martírio de Pedro e Paulo em Roma:
"Não vos dou ordens como Pedro e Paulo; eles eram apóstolos, eu sou um condenado. Eles eram livres, e eu até agora sou um escravo".

Papias, bispo de Hierápolis, por volta de (140) d.C., ao tratar da origem do Evangelho de Marcos, atribui o relatado a João Marcos, companheiro de Paulo e Barnabé, a partir da convivência com os que haviam estado com Jesus, em especial Pedro quando este estava em Roma:
"Papias, bispo de Hierápolis, atesta a atribuição do segundo evangelho a Marcos, “intérprete” de Pedro em Roma. O livro teria sido composto em Roma, depois da morte de Pedro (prólogo antimarcionita de século II, Ireneu) ou ainda durante sua vida (segundo Clemente de Alexandria). Quanto a Marcos, foi identificado como João Marcos, originário de Jerusalém (At 12,12), companheiro de Paulo e Barnabé (At 12,25; 13,5.13; 15,37-39; Cl 4,10) e, a seguir, de Pedro em “Babilônia” (isto é, provavelmente, em Roma) segundo 1Pd 5,13."

O bispo Dionísio de Corinto, em extrato de uma de suas cartas aos romanos (170) trata da seguinte forma o martírio de Pedro e Paulo:
"Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina do Evangelho. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente."

Gaio, presbítero romano, em 199:
"Nós aqui em Roma temos algo melhor do que o túmulo de Filipe. Possuímos os troféus dos apóstolos fundadores desta Igreja local. Ide à Via Ostiense e lá encontrareis o troféu de Paulo; ide ao Vaticano e lá vereis o troféu de Pedro."
Gaio dirigiu-se nos seguintes termos a um grupo de hereges: "Posso mostrar-vos os troféus (túmulos) dos Apóstolos. Caso queirais ir ao Vaticano ou à Via Ostiense, lá encontrareis os troféus daqueles que fundaram esta Igreja."

Orígenes (185 - 253) responsável pela Escola Catequética de Alexandria afirmou:
"Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve que fosse crucificado de cabeça para baixo"
"Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo."

Ireneu (130 - 202), Bispo de Lião (nascido em Izmir atual Turquia) referiu:
"Para a maior e mais antiga a mais famosa Igreja, fundada pelos dois mais gloriosos Apóstolos, Pedro e Paulo." e ainda "Os bem-aventurados Apóstolos portanto, fundando e instituindo a Igreja, entregaram a Lino o cargo de administrá-la como bispo; a este sucedeu Anacleto; depois dele, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, Clemente recebeu o episcopado."
"Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja."

Formado como jurista Tertuliano (155-222 d.C.) falou da morte de Pedro em Roma:
"A Igreja também dos romanos pública - isto é, demonstra por instrumentos públicos e provas - que Clemente foi ordenado por Pedro."
"Feliz Igreja, na qual os Apóstolos verteram seu sangue por sua doutrina integral!" - e falando da Igreja Romana, "onde a paixão de Pedro se fez como a paixão do Senhor."
"Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na Cruz."

Eusébio (263-340 d.C.) Bispo de Cesareia, escreveu muitas obras de teologia, exegese, apologética, mas a sua obra mais importante foi a História Eclesiástica, onde ele narra a história da Igreja das origens até 303. Refere-se ao ministério exercido por Pedro:
"Pedro, de nacionalidade galileia, o primeiro pontífice dos cristãos, tendo inicialmente fundado a Igreja de Antioquia, se dirige a Roma, onde, pregando o Evangelho, continua vinte e cinco anos Bispo da mesma cidade."

Epifânio (315-403 d.C.), Bispo de Constância (também foi Bispo de Salamina e Metropolita do Chipre) fala da sucessão dos Bispos de Roma:
"A sucessão de Bispos em Roma é nesta ordem: Pedro e Paulo, Lino, Cleto, Clemente etc..."

 Doroteu de Tiro:
"Lino foi Bispo de Roma após o seu primeiro guia, Pedro."

Optato de Milevo:
"Você não pode negar que sabe que na cidade de Roma a cadeira episcopal foi primeiro investida por Pedro, e que Pedro, cabeça dos Apóstolos, a ocupou."

Cipriano (martirizado em 258), Bispo de Cartago (norte da África), escreveu a obra "A Unidade da Igreja" (De Ecclesiae Unitate), onde diz:
"A cátedra de Roma é a cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal." Santo Agostinho (354 - 430):
"A Pedro sucedeu Lino."
Logo, apesar das opiniões divergentes que surgiram a partir da Reforma Protestante, era constante, unânime e ininterrupta a tradição segundo a qual Pedro pregou o evangelho em Roma e lá encontrou o martírio, o que é robustecido pelos escritos dos Pais da Igreja e pela arqueologia.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Angelus Silesius

 
Angelus Silesius, era o pseudônimo de Johannes Scheffer, que nasceu em 1624, em em Breslau, na Polônia. Nascido em uma família luterana de posses recebeu uma fomação clássica, partiu em 1643 para estudar medicina em Strasbourg, Leyde e Pádua. Doutor em filosofia e medicina, tornou-se médico do príncipe de Öls, frequentando círculos místicos e ligando-se a Abraham von Franckenberg, díscipulo de Jacob Boehme. Foi luterano fervoroso até os 29 anos. Um ano após a morte de seu mestre, Scheffler converteu-se ao catolicismo em 1653, tomando o nome de Angelus Silesius. Passou a viver em retiro e silêncio durante três anos, e publicando vários poemas. Ordenou-se padre em 1661, com 37 anos, e escreveu panfletos contra os protestantes, continuando com sua obra poética.

Silesius foi um grande místico; procurou continuamente Deus dentro de si mesmo. Silesius foi um apaixonado por Cristo.

Foi místico cristão, filósofo, médico, poeta, jurista. Escreveu o livro "O Peregrino Querubínico", livro que reúne dísticos alexandrinos rimados. Silesius foi também um grande expoente da poesia barroca alemã.

Herdeiro da grande tradição de Eckhart e Tauler, mas também de Boehme, Angelus Silesius lhes deu uma expressão poética ímpar, além de qualquer formulação cofessional. Deus é indefinível, ao mesmo tempo Tudo e Nada, Ser e Nada. Diante de seu Criador, o homem não é nada e no entanto nele somente, que é "à imagem de Deus", este pode se contemplar. O homem deve assim abandonar-se totalmente, esvaziar-se de si-mesmo, para tornar-se aquilo que verdadeiramente é, um reflexo divino e deste modo eterno. O Peregrino Querubínico influenciou muitos filósofos alemães, sendo reconhecido como uma das formulações mais notáveis de um misticismo que supera toda e qualquer convenção.

Angelus Silesius faleceu em 1676, na cidade de Breslau, 52 anos.

PENSAMENTOS DE ANGELUS SILESIUS

"De tal modo Deus tudo ultrapassa, que nada se pode dizer: por isso melhor rezas a ele quando ficas em silêncio"

"Pára, aonde corres? O céu está em ti! Se procuras Deus noutro lugar, sempre mais o perdes"

"A mais nobre oração é quando o orante se transforma no íntimo naquele ao qual se ajoelha"

"Homem, se não sabes pedir graça a Deus com palavras, fica mudo diante dele: serás ouvido da mesma forma"

"Sem íntima comunhão com a divindade de Deus, como posso ser seu filho e ele meu pai?"

"Meu amor e meu tudo! - é o eco de Deus quando me ouve invocar: meu Deus e meu tudo!"

"O pássaro vive no ar, a pedra no chão, na água o peixe, e meu espírito na mão de Deus"

"Se de Deus nasceste, Deus floresce em ti, e sua divindade é tua seiva e ornamento"

"Sou vasto como Deus: não há no mundo inteiro quem me mantenha (oh, maravilha!) fechado em mim"

"Quando me perco em Deus chego de novo lá onde antes de mim eu era desde a eternidade"

"Quando pensas em Deus, em ti o ouvirás: se te calas e aquietas, ele sempre te falará"

"Deus me ama tanto quanto tudo sobre a terra: se não se tivesse encarnado, o faria agora por mim"

"Pode-se chamar o Altíssimo com todos os nomes; mas também, ao contrário, não lhe dar nome nenhum"

"Quem diz que algo no mundo é doce e amável ainda não conhece a beleza de Deus"

"Esvazia para Deus teu coração: ele não entra em ti se não vê o teu coração saído do teu coração"

"Tenho em mim a imagem de Deus: se ele quer ver-se, pode fazê-lo apenas em mim e em quem é como eu"

"O sábio jamais perdeu sequer um centavo: nunca teve nada, e nada lhe foi tirado"

"Eu próprio sou eternidade, quando abandono o tempo e me recolho em Deus e Deus em mim"

"Quanto mais te abandonas em Deus, mais ele nasce em ti; nem menos nem mais ele te ajuda em tuas fadigas"

"Sei que sem mim Deus não pode um momento viver: se eu nada me tornar, ele deve por certo morrer"

"Deus é fogo em mim e eu nele sou a luz: não estamos, juntos, profundamente unidos?"

"Nunca o homem bendisse mais altamente a Deus do que quando lhe concedeu gerá-lo como Filho"

"Se minha lâmpada deve espalhar luz e raios, o óleo, meu amado Jesus, deve jorrar de ti"

"Apenas Deus me ama: tanto se inquieta por mim que morre de temor que eu não o siga"

"Meu coração é um altar e minha vontade a vítima, minha alma é o sacerdote e o amor chama e brasa"

"Sou grande como Deus, e ele pequeno como eu; ele não pode estar acima de mim, nem eu abaixo dele".

"Puro como o mais fino ouro, firme como uma rocha, completamente límpido como o cristal: assim deve ser teu coração"

"Eu não sei o que eu sou, eu não sou o que eu sei:Uma coisa, e por tanto coisa nenhuma, um pequeno ponto e um círculo"

"Também sou filho de Deus, estou sentado a Sua direita: Seu Espírito, Sua carne e Seu sangue são em mim conhecidos"

"Deus não se dá a ninguém; se oferece a todos, para ser todo teu se tu O queres"

É de Silesius o célebre poema:

 "A rosa não tem porquê.
 Floresce porque floresce.
 Não cuida de si mesma.
 Nem pergunta se alguém a vê..."

 O filósofo Waldo Lima do Valle analisou a estrutura poética e o conteúdo místico do seu trabalho através de um livro intitulado "Diário de um Anjo: Trovas de Louvor e Amor a Deus".


domingo, 3 de junho de 2012

Transito de Vênus, Quetzalcóatl e a Profecia 2012

 

"Guia para a Meditação Sincronizada."

www.lawoftime.org

Fundação da Lei do Tempo



Dia 8 Dali da Lua Espectral da Serpente -Kin 241, Dragão Ressonante Vermelho, Sexto Ciclo de 113 Dias, “O Senhor do amanhecer Transforma o Ser”, (Crono Psi kin 207).


Qual é o significado do Transito de Vênus e como ele está relacionado com o profeta Maia Quetzalcóatl? 

Na dia 8 da Lua Cristal, Kin 9 (dia 5 de junho 2012), o planeta Vênus se moverá cruzando o sol. O transito de Vênus acontece em duas etapas geralmente com 8 anos de diferença. A primeira etapa deste transito atual foi no dia 10 da lua cristal, kin 211, dia 8 de junho de 2004. 

Esse evento ocorre somente quatro vezes a cada 234 anos e este ano acontecerá a 71 dias do 25º aniversário da Convergência Harmônica e o próximo transito de Vênus acontecerá em 2117. 

A convergência harmônica de 1987 marcou o encerramento da profecia dos 13 céus e 9 infernos profetizada por Quetzalcótl assim como o inicio do caminho de 26 anos até 2013. 

Quetzalcótl, é o arquétipo da renovação espiritual e cultural que prometeu retornar ao final do período histórico. (2012-2013).

Este arquétipo está associado com o planeta Vênus. O retorno de Quetzalcótl significa o retorno da nossa totalidade multidimensional e da nossa re-conexão com as Estrelas. 

O Trânsito de Vênus se produz precisamente 16 dias depois do eclipse solar. Neste dia o sol e a lua nova estarão sobre o topo de Chichén Nitza, e precisamente em conjunção com Vênus e a estrela Central das Plêiades na constelação de Touro. 

(Observe que neste dia que acontecerá o eclipse também iniciará o Quinto ciclo de Quetzalcótl de 144 dias, “o Retorno do poder sagrado, irradia o poder”.
(Ver onda da densidade espiral Galáctica) 


Quetzalcoatl viveu por 52 anos (947 -999) durante do décimo primeiro Baktun (830-1224). 

Este eclipse acontecerá 60 dias depois do equinócio de outono no hemisfério sul e primavera no hemisfério norte. O kin 60 é a assinatura galáctica de Pacal Votan. 

Desde o trânsito de Vênus faltará 198 dias para o encerramento do ciclo em 21 de Dezembro de 2012, kin 207 que será seguido de um ciclo de 216 dias que nos conduzirá a sincronização galáctica ( 26 de julho de 2013). 


Do Quinto ao Sexto sol da Consciência 

De acordo com as profecias de Quetzalcotl o mundo em que vivemos é o quinto sol. O quinto sol é Nahui Ollin, o sol da mudança e do movimento. 

Esta profecia diz que o mundo presente será destruído pelo movimento “ o Tremor da Terra” que é análogo a mudança do mundo 12:60.

Em outras palavras, a menos que mudemos nossa consciência coletiva, as mudanças na terra podem ser o último recurso da mãe natureza para despertar a consciência coletiva que tem omitido as advertências mais sutis do planeta. 

O quinto mundo (sol) simboliza a purificação da consciência na ebulição da matéria. Para o fim do quinto mundo, a terra, presa na aspiração pela unidade –o grande retorno –dará a luz a uma nova raça purificada, cuja consciência será luminosa e completa.

Este é o verdadeiro significado da profecia do retorno de Quetzalcoatl... – A Visão Transformativa / José Arguelles 
Na etapa final que nos conduzira ao 21/12/2012 completaremos o quinto sol e seremos introduzidos ao sexto sol da renovação total.

Tudo isso acontecerá como parte de um plano de unificação universal multidimensional que tem sua raiz em outros sistemas estelares. 

As Crônicas da História Cósmica contém os Gens da nova base de conhecimento galáctico que está descendendo ao nosso planeta. Os Sete Volumes contém os códigos e práticas para elevar a nossa consciência em preparação para o encontro com outros conselhos estelares e mestres estelares, tais como Sirius e Plêiades. 

A nível interplanetário, o elaborado ciclo de Vênus da estrela do amanhecer e do entardecer também se refere as viagens de Quetzalcoatl, que estão associadas com Maldek ( cinturão de Asteróides ) como a Serpente Emplumada. Quetzalcoatl transmigro desde Maldek, a Marte, a Vênus, a Terra. A Sonda de Arcturus diz que Quetzalcoatl, Maomé e Cristo tinham sua origem em Vênus. 

Neste sentido, Quetzalcóatl representa a transformação interna que tem que ser experimentada para alcançar a sabedoria superior e está associada ao retorno de Cristo. 
Oberve que um dos maiores asteroides foi encontrado no kin 225, Serpente Autoexistente Vermelha, que corresponde a Maldek ( 9 de março de 1953).

Os descobridores o chamaram de Quetzalcotl... 
Quetzalcóatl é representado pela serpente emplumada que simboliza a fusão do céu e da terra.

Este é o significado da meditação da paz mundial da ponte do arco-iris circumpolar: A fusão do céu e da terra. O arco Iris ao redor da terra é uma imagem universal que todos podemos visualizar.

E o sinal da paz mundial, a cura e a felicidade para todos os seres. 
Estamos sendo conduzidos para um maior conhecimento do nosso patrimônio interplanetário. Os seres estelares estão nos vigiando. 


Guia para as Meditações 

Prática preliminar recomendada para todas mediações ou visualizações sincronizadas.

Ascenda um incenso ou queime sálvia.

Medite 15 minutos “ a Meditação Mente Natural”, dissolvendo todos os pensamentos que possam surgir, torne sua mente clara.

Quando sintas que a mente alcançou a claridade inicie a visualização ou a meditação especifica. 

Recomendação ao concluir a prática de todas as meditações ou visualizações sincronizadas.

Ao concluir a meditação ou visualização particular, faça três inalações profundas.

Ao inalar visualize que estás absorvendo toda a escuridão, toda a ignorância e o sofrimento do mundo.

Enquanto contém a respiração, sinta a dor do mundo que é transmutada no teu coração, em luz, compaixão e amor por todos os seres.

A medida que exalas lentamente, exalas luz e compaixão por todos os seres sem distinção. 

As meditações podem ser individuais ou coletivas.
Se a meditação for coletiva organize-se de forma circular. 




Meditação Para o Transito de Vênus dias 5 


Trânsito de Vênus 06 de junho de 2012 ( Lua Cristal 8, Kin 9, Lua Solar Vermelha).

No trânsito de Vênus, o planeta Vênus cruzará a face do Sol.

Em alguns pontos específicos poderá ser visto como uma pequena mancha preta movendo-se através do disco de fogo do Sol.

Vênus, como arquétipo amoroso, artístico e feminino será como uma lente ou um amplificador da atividade solar que estamos presenciando. 

Como estamos dentro do alinhamento do nosso sistema solar com o Centro Galáctico (Hunab Ku), também vamos experimentar um alinhamento galáctico de quatro corpos celestes: Hunab Ku, o Sol, Vênus e Terra.

Como seres humanos sobre superfície da Terra, nossa tarefa é conectar a terra com esta energia. 

Se você desejar, traga o seu cristal favorito ou algum objeto especial para esta roda de meditação.

Escolha uma postura cômoda para todos os participantes e em círculo, ou mandala, comece com canto ondulante da sílaba "Ahm".

(O Canto Ondulante significa simplesmente cantar a sílaba sustentando a respiração enquanto você puder, continuando indefinidamente - cada pessoa resiste de forma diferente, isso cria uma vibração sonora ondulante).

Visualize o alinhamento núcleo galáctico / Hunab Ku, o Sol, Vênus e Terra - sinta este alinhamento - está acontecendo!

O Amor Universal da Fonte Supremo é espiral como uma serpente arco-íris surge através de Hunab Ku, para o sol, a Vênus e finalmente para nós na Terra! Esta energia absolutamente amorosa dissolve todas as ilusões e preconceitos que limitam o amor. 

Ao mesmo tempo, Vênus, como o arquétipo da arte e do feminino completa esta energia com confiança no poder da imaginação.

Sinta essa energia chegando até a terra e também ao teu coração, e sinta que o teu coração se abre completamente.

Na medida em que preenches o teu coração com o amor universal projeta um arco-iris ao redor da terra, simbolizando a unificação de todos.

Tomando o poder desse amor para o futuro, projete-se ao futuro para além da grande mudança e imagine, em tantos detalhes quanto possível, a visão mais alta e magnificamente bela da Terra.

Pergunte-se:
Se pudéssemos visualizar a terra como uma obra de arte?
Com o que se pareceria?

Sintonize-se com o grupo de pessoas que participam nesta meditação em todo o mundo e sinta a rede de luz que conecta a todos. 

Continue cantando "Ahm", mantendo a exibição do alinhamento de Hunab Ku, o Sol, Vênus e Terra - recebendo a energia serpentina do arco-íris e envia-lo ao redor da Terra.

Mantenha esta visualização, continue a cantar, tanto quanto você quiser – quanto mais tempo melhor, melhor! 


Agora teu coração está inscrito com a sua visão e oração para o futuro - se você trouxe um objeto para essa meditação.

Ele também já está carregada com essa visão. 

A partir deste agora e até a grande mudança de eras, recorde esta meditação. 
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quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Origem do Lotus


O Saniasi andava com passos lentos e graves, e a poeira que lhe cobria as vestes era a prova das caminhadas interminaveis em busca da verdade .
Passara por ashramas e grutas, onde gurús o instruiram sobre o misterios da vida, do ser e dos mundos. Ele ouvia, mas, dentro de seu coração continuava ardendo a vontade de descobrir algo além do saber. Parou, e, os olhos calmos percorreram o belo espetáculo do rio que banhava a planicie, entre banianas e outras arvores, onde somente o canto de alguns pássaros quebrava o silẽncio.
Por fim dirigiu-se para o lugar onde o rio fazia um remanso, como um lago separado e, deixando o bastão, começõu a tirar os poucos trapos que lhe cobriam o corpo, carregando as peças, entrou pelo rio
e logo banhava-se com gestos lentos e as esfregava. Quando voltou a margem, o corpo magro luzia ao sol, naquela nudez cuja inocência maravilhosa refletia a inocência primeva das coisas que rodeavam, Deixou as roupas secando na grama e deitou-se de costas, mergulhando os olhos no céu, como buscando, além do visivel, um sinal, um segredo. O sono em breve o tomou e, dentro de alguns instantes, reconfortado pelo repouso, despertou calmamente, vestiu os trapos secos e limpos, agora. Dirigindo-se para a sombra de uma das banianas, á beira dágua, ali se sentou em postura de meditação e, dentro em poucos instantes, estava profundamente recolhido em seu mais intimo ser. Quem por ali passasse haveria, por certo, de julga-lo um idolo inerte. Mas, em seu interior, se assim podemos dizer, a consciência estava entregue a atividades além da compreensão da mente humana. Naquela harmonia de veiculos, ela elevara-se e, em busca do mais alta aspiração, ia além das realizações mais espirituais que um ser pode possuir. Em profundo samadi, contemplou-se em seu coração e murmurou:" EU SOU Aquele". Em sua adoração, todo ele se manifestava em um anseio de sacrificio da personalidade, de seu eu,de tudo que nele representasse uma parcela de separatividade. E, na meditação, assim se expressava: Senhor, faze de mim algo que sirva para meus irmãos na terra Te reconhecerem como Poder, Beleza e Sabedoria! Faze de mim algo que seja puro reflexo de Teu infinito esplendor. Transforme-me em algo que, aos olhos do mundo, seja um simbolo de Tua glória.
Dos páramos celestes, um raio de luz intensa, absolutamente pura, banhou toda a região como a veste de um glorioso Deva e,mais intensamente, rodeou, interpenetrou aquela figura pálida, quase esqueletica,mas vibrante de impessoal amor.
O saniasi foi empalidecendo; pouco a pouco seu corpo descaiu, rolou para a água e a morte do corpo fisico libertou a alma sequiosa de amplidões. E na superficie das aguas do remanso, sob a sombra das banianas, que o vento sacudia brandamente, apareceram umas flôres estranhamente belas, cujas raizes estavam firmemente afundadas no lodo, o caule mergulhado nas águas e as pétalas gloriosamente exibindo sua brancura aos raios do sol. Era o Lotus.

Texto extraído de O.U.S.E.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Ganesha

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Ganesha é o removedor dos obstáculos, filho de Shiva e Párvati. 
Dizem que o Sr. Shiva saiu para um retiro nos Himalaias e pediu ao seu filho Ganesha para tomar conta da casa. Pediu que ele não deixasse ninguém entrar durante sua ausência. A seguir, ele voou e foi praticar suas austeridades (em sânscrito, tapas) no topo do mundo. Ocorre que suas disciplinas espirituais prolongaram-se demasiadamente e ele permaneceu nas montanhas sagradas por mil anos.

Quando ele voltou para casa, estava barbudo e com um aspecto um tanto quanto severo. Na porta, tomando conta da residência, estava Ganesha. Ele não reconheceu o pai e barrou sua entrada. Os dois discutiram muito, pois Shiva dizia que era seu pai e Ganesha argumentava que seu pai não tinha barba e o tinha alertado de que um demônio disfarçado tentaria passar por ali disfarçado. Os dois entraram em um combate de proporções energéticas incríveis. No decorrer da luta, Shiva levou a melhor e subjugou seu filho. Com raiva, cortou a cabeça do menino e jogou o corpo no mato.A seguir, foi fazer a barba, tomar um banho e descansar da longa viagem. Quando sua esposa, Párvati, chegou e percebeu a bagunça na entrada da casa e não viu o filho de plantão, logo percebeu que algo terrível havia acontecido. Daí, Shiva disse-lhe o que tinha acontecido. Ela ficou furiosa e ameaçou separar-se dele (sabe como é, fazer uma grevezinha, hehehehe...) caso ele não trouxesse o filho de volta à vida. Temeroso de perder sua consorte divina, a rainha da formosura e da alegria, ele disse-lhe: "Está bem, vou trazê-lo de volta, mas se o seu corpo ainda estiver em boas condições, a cabeça já era, pois um chacal da floresta devorou-a ainda agora. Sei disso porque o meu olho espiritual a tudo vê. O que posso fazer é energizar o cadáver e colocar uma outra cabeça no lugar. Entrarei na floresta e deceparei a cabeça do primeiro animal que eu encontrar. Colocarei sua cabeça no corpo do menino e farei com que o seu corpo espiritual entre na carne novamente. Ele viverá no plano físico mais uma vez, mas com a cabeça de um animal."

Shiva entrou na floresta e o primeiro animal que ele encontrou foi justamente o elefante. Cortou a cabeça do paquiderme, colou-a no corpo e fez o espírito entrar nele. Daí, a figura do Ganesha passou a ser a do menino com cabeça de elefante. Baseados nisso, os hindus reverenciam a Ganesha como o divino protetor das casas e removedor dos obstáculos.

Se ele não deixou nem o pai entrar, com certeza não deixará nada pernicioso entrar na casa do devoto.

A outra lenda, mais suave, mas sem a intensidade da primeira, conta que Ganesha era um menino muito bonito. Sua beleza era tão mágica e sua presença tão doce, que as pessoas não prestavam atenção na sua sabedoria e nem escutavam seus ensinamentos. Ficavam cativadas pela sua beleza sobrenatural.
Para evitar isso, Shiva cortou sua cabeça e colocou a do elefante no lugar. Dessa forma, todos os que se aproximassem dele seriam libertados por sua sabedoria e não ficariam encantados pela aparência sedutora, mas ilusória. Quem buscasse seu concurso seria pelo objetivo do crescimento espiritual e não mais pelas firulas da vaidade.

As duas lendas revelam lições de sabedoria espiritual e são bem interessantes.
 

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Cada elemento do corpo de Ganesha tem seu próprio valor e significado:

ॐ     A cabeça de elefante indica fidelidade, inteligência e poder discriminatório;


ॐ    O fato de possuir apenas uma única presa (a outra estando quebrada) indica a habilidade de Ganesha de superar todas as formas de dualismo;
 
ॐ    As orelhas abertas denotam sabedoria, habilidade de escutar pessoas que procuram ajuda e para refletir verdades espirituais. Elas simbolizam a importância de escutar para poder assimilar idéias. Orelhas são usadas para ganhar conhecimento. As grandes orelhas indicam que quando Deus é conhecido, todo conhecimento também é;

ॐ    A tromba curvada indica as potencialidades intelectuais que se manifestam na faculdade de discriminação entre o real e o irreal;

 ॐ•    Na testa, o Trishula (arma de Shiva, similar a um Tridente) é desenhado, simbolizando o tempo (passado, presente e futuro) e a superioridade de Ganesha sobre ele;

ॐ    A barriga de Ganesha contém infinitos universos. Simboliza a benevolência da natureza e equanimidade, a habilidade de Ganesha de sugar os sofrimentos do Universo e proteger o mundo;
 
ॐ    A posição de suas pernas (uma descansando no chão e a outra em pé) indica a importância da vivência e participação no mundo material assim como no mundo espiritual, a habilidade de viver no mundo sem ser do mundo;
 
ॐ    Os quatro braços de Ganesha representam os quatro atributos do corpo sutil, que são: mente (Manas), intelecto (Buddhi), ego (Ahamkara), e consciência condicionada (Chitta).

ॐ    O Senhor Ganesha representa a pura consciência - o Atman - que permite que estes quatro atributos funcionem em nós;

ॐ    A mão segurando uma machadinha é um símbolo da restrição de todos os desejos, que trazem dor e sofrimento. Com essa machadinha Ganesha pode repelir e destruir os obstáculos. A machadinha é também para levar o homem para o caminho da verdade e da retidão;

ॐ    O chicote nos fala que os apegos mundanos e desejos devem ser deixados de lado;

ॐ    A terceira mão, que está em direção ao devoto, está em uma pose de bênçãos, refúgio e proteção (abhaya);

ॐ    A quarta mão segura uma flor de lótus (padma), e  simboliza o mais alto objetivo da evolução humana, a realização do seu verdadeiro eu;



O Senhor cuja forma é Om

Ganesha é também definido como Omkara que significa "tendo a forma de Om". De fato, a forma do seu corpo é uma cópia do traçado da letra Devanagari que indica este grande Bija Mantra. Por causa disso, Ganesha, que está na base de todo o mundo fenomenal, é considerado a encarnação corporal do Cosmos inteiro. Na língua tâmil, a sílaba sagrada é indicada precisamente por uma letra que relembra o formato da cabeça de Ganesha.

Ganesha e o rato

De acordo com uma interpretação, o divino veículo de Ganesha, o rato ou mushika representa sabedoria, talento e inteligência. Ele simboliza investigação diminuta de um assunto difícil. Um rato vive uma vida clandestina nos esgotos, portanto, é também um símbolo da ignorância que é dominante nas trevas e que teme a luz do conhecimento. O rato representa o ego, a mente com todos os seus desejos, e o orgulho da individualidade. Ganesha, guiando sobre o rato, se torna o mestre (e não o escravo) dessas tendências, indicando o poder que o intelecto e as faculdades discriminatórias têm sobre a mente.

Extraído de  O.U.S.E.